No último fim de semana de setembro, o céu sobre Santiago, no Rio Grande do Sul, transformou-se em instrumento de destruição: pedras de gelo varreram a cidade em minutos, danificando cerca de três mil residências e expondo dezenas de milhares de pessoas à fragilidade das estruturas que chamamos de lar. O episódio não é isolado — faz parte de uma sequência de temporais que, desde 25 de setembro, percorre 68 municípios gaúchos, lembrando que a natureza não negocia prazos nem respeita rotinas. Enquanto voluntários distribuem lonas e a Defesa Civil contabiliza os estragos, novos sistemas meteoroló
Granizo destrói 3 mil casas em Santiago e deixa moradores desabrigados no RS
A chuva não dá trégua. Os vizinhos todos abandonaram.
Como é que uma tempestade de granizo consegue danificar três mil casas em uma cidade em poucos minutos?
O granizo em uma tempestade dessa escala não é como aquele granizo pequeno que a gente vê às vezes. Pedras de gelo grandes caem com força suficiente para furar telhados, quebrar vidros, destruir estruturas. Santiago foi atingida de forma muito concentrada.
Mas a gente sabe o tamanho dessas pedras de gelo? O relatório não especifica. Três mil casas danificadas é um número grande — a gente sabe se foi destruição total ou danos parciais?
Boa pergunta. O que a gente tem é que 4.982 casas sofreram danos e 153 foram destelhadas. Então a maioria não foi destruída completamente, mas teve danos significativos — infiltrações, telhados danificados.
E as pessoas que perderam tudo, como Daiane Lavarda? Elas têm para onde ir?
Treze pessoas estão abrigadas no Ginásio Municipal. Mas a maioria está tentando se virar com lonas — 25 mil metros de lona foram distribuídos desde domingo. É uma solução temporária enquanto tentam consertar as casas.
Vinte e cinco mil metros de lona para três mil casas danificadas. Isso é suficiente?
Não sabemos ao certo. O coordenador da Defesa Civil precisou solicitar apoio de municípios vizinhos, o que sugere que a demanda é maior que os recursos locais.
E isso é só Santiago? O que está acontecendo no resto do estado?
Desde 25 de setembro, 68 municípios foram afetados. 39.117 pessoas afetadas no total, quatro feridas, nenhuma morte registrada até o momento.
Até o momento é a chave ali. Mais temporais estão previstos para segunda e terça-feira. Os números podem mudar.
Então a situação ainda está se desenvolvendo.
Exatamente. E as escolas estão fechadas. O prefeito disse que as prioridades agora são as casas e as famílias, não a vida normal.
O Pulso
- Em poucos minutos, o granizo destruiu telhados em toda Santiago, deixando famílias inteiras sem proteção contra a chuva que não parou de cair.
- Quase 39 mil pessoas foram afetadas em 68 municípios gaúchos, com 4.982 casas danificadas e 153 completamente destelhadas desde 25 de setembro.
- Moradores improvisaram lonas, usaram baldes e rodos para conter a água, enquanto idosos relatavam nunca ter visto destruição semelhante em toda a vida.
- No Ginásio Municipal de Santiago, voluntários distribuíram 25 mil metros de lona, kits de higiene e alimentos, e a Defesa Civil precisou pedir reforço de municípios vizinhos.
- Novos temporais com até 100mm de chuva, granizo e ventos de até 100 km/h são previstos para segunda e terça-feira, com acumulados podendo superar 270mm em partes do estado.
- As aulas foram suspensas e a retomada da vida normal permanece incerta, enquanto um ciclone extratropical se forma e só deve se afastar em direção ao oceano na quarta-feira.
No último fim de semana de setembro, o céu sobre Santiago, no Rio Grande do Sul, transformou-se em instrumento de destruição: pedras de gelo varreram a cidade em minutos, danificando cerca de três mil residências e expondo dezenas de milhares de pessoas à fragilidade das estruturas que chamamos de lar. O episódio não é isolado — faz parte de uma sequência de temporais que, desde 25 de setembro, percorre 68 municípios gaúchos, lembrando que a natureza não negocia prazos nem respeita rotinas. Enquanto voluntários distribuem lonas e a Defesa Civil contabiliza os estragos, novos sistemas meteorológicos se aproximam, colocando à prova tanto a resiliência das comunidades quanto a capacidade do poder público de proteger os mais vulneráveis.
No último fim de semana de setembro, um temporal com granizo varreu Santiago, no centro do Rio Grande do Sul, danificando cerca de três mil residências em poucos minutos. Sem tempo para se preparar, moradores recorreram a lonas improvisadas para tentar proteger o que restava de seus lares da chuva persistente. Daiane Lavarda, uma das atingidas, descreveu a casa destruída, a família sem teto e a água entrando por tudo — enquanto vizinhos também abandonavam suas residências sem perspectiva imediata de solução.
O drama de Santiago é o epicentro de um desastre mais amplo: desde 25 de setembro, temporais sucessivos atingem 68 municípios gaúchos, deixando 39.117 pessoas afetadas e quatro feridas. Em todo o estado, 4.982 casas sofreram danos e 153 foram completamente destelhadas. Moradores como Aier Peruffo usaram baldes e rodos para tentar controlar as infiltrações, e o aposentado Antônio Amaral afirmou nunca ter visto algo assim em toda a vida.
A resposta foi mobilizada rapidamente. No Ginásio Municipal, voluntários distribuíram cerca de 25 mil metros de lona, além de kits de higiene e alimentos. Treze pessoas foram abrigadas no local. O coordenador da Defesa Civil de Santiago, Paulo Acosta, precisou solicitar apoio de municípios vizinhos para dar conta da demanda. As aulas foram suspensas na segunda e terça-feira, e o prefeito Marcelo Gorski de Matos sinalizou que a retomada das atividades escolares dependerá de nova avaliação.
O tempo, porém, não oferece trégua. Alertas meteorológicos preveem chuvas de até 100mm por dia, granizo e ventos entre 60 e 100 km/h para os próximos dias. Um ciclone extratropical em formação pode elevar os acumulados a mais de 270mm em partes da Campanha e do Centro do estado até terça-feira. Só na quarta-feira o sistema deve se afastar em direção ao oceano — e apenas na quinta-feira uma massa de ar polar deve trazer estabilidade, encerrando, ao menos por ora, este ciclo de destruição.
No último fim de semana de setembro, um temporal carregado de granizo varreu Santiago, município na região central do Rio Grande do Sul, deixando um rastro de destruição que ainda não terminou. Em poucos minutos, pedras de gelo atingiram a cidade com força suficiente para danificar aproximadamente três mil residências. Os moradores, sem tempo para se preparar, recorreram a lonas improvisadas na tentativa de proteger o que restava de seus lares da chuva que não cedia.
Daiane Lavarda, uma das atingidas, descreveu a situação com a clareza de quem perdeu tudo. Sua casa foi destruída. Ela e sua família estão sem teto, forçados a sair enquanto tentam reunir recursos para reconstruir. A água entrou em tudo. Colocaram uma lona, mas a chuva continua implacável. Os vizinhos abandonaram suas casas também — não há o que fazer senão esperar.
O impacto de Santiago é apenas uma parte de um desastre muito maior. Desde 25 de setembro, temporais sucessivos atingem o Rio Grande do Sul, afetando 68 municípios. Até a noite de segunda-feira, 28 de setembro, a Defesa Civil estadual registrava quatro pessoas feridas e 39.117 afetadas pelas chuvas, vendavais e quedas de granizo. Não houve mortes ou desaparecidos. Em todo o estado, 4.982 casas sofreram danos e 153 foram completamente destelhadas.
Em Santiago, o município mais afetado, diversos bairros enfrentam a mesma realidade: telhados destruídos, infiltrações generalizadas. Aier Peruffo, outro morador, relatou que bastante água entrou em sua casa. Ele e tantos outros colocaram baldes e usaram rodos para tentar controlar o estrago. Antônio Amaral, um aposentado, disse nunca ter visto algo assim em toda a vida.
A resposta da cidade foi rápida. No Ginásio Municipal, voluntários trabalham na distribuição de lonas, kits de higiene e alimentos. Desde a tarde de domingo, cerca de 25 mil metros de lona foram entregues aos moradores. Treze pessoas estão abrigadas no local. O coordenador da Defesa Civil de Santiago, Paulo Acosta, precisou solicitar apoio de municípios vizinhos para atender à demanda causada pelos estragos.
As aulas foram suspensas em Santiago na segunda e terça-feira. O prefeito Marcelo Gorski de Matos indicou que uma nova avaliação será feita para determinar se as atividades escolares poderão retomar na quarta-feira ou se a suspensão precisará ser estendida. Segundo ele, é hora de as pessoas cuidarem de suas casas, de suas famílias, de suas residências, antes de voltar à vida normal.
O tempo não oferece trégua. O Instituto Nacional de Meteorologia publicou alerta de perigo para tempestades na segunda e terça-feira, com risco de chuva de até 100 milímetros por dia, queda de granizo e ventos entre 60 e 100 quilômetros por hora. A Climatempo Meteorologia explica que uma área de baixa pressão atmosférica atua sobre o estado, originando um ciclone extratropical e uma nova frente fria entre a madrugada e a manhã de terça-feira. A Defesa Civil projeta que os acumulados de chuva entre domingo e terça-feira podem superar 270 milímetros em áreas da Campanha e do Centro do estado. Na terça-feira, as rajadas de vento podem chegar a 90 quilômetros por hora na Serra e superar essa marca em pontos isolados do Norte.
Na quarta-feira, o ciclone extratropical se afasta em direção ao oceano e a chuva perde força na maior parte do estado, embora ainda atinja o Norte, o Litoral Norte e a Região Metropolitana de Porto Alegre. O tempo volta a ficar firme em todo o território gaúcho na quinta-feira, quando uma massa de ar polar associada a um sistema de alta pressão derruba as temperaturas, deixando-as mais baixas principalmente durante as primeiras horas da manhã.
Citações Notáveis
Nossa casa terminou, estamos sem teto. Vamos sair até conseguir consertar. Molhou tudo. A gente colocou uma lona, mas a chuva não dá trégua.— Daiane Lavarda, moradora de Santiago
É hora de as pessoas primeiro cuidarem das suas casas das suas famílias, das suas residências, para depois voltar à vida, entre aspas, normal.— Marcelo Gorski de Matos, prefeito de Santiago