Em outubro de 2022, o Governo português preparou uma manobra decisiva para assumir o controlo total da TAP SGPS, a holding da companhia aérea nacional. Através de uma injeção de capital que eleva a participação estatal de 15 para 239 milhões de euros, o Estado elimina os restantes acionistas — o empresário Humberto Pedrosa e os próprios trabalhadores da TAP — sem qualquer compensação. O propósito é antigo na história das privatizações: quem governa quer negociar sem testemunhas à mesa.
Governo toma controlo total da TAP com injeção de 239 milhões de euros
Pedrosa e trabalhadores perdem participação sem receber compensação
Porque é que o Governo precisa de ter 100% da TAP para a vender? Não conseguia vender com os outros acionistas?
Tecnicamente conseguia, mas teria de negociar com eles. Com 22,5% na mão de Pedrosa e 5% dos trabalhadores, qualquer venda teria de ser acordada com essas partes. O Governo quer liberdade total para escolher o comprador e as condições.
Mas isto significa que Pedrosa e os trabalhadores perdem tudo sem receber nada em troca. Como é que isto é legal?
É legal porque eles são acionistas minoritários. A lei permite que uma maioria acionista dilua ou elimine minoritários através de operações de capital. Mas tens razão — é uma perda real para eles.
Quanto é que Pedrosa e os trabalhadores estão a perder em termos de valor?
Aí está o problema. O documento não diz qual é o valor real das ações. A TAP SGPS teve prejuízos de 1.546 milhões em 2020. Pode ser que as ações não valham nada, ou pode ser que valham muito. Não sabemos.
E há outra coisa — os trabalhadores têm 5% mas não têm voz nisto. Não há menção a negociações com sindicatos ou representantes dos trabalhadores.
Quando é que isto fica decidido?
A 11 de novembro, em assembleia geral. Se passar, o Governo fica com 100% e pode começar a procurar comprador.
E se não passar? Há alguma chance de isto ser bloqueado?
Teoricamente sim, mas o Estado já tem 72,5%. Precisa de mais votos, mas tem a maioria. É difícil imaginar que isto não passe.
Le Pouls
- O Estado prepara-se para engolir os 22,5% de Humberto Pedrosa e os 5% dos trabalhadores da TAP sem pagar um cêntimo de indemnização.
- A operação técnica — conversão de prestações acessórias seguida de redução e novo aumento de capital — é desenhada para reforçar o controlo estatal sem desembolso imediato de dinheiro novo.
- A assembleia geral de 11 de novembro é o momento em que a manobra se torna irreversível, deixando o Executivo com 99% do capital e a Parpública com 1%.
- Com 100% da holding nas mãos do Estado, o Governo ganha liberdade total para negociar a venda da TAP sem ter de consultar ou ceder a acionistas minoritários.
- Os trabalhadores da companhia, que detinham 5% do capital como símbolo de participação na empresa, perdem essa posição sem retorno — um custo humano silencioso numa operação apresentada como técnica.
Em outubro de 2022, o Governo português preparou uma manobra decisiva para assumir o controlo total da TAP SGPS, a holding da companhia aérea nacional. Através de uma injeção de capital que eleva a participação estatal de 15 para 239 milhões de euros, o Estado elimina os restantes acionistas — o empresário Humberto Pedrosa e os próprios trabalhadores da TAP — sem qualquer compensação. O propósito é antigo na história das privatizações: quem governa quer negociar sem testemunhas à mesa.
O Governo português decidiu assumir o controlo absoluto da TAP SGPS, a holding que estrutura a companhia aérea nacional, num movimento que prepara o terreno para a sua eventual venda. A operação envolve uma injeção de capital que eleva a participação estatal de 15 milhões para 239 milhões de euros, dando ao Estado 100% da estrutura acionista e eliminando a necessidade de negociar com outros donos.
A manobra é tecnicamente sofisticada: o Estado começa por converter prestações acessórias que já detinha, reforçando a sua posição sem desembolsar dinheiro novo nesta fase. Segue-se uma redução do capital social no mesmo montante, destinada a cobrir prejuízos acumulados, condicionada a um novo aumento de 10 milhões de euros subscrito pela Direção-Geral do Tesouro e pela Parpública. No final, o Estado ficará com 99% e a Parpública com 1%.
A operação tem um custo humano concreto: o empresário Humberto Pedrosa, dono da Barraqueiro, perde os seus 22,5% do capital, e os trabalhadores da TAP perdem os seus 5% — ambos sem receber qualquer compensação pela saída. A TAP SGPS, recorde-se, acumulou um prejuízo de 1.546,9 milhões de euros em 2020 e detém ainda participações em subsidiárias como a Portugália, a Groundforce e a TAPGER.
A votação decisiva está marcada para a assembleia geral de 11 de novembro. O objetivo é claro: com a holding inteiramente nas mãos do Estado, o Executivo pode avançar com a venda da companhia aérea sem ter de se sentar à mesa com Pedrosa ou com representantes dos trabalhadores.
O Governo português está a preparar um movimento que lhe dará controlo absoluto sobre a TAP, a companhia aérea nacional. A operação passa por uma injeção de capital do Estado na TAP SGPS, a holding que estrutura a empresa, aumentando a participação estatal de 15 milhões de euros para 239 milhões de euros. Com isto, o Executivo fica com 100% da estrutura acionista e ganha liberdade total para negociar a venda da companhia sem ter de consultar ou negociar com outros donos.
A operação é complexa e será votada em assembleia geral a 11 de novembro. O Estado vai aumentar o capital através da conversão de prestações acessórias que já detinha, uma manobra técnica que permite ao Governo reforçar a sua posição sem desembolsar dinheiro novo nesta primeira fase. Depois, os acionistas vão deliberar sobre uma redução do capital social no mesmo montante de 239 milhões de euros, destinada a cobrir prejuízos acumulados da sociedade. Esta redução fica condicionada a um novo aumento de capital de 10 milhões de euros, que será subscrito pelo Estado através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, com 9,9 milhões de euros, e pela Parpública, com cem mil euros. No final desta operação, o Estado terá 99% do capital e a Parpública 1%.
A atual estrutura acionista da TAP SGPS é mais complexa. O Estado detém 72,5% do capital, sendo 22,5% diretamente através da República Portuguesa e 50% através da Parpública. O empresário Humberto Pedrosa, dono da Barraqueiro, tem 22,5% do capital. Os trabalhadores da TAP têm 5%. Com a operação que o Governo está a preparar, tanto Pedrosa como os trabalhadores deixam de ter qualquer participação na holding. Nenhum deles receberá compensação pela saída.
A TAP SGPS apresentou um prejuízo de 1.546,9 milhões de euros em 2020. A empresa deixou de ter qualquer participação na estrutura da TAP SA em dezembro de 2021, depois de um aumento de capital do Estado nessa altura. Atualmente, a TAP SGPS detém participações em várias subsidiárias: a TAP Manutenção e Engenharia Brasil, que já foi vendida; 100% da Portugália, que vai passar para o universo TAP SA; 43,5% da Groundforce; e 100% da TAPGER, que por sua vez detém 51% da Cateringpor e 100% da UCS, que presta serviços de saúde aos trabalhadores da TAP.
O objetivo declarado desta operação é claro: ao consolidar 100% da holding nas mãos do Estado, o Governo elimina a necessidade de negociar com acionistas minoritários. Isto significa que o Executivo pode avançar com a venda da companhia aérea sem ter de se sentar à mesa com Pedrosa ou com representantes dos trabalhadores. A votação de 11 de novembro é o passo final que falta para que isto aconteça.
Citations marquantes
O Governo fica com liberdade total para negociar a venda da companhia sem ter de se sentar à mesa com outros acionistas— Estrutura da operação conforme descrita na convocatória da assembleia