Governo lança Desenrola 3 com Tesouro comprando dívidas com deságios até 90%

73,71 milhões de brasileiros permanecem inadimplentes, com dívidas comprometendo 28,9% da renda média das famílias.
Limpar R$ 150 bilhões para as famílias recomeçarem
O ministro Bruno Moretti resumiu a meta do Desenrola 3: adquirir metade do estoque de dívidas bancárias vencidas do país.
Mark

Por que o Tesouro Nacional começou a comprar essas dívidas diretamente? Não era mais simples deixar que os bancos negociassem com os devedores?

Mimi

Porque as dívidas que o governo quer comprar já foram baixadas como prejuízo pelos bancos. Eles não têm mais interesse em recuperá-las. Ao comprar essas carteiras, o Tesouro consegue oferecer ao devedor uma dívida menor e com juros subsidiados, o que não aconteceria em uma negociação tradicional.

Luke

Mas há um risco aqui: o governo está gastando R$ 15 bilhões para limpar R$ 150 bilhões em dívidas. Isso significa que está pagando 10% do valor nominal. A pergunta é: essas dívidas realmente valem isso? Ou o governo está comprando algo que nunca seria recuperado mesmo?

Mark

E quanto aos devedores que já participaram dos programas anteriores e voltaram a se endividar? Eles podem entrar no Desenrola 3?

Mimi

O programa foca em dívidas de dois a quatro anos e meio, priorizando quem ficou de fora dos programas emergenciais anteriores. Mas a verdade é que muita gente que foi beneficiada antes voltou a se endividar por causa dos juros altos e das apostas online.

Luke

Exatamente. O Desenrola 1.0 limpou R$ 53 bilhões, mas 9 milhões de novos inadimplentes entraram no sistema depois. Isso sugere que o programa trata o sintoma, não a doença. A proibição das bets pode ajudar, mas não resolve o problema dos juros.

Mark

Como o governo vai garantir que as pessoas que saem do cadastro de negativados não voltem a se endividar?

Mimi

O programa oferece parcelas ajustadas à renda mensal e juros subsidiados. Além disso, há uma integração especial para quem se endividou por apostas online, com suporte específico. A ideia é que, sem as bets drenando a renda e com dívidas menores, as famílias consigam se reorganizar.

Luke

Mas isso depende de fatores que o governo não controla totalmente. Se os juros básicos continuarem altos, se o desemprego aumentar, ou se surgirem novas formas de endividamento, o efeito rebote pode se repetir. O programa é um alívio, não uma solução estrutural.

  • 73,71 milhões de brasileiros permanecem inadimplentes, com quase 29% da renda familiar comprometida com dívidas — um estado de emergência silencioso que os programas anteriores não conseguiram reverter.
  • O Desenrola 3 rompe com a lógica dos programas anteriores: em vez de mediar acordos, o Tesouro Nacional entra como comprador direto de dívidas que bancos já haviam enterrado como prejuízo, pagando centavos por cada real devido.
  • O governo projeta gastar R$ 15 bilhões para absorver R$ 150 bilhões em inadimplência, apostando nos descontos extremos do mercado secundário de crédito — uma operação de arbitragem financeira a serviço do alívio social.
  • O anúncio foi feito no mesmo dia em que as apostas online foram proibidas no país, revelando uma estratégia de duas pontas: fechar a torneira que drena a renda das famílias e abrir uma saída para quem já afundou nas dívidas das bets.
  • Os resultados dos programas anteriores — mais de R$ 75 bilhões renegociados — foram neutralizados pela alta dos juros e pela explosão das apostas, provando que o ciclo do endividamento exige mais do que perdão de dívidas para ser quebrado.

Em um país onde mais de 73 milhões de pessoas carregam o peso da inadimplência, o governo Lula anunciou o Desenrola 3 — uma intervenção inédita em que o próprio Tesouro Nacional passa a comprar diretamente carteiras de dívidas esquecidas por bancos e varejistas, adquirindo-as com deságios de até 90% para oferecer ao devedor uma segunda chance com juros subsidiados. O programa, que mira R$ 150 bilhões em dívidas com um investimento de R$ 15 bilhões, revela tanto a escala do sofrimento financeiro das famílias brasileiras quanto a consciência de que renegociar dívidas, sem atacar as causas do endividamento, é tarefa de Sísifo.

Na sexta-feira 25 de setembro, o presidente Lula anunciou o Desenrola 3, um programa que representa uma virada na abordagem do governo federal ao endividamento das famílias. Desta vez, o Tesouro Nacional não apenas facilita acordos — ele compra diretamente as carteiras de inadimplência que bancos e varejistas já haviam baixado como prejuízo. Como esses credores consideram os valores perdidos, aceitam vendê-los por uma fração do original, com deságios que chegam a 90%.

Ao absorver a dívida, o governo retira o consumidor imediatamente dos cadastros de inadimplência e passa a cobrar um valor menor, com juros subsidiados e parcelas ajustadas à renda. O foco são dívidas acumuladas entre dois e quatro anos e meio, priorizando famílias de baixa renda com restrições de crédito ativas há mais de um ano. A meta é limpar R$ 150 bilhões em inadimplência com um investimento de R$ 15 bilhões — cálculo viável porque bancos vendem esses créditos com descontos de até 95% no mercado.

O programa inclui ainda suporte especial para quem se endividou por vício em apostas online. O anúncio não foi por acaso: no mesmo dia, o governo proibiu o funcionamento das plataformas de bets no país — uma estratégia simultânea de cortar o canal que drena a renda das famílias e oferecer saída emergencial para quem já perdeu o controle das finanças.

As edições anteriores do Desenrola movimentaram cifras expressivas: o 1.0 renegociou R$ 53,2 bilhões para mais de 15 milhões de pessoas; o 2.0 reduziu o endividamento em R$ 22,4 bilhões, com desconto médio de 80%. Mesmo assim, o alívio não durou. A alta dos juros e a explosão das apostas online neutralizaram os avanços, e 9 milhões de novos inadimplentes entraram no sistema após o primeiro programa. Hoje, as dívidas comprometem 28,9% da renda média das famílias, e 73,71 milhões de brasileiros ainda carregam restrições de crédito — evidência de que renegociar dívidas, sem frear os mecanismos que as alimentam, resolve apenas metade do problema.

Na sexta-feira 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo programa de renegociação de dívidas batizado informalmente como Desenrola 3, que marca uma mudança significativa na forma como o governo federal enfrenta o endividamento das famílias brasileiras. Desta vez, em vez de apenas intermediar acordos entre devedores e credores, o Tesouro Nacional comprará diretamente as carteiras de inadimplência que as instituições financeiras e empresas de varejo já haviam baixado como prejuízo. Como esses credores já consideravam esses valores perdidos, aceitam vendê-los ao governo por uma fração do valor original — deságios que chegam a 90%.

O programa concentra-se em dívidas acumuladas entre dois e quatro anos e meio, priorizando famílias de baixa renda com restrições de crédito ativas há mais de um ano. Quando o Tesouro absorve a dívida, o consumidor sai imediatamente dos cadastros de inadimplência e passa a dever uma quantia menor ao governo, com juros subsidiados e parcelas ajustadas à sua renda mensal. O ministro Bruno Moretti, da Pasta de Planejamento, explicou que o governo quer adquirir metade de todo o estoque de dívidas bancárias vencidas no país, que totaliza R$ 300 bilhões. A meta é limpar R$ 150 bilhões para que as famílias possam recomeçar.

A equipe econômica projeta gastar R$ 15 bilhões para comprar essas carteiras de inadimplência. O cálculo se baseia no fato de que bancos vendem esses créditos com descontos de até 95% no mercado. O programa inclui também uma integração especial para pessoas que se endividaram por vício em apostas online, oferecendo suporte para quem perdeu o controle das finanças nas plataformas de bets. O anúncio do Desenrola 3 foi feito no mesmo dia em que o governo proibiu o funcionamento das apostas online no país — uma estratégia de duas pontas: cortar na raiz o canal que drenava a renda das famílias e, simultaneamente, abrir uma porta de saída emergencial para quem comprometeu seu patrimônio.

Os programas anteriores já haviam movimentado cifras expressivas. O Desenrola 1.0, lançado em 2023, alcançou mais de 15 milhões de pessoas e renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas, com descontos médios elevados e exclusão imediata dos cadastros de negativados para quem tinha pendências de até R$ 100. O Desenrola 2.0, realizado entre maio e agosto de 2026, reduziu o endividamento das famílias em cerca de R$ 22,4 bilhões, renegociando ou liquidando aproximadamente 10 milhões de débitos por meio de 5,54 milhões de operações de crédito, com desconto médio de 80%. Apesar do corte somado de mais de R$ 75 bilhões em dívidas nas duas edições anteriores, o alívio não foi duradouro.

O endividamento dos brasileiros permanece em patamares críticos. Dados do Banco Central mostram que as dívidas com o Sistema Financeiro Nacional comprometem 28,9% da renda média acumulada das famílias. O avanço dos juros básicos e a explosão de gastos com plataformas de apostas online neutralizaram o alívio gerado pelos programas anteriores, mantendo o contingente total de inadimplentes em 73,71 milhões de brasileiros. A entrada de 9 milhões de novos inadimplentes nos anos seguintes ao Desenrola 1.0 demonstra que o desafio vai além de renegociar dívidas existentes — exige também frear os mecanismos que alimentam continuamente o endividamento das famílias.

Queremos limpar R$ 150 bilhões para as famílias recomeçarem
— Ministro Bruno Moretti (Planejamento)
A partir de cinco anos, essas dívidas prescrevem
— Ministro Bruno Moretti (Planejamento)
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