No Distrito Federal, dois candidatos ao governo chegam ao segundo turno carregando pesos políticos muito diferentes. Celina Leão, com quase metade dos votos válidos e uma Câmara Legislativa majoritariamente alinhada ao seu campo, encontra o terreno já preparado para governar. Leandro Grass, por sua vez, enfrentaria uma aritmética legislativa hostil que transformaria cada decisão em negociação. O resultado de 25 de outubro não definirá apenas um nome, mas o grau de esforço que o Distrito Federal exigirá de quem o governe.
Governabilidade no DF: Celina tem base favorável; Grass enfrentará dificuldades na CLDF
Grass teria de buscar apoio fora de seu campo político desde o primeiro dia
Como assim Celina tem uma base favorável? Ela não precisa de nada mais?
Ela tem dezessete dos vinte e quatro deputados distritais alinhados à direita ou centro-direita. Isso é uma maioria confortável para começar. Mas confortável não é garantia — ela já tem desgaste com alguns desses parlamentares por causa de temas como a crise do BRB.
Espera aí. Dezessete é maioria, mas é uma maioria que pode não estar toda unida. Quantos desses deputados realmente votam junto com ela em temas difíceis?
Boa pergunta. A reportagem não detalha isso. Sabemos que ela tem o PL com cinco, a Federação União Progressista com quatro, Republicanos e MDB com três cada, e Podemos com um. Mas a lealdade de cada bloco em votações específicas não está mapeada aqui.
E Grass? Ele realmente está tão mal assim?
Ele tem cinco deputados da sua coligação. Cinco de vinte e quatro. Isso o força a negociar fora de seu campo político desde o primeiro dia — até para montar o secretariado.
Mas isso é realmente um problema insuperável? Governadores já governaram com minorias legislativas antes.
Verdade. Mas é mais difícil. Cada projeto vira uma negociação. E há mais: a bancada federal também é desfavorável a ele, e o Senado é inteiramente adversário.
Então a relação com o presidente da República importa muito?
Importa demais. Celina já teve dificuldades com Lula em pautas federais. Se Flávio Bolsonaro vencer, ela ganha um aliado no Planalto. Grass teria de dialogar com um governo que não é seu.
Mas a eleição presidencial ainda não acabou. Flávio pode não vencer. Isso muda o cálculo para Celina?
Muda, sim. Se outro candidato vencer, a relação dela com o governo federal fica menos previsível. Mas mesmo assim, ela mantém a vantagem legislativa local.
Então Celina governa com mais facilidade em qualquer cenário?
Em qualquer cenário, ela tem mais ferramentas. Mas governar é sempre mais complexo do que números na Câmara.
Der Puls
- Celina Leão terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass ficou em 34,47% — uma distância que já revela assimetria de força antes mesmo do segundo turno.
- A Câmara Legislativa do DF terá 17 dos 24 deputados alinhados à direita ou centro-direita, criando uma maioria estrutural que favorece Celina e isola Grass desde o início.
- Grass teria apenas cinco deputados distritais de sua coligação, obrigando-o a negociar apoio fora de seu campo político para qualquer iniciativa de governo.
- No Senado, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves — todas adversárias de Grass — compõem uma bancada inteiramente contrária a um eventual governo petista no DF.
- A relação com o próximo presidente da República emerge como variável decisiva: Celina aposta em alinhamento com a direita no Planalto, enquanto Grass promete diálogo independente — mas a matemática permanece desfavorável a ele.
No Distrito Federal, dois candidatos ao governo chegam ao segundo turno carregando pesos políticos muito diferentes. Celina Leão, com quase metade dos votos válidos e uma Câmara Legislativa majoritariamente alinhada ao seu campo, encontra o terreno já preparado para governar. Leandro Grass, por sua vez, enfrentaria uma aritmética legislativa hostil que transformaria cada decisão em negociação. O resultado de 25 de outubro não definirá apenas um nome, mas o grau de esforço que o Distrito Federal exigirá de quem o governe.
O Distrito Federal entra em 2027 com o mapa político já traçado. Dezessete dos vinte e quatro deputados distritais eleitos se alinham à direita ou centro-direita — uma maioria que moldará profundamente o governo que vier. Celina Leão, do PP, terminou o primeiro turno com 825.530 votos e 49,93% do total válido. Leandro Grass, do PT, ficou com 569.930 votos e 34,47%. Os dois voltam ao pleito em 25 de outubro, mas não partem do mesmo lugar.
Para Celina, a composição da Câmara é um ponto de partida sólido. O PL terá cinco cadeiras, a Federação União Progressista soma quatro, Republicanos e MDB completam sete, e o Podemos fica com uma. Esses blocos garantem a ela condições favoráveis de negociação — embora governar não seja apenas ter números, mas ter números que ainda confiam em você. Ela já acumula desgaste com parlamentares reeleitos, especialmente em torno da crise do BRB.
Grass enfrenta uma aritmética muito mais hostil. Sua coligação elegeu apenas cinco deputados distritais, o que o obrigaria a buscar apoio fora de seu campo desde o primeiro dia — na composição do secretariado, na aprovação de projetos, em cada passo da governança. A bancada federal amplia esse quadro: partidos alinhados a Celina conquistaram cinco das oito vagas para a Câmara dos Deputados, contra apenas três do campo de Grass.
No Senado, o cenário é ainda mais desfavorável a ele. Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves — todas do campo adversário — compõem uma bancada inteiramente contrária a um eventual governo petista no DF. Para Celina, as três são aliadas próximas.
Há, porém, uma variável capaz de reconfigurar tudo: quem ocupará o Planalto. Celina declarou esperar uma vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o que permitiria maior alinhamento entre os governos federal e distrital — algo que ela não teve com Lula, especialmente nas discussões sobre operações de crédito do BRB. Grass afirmou que o papel do governador é defender Brasília independentemente de quem seja presidente. As palavras, porém, não mudam a matemática: se eleito, ele começaria com base legislativa frágil, bancada federal minoritária e Senado inteiramente adversário. A governabilidade não seria impossível, mas exigiria uma negociação política muito mais árdua e constante.
O Distrito Federal entra em 2027 com um mapa político já bem desenhado. Dezessete dos vinte e quatro deputados distritais eleitos no domingo passado se alinham à direita ou centro-direita — uma maioria que não é acidental, mas que moldará profundamente quem quer que assuma o governo no próximo mês. Celina Leão, do PP, terminou o primeiro turno com 825.530 votos, 49,93% do total válido. Leandro Grass, do PT, ficou com 569.930 votos, 34,47%. Os dois voltam ao pleito em 25 de outubro, mas não partem do mesmo lugar.
Para Celina, a composição da Câmara Legislativa é um presente. O PL terá a maior bancada com cinco cadeiras. A Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — soma quatro. Republicanos e MDB completam sete. O Podemos fica com uma. Somados, esses blocos garantem a Celina um ponto de partida sólido para negociar sua maioria, caso seja reeleita. Mas sólido não significa livre de atrito. Ela já acumula desgaste com parlamentares reeleitos em temas sensíveis, especialmente a crise do BRB e as votações que a cercam. Governar não é apenas ter números; é ter números que ainda confiam em você.
Grass enfrenta uma aritmética muito mais hostil. Sua coligação — PT, PV, PCdoB, PDT, PSOL e Rede — elegeu apenas cinco deputados distritais: Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale pelo PT; Max Maciel e Keka Bagno pelo PSOL. Com sete cadeiras no total, Grass teria de buscar apoio fora de seu campo político desde o primeiro dia, começando pela composição do secretariado. Aprovar projetos na Câmara seria uma negociação constante, não uma governança.
A bancada federal amplia esse quadro. Nas oito vagas para a Câmara dos Deputados, partidos alinhados com Celina conquistaram cinco: o PL com Alberto Fraga, Thiago Manzoni e Izalci Lucas; o MDB com Rafael Prudente; o Republicanos com Julio Cesar. Do outro lado, apenas três: Fábio Felix do PSOL, Agnelo Queiroz do PT e Reginaldo Veras do PV. Essa bancada importa porque ela é o elo entre Brasília e o governo local — a voz do Distrito Federal no Congresso e a ponte para recursos federais.
No Senado, o cenário é ainda mais favorável a Celina. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas no domingo. Damares Alves, do Republicanos, segue com mandato até 2031. As três têm relação de amizade com a governadora. Para Grass, uma eventual vitória significaria dialogar com uma bancada integralmente composta por partidos que, nesta eleição, estão formalmente no campo adversário.
Mas há uma variável que pode reconfigurar tudo: quem será o próximo presidente da República. Celina enfrentou dificuldades na interlocução com o governo Lula em pautas do DF, especialmente nas discussões sobre operações de crédito do BRB. Na segunda-feira, ela afirmou esperar uma vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o que permitiria maior alinhamento entre os governos federal e distrital. Ela vê nesse cenário — direita na frente no Planalto, maioria de senadores da direita, maioria de deputados federais da direita, maioria de deputados distritais da direita — a confirmação de que seu projeto é o melhor para o Distrito Federal.
Grass, por sua vez, afirmou que o papel do governador é defender Brasília independentemente de quem seja presidente, e que seu governo buscaria uma relação de diálogo com a União. Mas as palavras não mudam a matemática. Se eleito, ele começaria com uma base legislativa frágil, uma bancada federal minoritária e um Senado inteiramente adversário. A governabilidade não é impossível — nada é — mas exigiria uma negociação política muito mais árdua e constante do que aquela que Celina poderia conduzir.
Bemerkenswerte Zitate
O papel do governador do Distrito Federal, independentemente de quem seja o presidente da República, é defender Brasília. No meu governo, nós vamos ter uma relação com o governo federal, que é uma relação de diálogo e defesa de Brasília.— Leandro Grass (PT)
Essa situação que se configura nacionalmente agora, com o Flávio chegando ao segundo turno na frente, conosco na frente, maioria de senadores da direita, maioria de deputados federais da direita, maioria de deputados distritais da direita, configura que o melhor projeto é o nosso, inclusive para o Distrito Federal.— Celina Leão (PP)