Da China ao coração do mercado automobilístico brasileiro, o Grupo Chery prepara uma expansão de escala histórica: cinco marcas inéditas em três anos, cobrindo desde utilitários populares até o luxo eletrificado em parceria com a Huawei e a Jaguar Land Rover. A ambição de emplacar meio milhão de veículos até 2031 não é apenas uma aposta comercial — é um sinal de que o eixo de poder da indústria global está se deslocando, e o Brasil foi escolhido como palco dessa transformação.
Grupo Chery lança ofensiva com cinco marcas no Brasil e mira 500 mil carros
Meio milhão de carros até 2031: a Chery quer ser a Stellantis chinesa
Por que a Chery escolhe lançar cinco marcas em vez de apenas expandir a marca principal?
Porque cada marca ataca um segmento diferente com identidade própria. A iCaur é tecnológica e elétrica, a Lepas é SUVs acessíveis, a Freelander é premium com herança Land Rover, a Exeed é luxo puro, e a Luxeed compete com Tesla. É estratégia de portfólio — cobrir tudo.
A tecnologia de autonomia estendida é realmente nova no Brasil?
Não é completamente nova — o BMW i3 teve isso, e o Leapmotor C10 também traz. Mas a iCaur promete fazer em escala, com autonomias acima de 1.000 quilômetros. É a liberdade do carro elétrico sem a ansiedade de bateria.
Como a Chery consegue negociar a fábrica da Jaguar Land Rover?
Pela parceria que já têm na China há mais de dez anos. Mas o dono é o Tata Motors, grupo indiano, então não é simples. Por isso ainda estudam outras opções de fábrica.
Meio milhão de carros até 2031 — é realista?
É ambicioso. Significa que a Chery sozinha teria que vender tanto quanto marcas consolidadas. Mas com cinco marcas, tecnologia elétrica em alta, e preços competitivos, é possível se conseguirem a fábrica e o mercado abraçar.
Por que a Lepas não existe na China?
Porque foi criada especificamente para exportação. É uma marca feita para fora, com design e posicionamento pensados para mercados como o Brasil. Reutiliza plataformas Chery, mas com identidade própria.
A Luxeed com Huawei é uma ameaça real para a Tesla?
Huawei traz tecnologia de software e bateria. A Luxeed R7 tem 500 cavalos e 855 quilômetros de autonomia — números competitivos. Mas Tesla tem marca, rede de supercarregadores e histórico. É uma aposta, não uma garantia.
El Pulso
- O Grupo Chery prepara o maior desembarque de marcas simultâneas já visto no Brasil, com cinco novos nomes chegando entre 2026 e 2028 para disputar cada fatia do mercado.
- A iCaur inaugura a ofensiva em agosto, apresentando SUVs elétricos de autonomia estendida que prometem mais de 1.000 km por abastecimento — uma resposta direta à ansiedade de autonomia que ainda freia a eletrificação no país.
- No segmento de luxo, Exeed, Freelander e Luxeed miram diretamente BMW, Audi, Mercedes-Benz e Tesla, apoiadas em alianças estratégicas com Jaguar Land Rover e Huawei.
- A negociação pela fábrica da JLR em Itatiaia, fechada em julho, pode transformar o Brasil em polo de produção nacional chinesa — um anúncio aguardado para o fim do ano.
- Com Chery e Jetour já operando de forma independente, o grupo constrói um ecossistema de marcas que rivaliza com conglomerados ocidentais como Stellantis e Volkswagen Group.
Da China ao coração do mercado automobilístico brasileiro, o Grupo Chery prepara uma expansão de escala histórica: cinco marcas inéditas em três anos, cobrindo desde utilitários populares até o luxo eletrificado em parceria com a Huawei e a Jaguar Land Rover. A ambição de emplacar meio milhão de veículos até 2031 não é apenas uma aposta comercial — é um sinal de que o eixo de poder da indústria global está se deslocando, e o Brasil foi escolhido como palco dessa transformação.
O Grupo Chery está prestes a reescrever as regras do mercado automotivo brasileiro. Nos próximos três anos, o conglomerado chinês lançará cinco marcas completamente novas — iCaur, Lepas, Freelander, Exeed e Luxeed — cada uma posicionada em um segmento distinto, da mobilidade popular ao luxo eletrificado. A meta é vender 500 mil carros até 2031.
A primeira a chegar é a iCaur, que será apresentada no Festival Interlagos em agosto, com vendas previstas para o primeiro trimestre de 2027. Seus modelos são quase todos elétricos de autonomia estendida — um motor a combustão atua apenas como gerador, enquanto motores elétricos tracionam as rodas. O carro-chefe, o SUV V27, tem mais de cinco metros, 455 cavalos e vai de zero a 100 km/h em seis segundos. A promessa é de autonomia combinada acima de 1.000 quilômetros.
Em 2027 chega a Lepas, marca criada em 2025 exclusivamente para exportação — ela não existe na China. Oferecerá SUVs em cinco tamanhos, alguns deles reestilizações dos conhecidos Tiggo 5X, 7 e 8, agora com acabamento mais premium e opções de motorização que vão da combustão ao elétrico puro.
Para 2028, o grupo aponta para o luxo com três marcas simultâneas. A Exeed traz SUVs de porte médio-grande após anos de tentativas frustradas no Brasil. A Freelander, fruto de uma joint-venture com a Jaguar Land Rover na China, ressuscita nomes como Discovery e Defender como marca independente. Já a Luxeed, desenvolvida em parceria com a Huawei para rivalizar com a Tesla, apresentará o SUV cupê R7, com até 500 cavalos e bateria de 100 kWh prometendo 855 km de autonomia.
Enquanto isso, Chery e Jetour seguem operando de forma independente no país. O grupo também negocia a aquisição da fábrica da JLR em Itatiaia, encerrada em julho, o que poderia transformar o Brasil em polo de produção nacional. O anúncio pode vir ainda este ano — e o mercado brasileiro nunca esteve tão perto de uma virada assim.
O Grupo Chery está preparando uma invasão sem precedentes do mercado brasileiro. Nos próximos três anos, o conglomerado chinês pretende lançar cinco marcas completamente novas por aqui — iCaur, Lepas, Freelander, Exeed e Luxeed — cada uma posicionada em um segmento diferente, desde veículos populares até o luxo puro. A ambição é clara: emplacar meio milhão de carros até 2031, transformando a Chery na Stellantis chinesa do Brasil.
A primeira marca a chegar é a iCaur, que será oficialmente apresentada no Festival Interlagos entre 27 e 30 de agosto, com vendas começando no primeiro trimestre de 2027. O diferencial da iCaur é tecnológico: quase todos os seus modelos serão elétricos de autonomia estendida, um sistema onde um motor a combustão funciona apenas como gerador de energia para as baterias que alimentam os motores elétricos responsáveis por tracionar as rodas. É a experiência de dirigir um carro elétrico com a liberdade de abastecer e continuar a viagem — a marca promete autonomias combinadas acima de 1.000 quilômetros. O V27, um SUV com mais de cinco metros de comprimento e design geométrico, já foi visto no Brasil. Equipado com motor 1.5 turbo que gera energia para baterias de 34,3 kWh, seus dois motores elétricos produzem 455 cavalos de potência e conseguem ir de zero a 100 km/h em exatos seis segundos com tração integral. Há também o V23, um utilitário compacto com o comprimento do VW T-Cross mas entre-eixos maior que o do Toyota Corolla, oferecendo entre 136 e 455 cavalos dependendo da versão, além de mais dois SUVs médio-grandes em desenvolvimento: o V25 e o V29.
A Lepas chega em 2027 com uma proposta diferente. Criada em 2025 especificamente para exportação — não existe na China — a marca promete uma linha completa de SUVs em cinco tamanhos: compactos, médios, médios-grandes e grandes, identificados pelas nomenclaturas L2, L4, L6, L8 e L9. Alguns desses modelos serão conhecidos dos brasileiros, mas com visual renovado: o L4 é um rebadge do Chery Tiggo 5X, o L6 é um Tiggo 7 e o L8 é um Tiggo 8, todos reestilizados com uma pegada mais premium no design, interior e acabamentos. Oferecerão motorizações variadas — combustão pura, híbrida, plug-in híbrida e elétrica.
Para 2028, a Chery aponta para o segmento de luxo com três marcas simultâneas. A Exeed, que desde 2018 ensaia sua estreia no Brasil sem sucesso até agora, finalmente chegará com SUVs de porte similar aos Tiggo 7 e 8. A Freelander é resultado de uma joint-venture de mais de uma década entre Chery e Jaguar Land Rover na China — agora nomes históricos como Discovery, Defender, Range Rover e Jaguar ganharão status de marca independente. O Freelander 8, já confirmado para o Brasil, é um SUV com visual quadrado na linguagem Land Rover, capaz de aceitar desde motorização híbrida em série até totalmente elétrica. A Luxeed, criação conjunta da Chery com a gigante de tecnologia Huawei para competir diretamente com a Tesla, trará o R7, um SUV cupê semelhante ao GAC Hyptec HT, com versões de até quase 500 cavalos e bateria de 100 kWh prometendo 855 quilômetros de autonomia no ciclo chinês.
A própria marca Chery e a Jetour, que estreou este ano no Brasil, continuarão operando independentemente. A Chery segue sob administração da Caoa, enquanto a Jetour mantém operação autônoma — esta última lançou recentemente a versão 4x4 do seu SUV T2. Com mira em meio milhão de veículos, o Grupo Chery negocia a apropriação da fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, Rio de Janeiro, que encerrou atividades em julho. A parceria entre as marcas na China facilita esse acordo, embora o proprietário da dupla inglesa seja o grupo indiano Tata Motors. O anúncio da produção nacional pode vir até o fim do ano, mas executivos ainda estudam ter ou construir outras unidades fabris no país. A ofensiva está em movimento, e o mercado brasileiro nunca viu nada assim.
Citas Notables
Autonomias combinadas acima de 1.000 quilômetros com tecnologia de autonomia estendida— Promessa da marca iCaur
Anúncio da produção nacional esperado até o fim do ano, mas executivos ainda estudam ter ou construir outras fábricas— Estratégia do Grupo Chery