Num país onde o acesso ao ensino superior ainda é privilégio de poucos, o governo brasileiro considera reunir em uma única prova — o Enem — as funções de avaliar, certificar e selecionar estudantes ao fim da educação básica. O ministro Camilo Santana anunciou que o Inep deve estudar a substituição do Saeb pelo Enem para alunos do terceiro ano do ensino médio, com prazo definido antes das inscrições de 2025. A proposta nasce da constatação de que jovens concentram seus esforços onde enxergam futuro — e o desafio do Estado é alinhar seus instrumentos a essa realidade.
Governo estuda usar Enem no lugar do Saeb para avaliar 3º ano do ensino médio
O aluno prioriza o Enem em detrimento do Saeb
Por que o governo quer fazer essa mudança agora? O Saeb não funciona?
O Saeb funciona, mas há um problema real: alunos do terceiro ano priorizam o Enem porque é ele que abre porta para universidade. Muitos não fazem o Saeb com seriedade ou simplesmente não comparecem.
Mas espera — o Saeb é aplicado a cada dois anos em amostra. Quantos alunos do terceiro ano realmente fazem o Saeb? Não está claro no material.
Ótima pergunta. O ponto é que o governo quer usar uma prova que os alunos já fazem de verdade, com motivação real, em vez de duas provas separadas.
E quanto à certificação? Por que trazer isso de volta?
O Enem certificava até 2017. Agora o Encceja faz isso. A ideia é que o Enem tem mais locais de aplicação, então mais gente conseguiria certificado e entrada na universidade ao mesmo tempo.
Mas o Encceja continua existindo. Qual é a vantagem real de ter duas provas certificando a mesma coisa?
Acessibilidade, teoricamente. Mais locais, mais oportunidades. Mas você está certo em questionar — não há dados aqui sobre quantas pessoas usam o Encceja hoje ou quantas usariam o Enem se pudessem.
Qual é o prazo para decidir?
O Inep tem até antes das inscrições do Enem em 2025. Então estamos falando de alguns meses.
E se a recomendação for contra? O ministro já sinalizou que quer isso, então há espaço real para o Inep dizer não?
Formalmente sim. Mas politicamente, quando um ministro anuncia uma ideia assim, geralmente há pressão para que funcione.
A abstenção caiu. Isso não é bom?
Caiu para 30,6%, que ainda é muito alto. E não sabemos se essa queda tem a ver com a mudança de política ou com outros fatores. O material não explica.
El Pulso
- Alunos do terceiro ano ignoram o Saeb porque o Enem já ocupa todo o seu horizonte de esforço e expectativa.
- A abstenção no segundo dia do Enem foi de 30,6% — o menor índice em dois anos, mas ainda um sinal de alerta que o ministério não pode ignorar.
- O governo quer que o Enem assuma simultaneamente três papéis: avaliar o desempenho no fim do ensino básico, certificar a conclusão do ensino médio e selecionar candidatos ao ensino superior.
- O Inep tem prazo até antes das inscrições de 2025 para apresentar a viabilidade da mudança, tornando a decisão iminente e politicamente sensível.
- Se aprovada, a reforma representaria a maior reconfiguração do sistema de avaliação educacional brasileiro desde a reformulação do Enem em 2009.
Num país onde o acesso ao ensino superior ainda é privilégio de poucos, o governo brasileiro considera reunir em uma única prova — o Enem — as funções de avaliar, certificar e selecionar estudantes ao fim da educação básica. O ministro Camilo Santana anunciou que o Inep deve estudar a substituição do Saeb pelo Enem para alunos do terceiro ano do ensino médio, com prazo definido antes das inscrições de 2025. A proposta nasce da constatação de que jovens concentram seus esforços onde enxergam futuro — e o desafio do Estado é alinhar seus instrumentos a essa realidade.
O ministro da Educação Camilo Santana anunciou no domingo que o governo avalia substituir o Saeb pelo Enem como instrumento de avaliação dos alunos do terceiro ano do ensino médio. A proposta surgiu durante o balanço do segundo dia de aplicação do exame e responde a um problema concreto: estudantes concluintes tendem a negligenciar o Saeb porque concentram sua energia no Enem, que abre as portas das universidades federais.
A lógica da mudança é dupla — aumentar a eficiência das avaliações e reduzir a abstenção entre os concluintes. O Inep ficaria responsável por estudar a viabilidade e apresentar recomendações antes da abertura das inscrições do Enem em 2025. O Saeb existe desde 1998 e alimenta o cálculo do Ideb; o Enem, criado no mesmo ano e reformulado em 2009, tornou-se a principal via de acesso ao ensino superior no país.
A proposta vai além da avaliação: Santana quer que o Enem volte a certificar a conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos, função que exerceu até 2017 e foi então transferida ao Encceja. O argumento é que o Enem possui mais locais de aplicação, ampliando o acesso. O Encceja seria mantido para quem ainda está cursando, mas jovens e adultos poderiam usar o Enem tanto para certificar quanto para ingressar na universidade.
Os números reforçam a urgência: a abstenção de 30,6% no segundo dia foi a menor em dois anos, mas ainda representa um desafio significativo. Manuel Palácios, presidente do Inep, reconheceu a complexidade da demanda e reafirmou o compromisso de discutir o fortalecimento do Enem. Se aprovada, a mudança consolidaria em uma única prova funções hoje dispersas — uma aposta de que simplificar o sistema pode aumentar tanto a eficiência quanto o engajamento dos estudantes.
O ministro da Educação Camilo Santana anunciou neste domingo que o governo estuda uma mudança significativa na forma como avalia o desempenho de alunos no último ano do ensino médio: usar o Enem no lugar do Saeb. A proposta surgiu durante a apresentação do balanço do segundo dia de aplicação do Enem, e reflete uma preocupação que vem crescendo nas políticas educacionais: alunos do terceiro ano frequentemente negligenciam a prova do Saeb porque concentram seus esforços no Enem, que funciona como porta de entrada para as universidades federais.
Segundo Santana, a ideia é que os resultados do Enem passem a servir simultaneamente como avaliação do desempenho dos estudantes no final da educação básica, eliminando a necessidade de uma prova separada. O Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais, o Inep, ficaria responsável por avaliar a viabilidade da mudança e estudar como implementá-la. O ministro estabeleceu um prazo: o Inep deve concluir suas recomendações antes da abertura das inscrições do Enem em 2025. A justificativa é dupla: aumentar a eficiência das avaliações do ensino básico brasileiro e reduzir a abstenção de alunos concluintes do ensino médio na prova.
O Saeb, Sistema de Avaliação da Educação Básica, existe desde 1998 e funciona como um conjunto de avaliações aplicadas a cada dois anos na rede pública e em uma amostra da rede privada. Seus resultados alimentam o cálculo do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que mede a qualidade da educação no país. O Enem, também criado em 1998, começou como instrumento para avaliar o conhecimento de alunos ao final do ensino médio, mas foi reformulado em 2009 para servir também como seleção para universidades federais. Ao longo dos anos, consolidou-se como a principal porta de acesso ao ensino superior no Brasil.
A proposta de Santana inclui ainda outra dimensão: permitir que o Enem volte a certificar a conclusão do ensino médio para inscritos com mais de 18 anos. Essa função o exame exerceu até 2017, quando foi descontinuada. Hoje, a certificação é obtida pelo Encceja, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos. O ministro argumenta que o Enem possui mais locais de aplicação de prova, o que ampliaria o acesso. A ideia seria manter o Encceja para quem ainda está cursando o ensino médio, mas permitir que jovens e adultos maiores de 18 anos usem o Enem tanto para obter o certificado quanto para ingressar na universidade.
Os números recentes reforçam a urgência da discussão. No segundo dia de aplicação do Enem, a abstenção foi de 30,6%, o menor percentual registrado nos últimos dois anos. Ainda assim, representa um desafio considerável. Camilo Santana pediu dados detalhados especificamente sobre a abstenção de alunos do terceiro ano, indicando que reduzir esse índice é uma prioridade do Ministério da Educação. Manuel Palácios, presidente do Inep, descreveu a questão como uma demanda desafiante e reafirmou o compromisso em discutir o fortalecimento do Enem como instrumento tanto de certificação quanto de avaliação da rede de educação básica.
A convergência dessas iniciativas — usar o Enem para certificação, para avaliação do Saeb, e ampliar a participação de concluintes do ensino médio — reflete um esforço mais amplo do governo Lula para centralizar e fortalecer o Enem como instrumento de política educacional. A mudança, se aprovada, representaria uma simplificação do sistema de avaliação, mas também uma aposta de que consolidar as funções em uma única prova aumentaria tanto a eficiência quanto a adesão dos alunos.
Citas Notables
Às vezes, o aluno do terceiro ano do ensino médio prioriza o Enem em detrimento do Saeb. Estamos avaliando a prova do Enem já servir como a prova do Saeb.— Camilo Santana, ministro da Educação
É uma demanda desafiante, e queremos discutir o fortalecimento do Enem como instrumento de certificação de conclusão do Ensino Médio e de avaliação da rede de educação básica— Manuel Palácios, presidente do Inep