Ele é quem mais toma juros caros no país
Em um país onde a informalidade define o ritmo de vida de milhões, o governo brasileiro prepara uma nova fase do Desenrola Brasil voltada não apenas para quem já afundou nas dívidas, mas para quem ainda nada — exausto — contra a correnteza dos juros altos. Previsto para junho, o programa reconhece que a adimplência, por si só, não protege o trabalhador informal do peso estrutural do crédito caro. É uma tentativa de recompensar a disciplina financeira num momento em que manter as contas em dia já é, por si só, um ato de resistência.
- Trabalhadores informais, sem renda fixa e à mercê de juros elevados, seguem pagando suas dívidas mas sem qualquer alívio ou reconhecimento do sistema financeiro.
- O lançamento do Desenrola reformulado pelo presidente Lula em 4 de maio acendeu o debate: por que apenas os inadimplentes recebem atenção, enquanto quem paga em dia continua sufocado?
- O ministro Dario Durigan rebateu críticas de que o programa incentiva o não pagamento, defendendo que recompensar o bom pagador é uma questão de justiça — não de permissividade.
- Estudantes adimplentes do Fies também entram na mira da nova fase, ampliando o alcance do programa para além das dívidas de consumo.
- O governo mira junho para anunciar a linha de crédito específica para informais, posicionando o Desenrola como uma política pontual de recuperação pós-pandemia, não como solução permanente.
O governo federal prepara uma nova fase do Desenrola Brasil com um giro de perspectiva: o foco agora recai sobre quem está em dia com suas obrigações, mas sufocado pelas altas taxas de juros. O anúncio deve ocorrer até o início de junho, e o público prioritário são os trabalhadores informais — aqueles cuja renda oscila mês a mês, sem a segurança de um contracheque fixo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou em entrevista ao Canal Gov que esse grupo enfrenta um problema estrutural: sem renda previsível, são justamente os que mais pagam caro pelo crédito no Brasil. A iniciativa vem na esteira do relançamento do Desenrola pelo presidente Lula em 4 de maio, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos que desejam renegociar dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal.
A próxima etapa também contemplará estudantes adimplentes do Fies, sinalizando que o programa quer premiar quem cumpre com suas obrigações. Durigan foi enfático ao rebater a crítica de que o Desenrola estimula a inadimplência: para ele, é precisamente o contrário — o objetivo é fomentar o pagamento e dar esperança a quem já carrega o peso de juros altos sem jamais ter deixado de honrar seus compromissos.
O ministro atribuiu o endividamento das famílias ao legado da pandemia e das políticas do governo anterior, caracterizando o Desenrola como uma ação pontual de recuperação — não uma política permanente. A intenção é abrir uma janela de renegociação e, em seguida, de quitação, reconhecendo que manter as contas em dia, no Brasil de hoje, já é uma conquista que merece ser incentivada.
O governo está preparando uma extensão do programa Desenrola Brasil que muda o foco: em vez de ajudar apenas quem não consegue pagar, agora quer oferecer alívio também para pessoas que estão em dia com suas contas mas sufocadas pelas taxas de juros do mercado. O anúncio da nova linha de crédito deve chegar até o início de junho, e o alvo principal são os trabalhadores informais — aqueles cuja renda varia mês a mês, sem a segurança de um salário fixo.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov na quarta-feira (6 de maio), esse segmento da população enfrenta um problema estrutural. O trabalhador informal não tem renda previsível; precisa ganhar seu sustento dia a dia, de forma incerta e irregular. E é justamente esse grupo que mais sofre com as altas taxas de juros cobradas no país. Durigan ressaltou que o governo tem um olhar atento para essa realidade.
A iniciativa vem logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançar, na segunda-feira anterior (4 de maio), a versão reformulada do Desenrola Brasil. O programa é direcionado para pessoas que ganham até cinco salários mínimos — atualmente R$ 8.105 — e permite renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. É uma reformulação de uma política anterior, com o objetivo de aliviar o peso das dívidas de alto custo no orçamento das famílias.
A próxima fase também incluirá estudantes. Aqueles que estão em dia com suas parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) também devem receber algum tipo de incentivo, conforme indicou o ministro. A ideia é que os adimplentes — justamente quem cumpre com suas obrigações — também tenham acesso a alguma forma de estímulo.
Durigan foi direto ao negar uma crítica comum: que o Desenrola estimula o não pagamento de dívidas. Para ele, é justo que quem paga em dia receba algum benefício. O ministro atribuiu o alto endividamento das famílias ao que chamou de "período duro" — a pandemia e as políticas do governo anterior, que deixaram desemprego elevado, renda das famílias estagnada e salário mínimo sem reajustes.
O ministro foi claro sobre o propósito do programa: "O que nós estamos querendo fomentar aqui é a adimplência, é o pagamento das contas." Durigan enfatizou que o Desenrola não é uma política permanente, mas uma ação pontual para aproveitar o momento pós-pandemia e pós-governos que ele considera desastrosos. A intenção é dar esperança às pessoas, permitir que renegociem suas dívidas e, em seguida, as paguem. Por isso, o governo quer incentivar o bom pagador — seja o estudante do Fies que está em dia, seja quem tem uma taxa de juros alta mas segue cumprindo suas obrigações.
Notable Quotes
Ele não tem uma renda fixa por mês, ele não tem um salário recorrente, ele tem que ir lá ganhar o seu dia a dia de maneira muito pontual, de maneira muito errática. E ele é quem mais toma juros caros no país.— Dario Durigan, ministro da Fazenda
O que nós estamos querendo fomentar aqui é a adimplência, é o pagamento das contas.— Dario Durigan, ministro da Fazenda
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o governo decidiu criar uma linha específica para quem já está pagando em dia? Parece contraditório.
Não é. O problema é que estar adimplente não significa estar bem. Você pode estar pagando suas contas, mas pagando juros tão altos que fica impossível respirar financeiramente. O trabalhador informal, especialmente, vive nessa situação — renda irregular, mas tentando honrar os compromissos.
E por que o foco em trabalhadores informais agora?
Porque eles são os mais vulneráveis. Sem renda fixa, sem salário previsível, eles acabam tomando crédito mais caro. O governo reconhece que esse grupo precisa de uma porta de saída diferente.
O ministro negou que o programa estimule inadimplência. Você acredita nisso?
A lógica dele faz sentido: se você quer incentivar adimplência, você recompensa quem paga. Mas há uma tensão real — ao oferecer alívio para quem está em dia, você pode estar mandando um sinal confuso para quem está inadimplente.
Quando exatamente isso vai sair do papel?
Junho é o prazo que o ministro deu. Mas a história do Desenrola mostra que esses programas levam tempo para sair do anúncio para a prática real.
E os estudantes do Fies? Por que incluir eles?
Porque muitos estão em dia com as parcelas, mas as taxas de juros os sufocam. É a mesma lógica: reconhecer que estar em dia não é suficiente se a dívida é insustentável.