Mamdani ganhou fama internacional ao proteger migrantes haitianos e resolver problemas urbanos práticos, atraindo líderes mundiais e tornando-se símbolo de resistência democrática. Prefeitos em Minneapolis, Berlim, Istambul e Manchester também enfrentam governos autoritários, formando o Pacto das Cidades Livres que cresceu de 4 para 45 membros desde 2019.
Grandes cidades emergem como baluartes contra nacionalismo autoritário
Competência elementar é assustadora para o tiranete nacionalista
Por que exatamente prefeitos estão se tornando símbolos de resistência? Não é um cargo muito local para isso?
Porque quando o governo federal quer expulsar migrantes, quem protege a vida deles é o prefeito. Quando o ICE invade uma cidade, quem recusa cooperar é o prefeito. É poder real sobre pessoas reais.
Mas espera — o Mamdani conseguiu realmente proteger os haitianos, ou só recusou cooperar? Qual é a diferença prática?
Boa pergunta. A recusa de cooperação significa que a polícia local não ajuda o ICE. Não é proteção total, mas é obstáculo real.
E esse Pacto das Cidades Livres — cresceu de 4 para 45 membros. Isso é coordenação real ou mais simbólico?
Ambos. Péter Magyar na Hungria provavelmente não vence sem essa rede. Mas também é verdade que um pacto não derrota um presidente.
Exatamente. O texto diz que Erdogan mantém Imamoglu na cadeia mesmo com toda essa rede. Então qual é o limite real do poder municipal?
O limite é que você não pode derrotar um tirano sozinho. Mas você pode oferecer uma alternativa — um lugar onde as coisas funcionam, onde você não é perseguido.
Então é mais sobre criar espaços de sanidade do que vencer politicamente?
Sim. E aparentemente, em tempos de caos, sanidade é revolucionária.
Uma última coisa — o texto menciona que Mamdani tapou buracos de rua em nove meses. É impressionante, mas é também um recorde fácil de bater se ninguém estava fazendo nada antes. Não sabemos o contexto.
Verdade. Mas o ponto é que isso importa mais do que qualquer discurso sobre valores.
Então a resistência ao autoritarismo não é ideológica — é infraestrutura?
Exatamente. É esgoto que funciona.
O Pulso
- Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, protegeu migrantes haitianos enquanto governo federal invadia a cidade
- Pacto das Cidades Livres cresceu de 4 membros (2019) para 45 membros, incluindo cidades dos EUA
- Jacob Frey, prefeito de Minneapolis, recusou cooperação com 3 mil agentes do ICE que invadiram a cidade
- Ekrem Imamoglu, ex-prefeito de Istambul, permanece detido sob acusações fabricadas por Erdogan
Mamdani ganhou fama internacional ao proteger migrantes haitianos e resolver problemas urbanos práticos, atraindo líderes mundiais e tornando-se símbolo de resistência democrática. Prefeitos em Minneapolis, Berlim, Istambul e Manchester também enfrentam governos autoritários, formando o Pacto das Cidades Livres que cresceu de 4 para 45 membros desde 2019.
Prefeitos de grandes cidades globais, como Zohran Mamdani em Nova York, emergem como líderes de resistência contra a onda de nacionalismo autoritário, oferecendo governança competente focada em serviços básicos.
Quando Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, aparece em público — terno e gravata pretos, sorriso largo — virou parada obrigatória no roteiro de visitantes durante a Assembleia Geral da ONU. Não é a Estátua da Liberdade nem Times Square que atraem os olhares agora. É ele. Pedro Sánchez, ex-jogador de basquete e primeiro-ministro espanhol, gravou vídeo jogando papel amassado na Mansão Gracie, a residência oficial da prefeitura. Donald Trump parou o cortejo presidencial em Manhattan para discutir com Mamdani seu assunto favorito: construir prédios. A mansão georgiana onde tudo isso acontece foi comprada pelo Itamaraty em 1981 por US$ 4,05 milhões — uma aquisição que exigiu convencer um general presidente que preferia, segundo seus próprios termos, o cheiro de uma estrebaria ao de um salão de festas.
Mas a atenção internacional que Mamdani recebe não brota do vácuo. Ela emerge de um fenômeno político mais amplo: as grandes cidades do mundo estão se tornando focos de resistência contra a onda autoritária que ameaça democracias em toda parte. Enquanto a maioria dos republicanos segue uma cartilha de temas considerados tabus para não contrariar o presidente, Mamdani pediu proteção à população haitiana de Nova York. Essa escolha simples — defender quem o governo federal quer expulsar — o transformou em símbolo de uma governança diferente.
Em Minneapolis, o prefeito Jacob Frey enfrentou a invasão de mais de 3 mil agentes do ICE numa cidade cuja força policial tem apenas 643 policiais em uniforme. Ele recusou qualquer cooperação com as forças que ocuparam as ruas e segue disputando o caso na Justiça contra o governo federal. Na Alemanha, enquanto o nacionalismo de extrema direita avança, o partido esquerdista Die Linke venceu a eleição estadual de Berlim e pode levar Elif Eralp à prefeitura — filha de imigrantes turcos, ela já foi apelidada de "Mamdani alemã". Em Istambul, o presidente Recep Tayyip Erdogan mantém Ekrem Imamoglu, ex-prefeito da cidade, na cadeia sob acusações fabricadas, apavorado com as centenas de milhares que lotaram as ruas em protestos.
Esse movimento ganhou estrutura formal. O Pacto das Cidades Livres, que em 2019 reunia apenas as capitais de Hungria, Polônia, Eslováquia e República Tcheca, cresceu para 45 membros — incluindo várias cidades dos Estados Unidos. A eleição de Péter Magyar na Hungria dificilmente teria acontecido sem essa rede de cidades que se recusam a aceitar a lógica autoritária. Na Grã-Bretanha, Andy Burnham, novo primeiro-ministro, chegou ao cargo depois de administrar Manchester por dez anos — uma possível admissão de que a solução seria o "jeca" competente que a elite londrina costuma ridicularizar.
O poder de um prefeito é limitado. Mas o impacto da competência elementar é assustador para o tiranete nacionalista. Mamdani bateu recorde de buracos de rua tapados em nove meses de governo. Estender serviços de esgoto, consertar ruas, manter o metrô funcionando — nada disso requer cartilha socialista ou fascista. Pergunte ao nova-iorquino que mal se mantém acordado de pé no metrô às 6 da manhã se ele está pensando em barrar atletas trans nos esportes. Ou melhor, não pergunte, se não quiser ouvir um palavrão. Enquanto os nacionalistas autoritários disputam guerras culturais abstratas, as cidades competentes resolvem o que importa: água, luz, rua sem buraco, transporte que funciona. E isso, aparentemente, é revolucionário.
Citações Notáveis
Estender serviços de esgoto não requer cartilha socialista ou fascista— Análise do texto sobre o que realmente importa na governança urbana