Governador defende decisão unânime de sede única do Banco de Portugal por 166 milhões

Uma poupança verdadeiramente significativa: 220 milhões em 20 anos
O Governador descreveu o impacto financeiro da nova solução para a sede do Banco de Portugal.

No coração de Lisboa, o Banco de Portugal redefine a sua futura morada: em vez de dois edifícios, apenas um — o A1, em Entrecampos — concentrará os 1.433 trabalhadores do banco central, numa decisão que o Governador Álvaro Santos Pereira defende como resposta lúcida às transformações do trabalho moderno e não como recuo. A escolha, aprovada por unanimidade, promete poupar 220 milhões de euros ao longo de duas décadas, enquanto levanta questões sobre transparência, responsabilidade e os limites da fiscalização pública sobre uma instituição europeia.

  • O projeto original de dois edifícios foi abandonado sem aviso prévio ao Parlamento, gerando acusações de falta de transparência e 'amadorismo' na apresentação dos números.
  • Deputados do PS e do CDS somaram os custos declarados — estrutura, acabamentos e eventual penalização contratual — e apontaram para um valor próximo dos 300 milhões de euros, contestando a narrativa de poupança.
  • O Governador rejeitou a hipótese de perda financeira, esclarecendo que a cifra de 57 milhões só seria acionada num cenário de rutura contratual que o banco não prevê.
  • A expansão do teletrabalho e a mobilidade dos colaboradores para cidades como Porto, Coimbra e Évora tornaram o segundo edifício supérfluo, com obras regionais orçamentadas em apenas 59 mil euros para acomodar 50 funcionários.
  • A tentativa de auditoria pela Inspeção-Geral de Finanças foi bloqueada por razões de direito europeu, com o BCE a confirmar que o Ministério das Finanças não tem competência para fiscalizar o banco central.

O Governador Álvaro Santos Pereira foi ao Parlamento explicar uma viragem: o Banco de Portugal desiste do plano de dois edifícios aprovado pela administração anterior e concentra a sua nova sede num único imóvel — o A1 — no complexo de Entrecampos, em Lisboa. A decisão foi unânime no Conselho de Administração e, segundo o Governador, reflete uma leitura honesta das necessidades atuais da instituição, moldadas pela expansão do teletrabalho e pela experiência de um ano em open space no edifício Álvaro Pais.

O edifício A1 custará cerca de 166 milhões de euros em estrutura base, com acabamentos estimados entre 52 e 62 milhões — valores inferiores aos do projeto anterior. Terá capacidade para todos os 1.433 trabalhadores lisboetas, cerca de 150 gabinetes individuais para chefias, e um auditório para 400 pessoas fisicamente separado do corpo principal. A segurança foi destacada como vantagem: ao contrário do plano anterior, não haverá partilha de espaços com terceiros. As poupanças projetadas ao longo de 20 anos somam 220 milhões de euros em custos operacionais.

A audição parlamentar foi tensa. O deputado socialista Carlos Pereira acusou o Governador de apresentar os números de forma confusa; o centrista Paulo Núncio calculou um custo total próximo dos 300 milhões ao somar estrutura, acabamentos e uma eventual penalização contratual de 57 milhões. Santos Pereira respondeu que essa penalização só existiria se o banco quebrasse o contrato — cenário que descartou.

Na frente imobiliária, o edifício da Almirante Reis, com riscos estruturais sérios, caminha para alienação. Um terreno no Alto dos Moinhos permanece bloqueado desde 2017 por questões de licenciamento. Sobre o histórico edifício do Rossio, o Governador disse ser cedo para decidir o seu destino. Quanto à tentativa de auditoria pela Inspeção-Geral de Finanças, o BCE confirmou que, por depender do Ministério das Finanças, a IGF não tem competência para fiscalizar o banco central ao abrigo dos Tratados europeus — deixando o Tribunal de Contas como única via de escrutínio externo disponível.

O Governador Álvaro Santos Pereira apresentou ao Parlamento uma reformulação significativa do projeto para a nova sede do Banco de Portugal, abandonando o plano de dois edifícios aprovado sob a administração anterior e optando por um único imóvel no complexo de Entrecampos. A mudança, assegurou, foi decidida por unanimidade no Conselho de Administração e responde a transformações nas necessidades operacionais da instituição desde que o projeto original foi concebido.

O edifício A1, que será a nova casa do banco central, custará aproximadamente 165,87 milhões de euros em estrutura base, com um investimento adicional estimado entre 52 e 62 milhões para acabamentos — cifra inferior aos 63 a 73 milhões previstos no projeto anterior. O Governador argumentou que a decisão não representa um retrocesso, mas uma adaptação inteligente às circunstâncias presentes. A experiência de um ano trabalhando em open space no edifício Álvaro Pais, a expansão do teletrabalho e a mobilidade crescente dos colaboradores para outras cidades tornaram desnecessária a ocupação de dois edifícios. O novo espaço terá capacidade para acomodar todos os 1.433 trabalhadores que atualmente exercem funções em Lisboa, incluindo cerca de 150 gabinetes individuais para direção e coordenadores.

A segurança foi apresentada como vantagem decisiva. Ao contrário do projeto anterior, que previa espaços comerciais e estacionamento partilhados com terceiros, o edifício A1 oferecerá "verticalidade total", sem qualquer partilha de áreas com outras entidades. Um auditório com capacidade para 400 pessoas — o dobro do originalmente planeado — ficará fisicamente separado do edifício principal, numa praça que o Banco de Portugal espera que a Câmara Municipal de Lisboa batize com um nome próprio. Os serviços de tesouraria e o museu permanecerão na sede histórica.

O impacto financeiro a longo prazo é substancial. O Governador revelou que a nova solução gerará poupanças entre 35 e 40 milhões de euros em comparação com o acordo inicial com a Fidelidade. Mais significativo ainda: ao longo de 20 anos, as economias anuais de 11 milhões em custos operacionais totalizarão 220 milhões de euros. Um inquérito interno identificou 160 colaboradores interessados em trabalhar fora de Lisboa — em cidades como Coimbra, Porto, Castelo Branco, Évora, Braga e Faro — dos quais cerca de 50 manifestam essa vontade de forma mais concreta. As obras necessárias para acomodar estes 50 funcionários na rede regional foram orçamentadas em apenas 59 mil euros.

A audição parlamentar foi marcada por confrontos acesos. O deputado socialista Carlos Pereira acusou o Governador de "amadorismo" na apresentação de números e questionou se os custos com a manutenção da tesouraria e investimentos regionais foram adequadamente contabilizados. O deputado do CDS Paulo Núncio somou os valores apresentados — 165 milhões de core and shell, até 62 milhões de fit-out e os eventuais 57 milhões de perda de sinal — para estimar um custo total próximo dos 300 milhões. O Governador respondeu peremptoriamente que não há perda de sinal, esclarecendo que essa cifra só seria relevante num "cenário limite" se o Banco de Portugal decidisse quebrar o contrato.

O Governador também abordou a questão dos imóveis excedentários. O edifício na Almirante Reis, que albergou equipas transferidas para Álvaro Pais, começou como solução provisória nos anos 80 e apresenta hoje "sérios riscos estruturais". O processo de desativação está em curso para posterior alienação. Um terreno no Alto dos Moinhos, embora com dimensão adequada, permanece bloqueado há anos por questões de licenciamento — o processo iniciado em 2017 continua por concluir. Sobre o edifício histórico do Rossio, o Governador disse ser cedo para uma decisão sobre o seu destino, mencionando apenas que as rendas foram atualizadas.

Quando questionado sobre um pedido de auditoria da Inspeção-Geral de Finanças, o Governador esclareceu que consultou o Banco Central Europeu, que respondeu que a IGF, por depender do Ministério das Finanças, não tem competência para auditar o banco central sob os Tratados da União Europeia e as regras do Eurossistema. O Banco de Portugal manifestou-se disponível para prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas, caso necessário. Os três edifícios do complexo — A1, A2 e A3 — já se encontram em construção, atualmente ao nível do primeiro e segundo pisos, segundo verificou o Governador em visita recente ao local.

Acreditamos que existe outra solução dentro do complexo de Entrecampos mais adequado às necessidades futuras do Banco de Portugal
— Álvaro Santos Pereira, Governador do Banco de Portugal
Um banco central não pode manter imóveis que não sejam necessários para a sua atividade e, por isso, iremos aliená-los assim que seja possível
— Álvaro Santos Pereira, Governador do Banco de Portugal
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que razão o Conselho de Administração mudou de ideias tão radicalmente? Não era o projeto anterior aprovado por unanimidade também?

Model

Sim, mas as circunstâncias mudaram fundamentalmente. Um ano de trabalho em open space mostrou que não precisávamos de dois edifícios. O teletrabalho expandiu-se, as pessoas começaram a querer trabalhar noutras cidades. Não era uma reversão — era uma evolução.

Inventor

Mas há deputados que dizem que isto custará 300 milhões de euros, não 166. Como é que se explica essa diferença?

Model

Porque estão a somar coisas que não são custos reais. O core and shell é 165 milhões. O fit-out é entre 52 e 62 milhões. Os 57 milhões de "perda de sinal" só existem se o banco decidir quebrar o contrato — e não vai quebrar. O Governador foi muito claro sobre isso.

Inventor

E quanto à segurança? Porque é que um auditório separado é mais seguro?

Model

Porque no projeto anterior havia espaços comerciais e estacionamento partilhados com terceiros. Agora o edifício é só do banco — verticalidade total. Ninguém entra ali que não trabalhe lá. É mais simples, mais controlável.

Inventor

Há 160 pessoas que querem sair de Lisboa. Isso não enfraquece a sede?

Model

Pelo contrário. Mostra que o banco está a descentralizar-se, a regressar ao território. Cinquenta delas vão para Coimbra, Porto, Castelo Branco, Faro. O investimento para as acomodar é mínimo — 59 mil euros. É uma estratégia, não uma fuga.

Inventor

E aquele edifício na Almirante Reis que tem "riscos estruturais"? Quanto tempo esteve lá gente a trabalhar?

Model

Décadas. Começou como solução provisória nos anos 80. Ninguém o reparou porque era provisório. Agora que têm um sítio melhor, vão desativá-lo e vendê-lo. É o que qualquer organização faria.

Inventor

O Mário Centeno defendeu o projeto anterior. Sente-se uma tensão ali?

Model

Há sempre tensão quando se muda de direção. Mas o Conselho de Administração é praticamente o mesmo. Não é uma ruptura pessoal — é uma adaptação técnica. O próprio Centeno esclareceu detalhes sobre o auditório na audição seguinte.

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