Gordura visceral: o risco silencioso que vai além do peso

Pessoas com acúmulo de gordura visceral enfrentam risco aumentado de infarto, AVC, diabetes tipo 2, colesterol alto e potencial cirrose hepática.
Uma pessoa pode estar magra e ainda estar em perigo
Pessoas com peso normal podem acumular quantidades perigosas de gordura visceral sem saber, segundo pesquisa canadense.

Gordura visceral é mais perigosa que gordura subcutânea, liberando substâncias inflamatórias que aumentam triglicerídeos e favorecem diabetes tipo 2. Pessoas com peso normal também podem ter excesso de gordura visceral; fatores genéticos influenciam, mas estilo de vida é determinante.

  • Gordura visceral acumula entre órgãos internos: fígado, estômago, intestinos, pâncreas
  • Circunferência abdominal ideal: até 80 cm em mulheres, 94 cm em homens
  • Libera substâncias inflamatórias que aumentam triglicerídeos e favorecem diabetes tipo 2
  • Risco permanece mesmo com colesterol, pressão e glicemia controlados
  • Pode evoluir para esteatose hepática, cirrose e câncer

Estudo canadense revela que a gordura visceral acumulada entre órgãos internos eleva significativamente o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, inclusive em pessoas magras, atuando como tecido inflamatório.

Uma pesquisa da Universidade McMaster, no Canadá, trouxe à tona um risco que passa despercebido por muitos: a gordura visceral, aquela que se acumula silenciosamente entre os órgãos internos, é mais perigosa para o coração e o metabolismo do que qualquer outro tipo de gordura corporal. Diferentemente da gordura que se vê sob a pele, esse tecido trabalha nos bastidores do corpo, liberando substâncias inflamatórias que comprometem o funcionamento de estruturas vitais.

A gordura visceral se aloja principalmente na cavidade abdominal, envolvendo o fígado, estômago, intestinos e pâncreas. Em casos mais graves, pode chegar até entre os pulmões e o próprio coração. Em quantidades moderadas, ela cumpre uma função protetora. O problema emerge quando o acúmulo ultrapassa os limites saudáveis. Nesse ponto, o tecido passa a liberar moléculas inflamatórias que desencadeiam uma cascata de problemas metabólicos: os triglicerídeos sobem, o colesterol "bom" (HDL) cai, a resistência à insulina aumenta — abrindo caminho para o diabetes tipo 2 — e as artérias começam a se entupir de placas de gordura. Quando essas placas se rompem, podem bloquear completamente o fluxo sanguíneo, provocando infarto ou acidente vascular cerebral.

O fígado também sofre as consequências. O acúmulo de gordura visceral frequentemente leva à esteatose hepática, uma doença que, sem tratamento, pode evoluir para cirrose e até câncer. "A gordura na barriga, visceral, é a mais perigosa para o organismo", afirmou a cardiologista Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira do Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica.

O que torna esse risco ainda mais insidioso é que ele não respeita a balança. Pessoas com peso considerado normal podem estar carregando quantidades perigosas de gordura visceral sem saber. A genética influencia, mas o estilo de vida segue sendo o fator determinante. Médicos usam uma medida simples para levantar suspeitas: a circunferência abdominal. O ideal é que a cintura não ultrapasse 80 centímetros em mulheres e 94 centímetros em homens. Quando esses números são ultrapassados, é hora de investigar mais a fundo com exames laboratoriais, histórico familiar e imagens diagnósticas.

O estudo canadense reforçou um achado perturbador: mesmo quando colesterol, pressão arterial e glicemia estão sob controle, a gordura visceral continua sendo um fator de risco independente e significativo para doenças cardiovasculares. Isso significa que uma pessoa pode ter todos os números "certos" nos exames e ainda assim estar em perigo por causa dessa gordura invisível. A prevenção, portanto, passa por manter a circunferência abdominal sob controle ao longo da vida, o que exige alimentação equilibrada e exercício físico regular. Não é sobre estar magro. É sobre estar saudável por dentro.

A gordura na barriga, visceral, é a mais perigosa para o organismo
— Cardiologista Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira do Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que essa gordura visceral é tão mais perigosa que a gordura que vemos sob a pele?

Model

Porque ela não é apenas um depósito inerte. Ela funciona como um órgão inflamado, liberando substâncias que alteram todo o metabolismo. A gordura subcutânea fica ali, quieta. A visceral trabalha contra você.

Inventor

Então uma pessoa magra pode estar em risco real de infarto?

Model

Sim. E é por isso que o estudo canadense foi importante. Quebra a ilusão de que estar magro significa estar seguro. Você pode ter um peso normal e estar cheio de gordura visceral.

Inventor

Como alguém descobre que tem esse problema?

Model

A forma mais simples é medir a cintura. Se ultrapassar 80 centímetros para mulheres ou 94 para homens, é sinal de alerta. Depois vêm os exames de sangue e imagem para confirmar.

Inventor

E se a pessoa já tem a cintura grande? É tarde demais?

Model

Não. O estilo de vida continua sendo determinante. Exercício regular e alimentação equilibrada conseguem reverter ou controlar o acúmulo. Mas quanto mais cedo se começa, melhor.

Inventor

O que essa gordura faz exatamente com as artérias?

Model

Ela libera inflamação que danifica as paredes dos vasos. Isso favorece o acúmulo de placas de gordura. Quando essas placas se rompem, bloqueiam a circulação. Infarto ou AVC acontecem em segundos.

Inventor

E o fígado? Por que fica afetado?

Model

A gordura visceral invade o fígado e causa esteatose hepática. Se não for tratada, evolui para cirrose e até câncer. É um efeito colateral silencioso que muita gente não vê vindo.

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