Em meio ao debate sobre soberania energética, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, respondeu publicamente às críticas da Globo à retomada da refinaria Abreu e Lima pelo governo Lula — reacendendo uma disputa histórica sobre quem, afinal, deve controlar o petróleo brasileiro. Sua defesa não é apenas técnica ou econômica: é uma leitura de décadas de tensão entre o projeto de desenvolvimento nacional e os interesses que, segundo ela, sempre preferiram um Brasil dependente e importador. O momento revela que a questão da Petrobrás permanece, no Brasil, muito mais do que uma política energética — é um
Gleisi: Globo pensa que Petrobrás é dela, mas pertence ao povo brasileiro
A Petrobrás é do povo brasileiro, que a construiu ao longo de 70 anos
Por que Gleisi escolheu responder agora, especificamente sobre a refinaria Abreu e Lima?
Porque Lula anunciou ontem a retomada do projeto, e a Globo e seus colunistas saíram atacando. Ela viu a oportunidade de conectar essa crítica atual a um padrão histórico de oposição ao controle estatal da Petrobrás.
Mas qual é exatamente a crítica da Globo? O texto de Gleisi não reproduz as palavras deles, então não sabemos se ela está caracterizando corretamente o que disseram.
Ela menciona que querem proibir a Petrobrás de refinar petróleo. Isso é uma posição real ou uma interpretação?
Ela está dizendo que a crítica ao projeto da Abreu e Lima equivale a isso. Mas Luke tem razão — não vemos as críticas originais no texto.
Exatamente. Sabemos que houve críticas. Não sabemos o que diziam. Gleisi oferece uma interpretação, mas não a fonte.
E quanto à alegação sobre a Lava Jato? Ela diz que custou 4 bilhões de dólares à Petrobrás.
Ela está citando o que Lula recordou. Mas a origem dessa cifra não está clara aqui.
E ela alega interferência dos EUA. Isso é documentado ou é uma acusação?
Ela diz que é registrado nos anais do STF. Mas não vemos a documentação no texto.
Certo. Então temos uma alegação atribuída a Lula, que por sua vez alega interferência estrangeira. Mas não vemos a prova.
Os 2 milhões de desempregados — isso é número de Gleisi ou está documentado?
Ela o apresenta como fato, mas não cita fonte.
É um número grande. Merecia verificação independente. Aqui é apenas atribuído a ela.
Então o que podemos afirmar com segurança?
Que Gleisi respondeu às críticas sobre Abreu e Lima, que ela conecta isso a uma oposição histórica da Globo à Petrobrás estatal, e que ela alega que a Lava Jato prejudicou a empresa.
E que Lula foi eleito e interrompeu o processo de desmonte. Isso está claro. O resto é alegação dela, atribuída ou não a Lula.
Le Pouls
- A retomada da refinaria Abreu e Lima por Lula reacendeu um conflito antigo: quem tem o direito de ditar o destino do petróleo brasileiro — o Estado ou o mercado privado?
- Gleisi acusa a Globo de negacionismo histórico, do tempo em que seus editoriais duvidavam da existência de petróleo no Brasil até as críticas atuais ao refino doméstico.
- Segundo Hoffmann, a Lava Jato custou à Petrobrás 4 bilhões de dólares e destruiu 2 milhões de empregos na indústria de engenharia, óleo e gás — um dano que ela classifica como crime de lesa-pátria.
- O governo Lula interrompeu quase sete anos de desmonte da estatal, retomando investimentos e seu papel estratégico — o que Hoffmann descreve não como improviso, mas como compromisso cumprido.
- A presidente do PT encerra sua resposta com um aviso velado: a história tem desmentido repetidamente os críticos da Petrobrás, e ela aposta que voltará a fazê-lo.
Em meio ao debate sobre soberania energética, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, respondeu publicamente às críticas da Globo à retomada da refinaria Abreu e Lima pelo governo Lula — reacendendo uma disputa histórica sobre quem, afinal, deve controlar o petróleo brasileiro. Sua defesa não é apenas técnica ou econômica: é uma leitura de décadas de tensão entre o projeto de desenvolvimento nacional e os interesses que, segundo ela, sempre preferiram um Brasil dependente e importador. O momento revela que a questão da Petrobrás permanece, no Brasil, muito mais do que uma política energética — é um campo de batalha sobre identidade, soberania e memória coletiva.
Gleisi Hoffmann, presidente do PT, entrou em campo esta semana para defender a Petrobrás das críticas que colunistas da Globo dirigiram à retomada da refinaria Abreu e Lima, anunciada por Lula. Seu argumento de fundo é simples e antigo: a estatal pertence ao povo brasileiro, não a interesses privados ou à imprensa que historicamente resistiu ao seu controle público.
Hoffmann rastreou essa resistência até a campanha 'Petróleo é Nosso', que deu origem à Petrobrás. Na época, o Globo negava a existência de petróleo no Brasil ou questionava a capacidade nacional de explorá-lo. Em 2009, o colunista Sardenberg escreveu que o pré-sal existia apenas na propaganda do governo. Agora, argumenta ela, os mesmos críticos querem impedir que a empresa refine o que produz e fabrique combustíveis no país — mantendo o Brasil dependente de importações pagas em dólares enquanto lucros estrangeiros crescem.
Essa estratégia, na leitura de Hoffmann, foi aprofundada após o impeachment de Dilma Rousseff e durante o governo Bolsonaro: privatizar refinarias, oleodutos e distribuidoras — os elos mais lucrativos da cadeia — e entregar as reservas a concorrentes internacionais. A eleição de Lula interrompeu esse processo, que já durava quase sete anos.
A presidente do PT foi além e tocou na Lava Jato. Ela alega que a força-tarefa operou sob comando clandestino do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em parceria com a PGR de Rodrigo Janot, e que os acordos firmados custaram à Petrobrás 4 bilhões de dólares — mais do que alegam ter recuperado. O custo humano, segundo ela, foi devastador: cerca de 2 milhões de trabalhadores perderam empregos na indústria de engenharia, óleo e gás, beneficiando concorrentes estrangeiros. Hoffmann classifica isso como crime de lesa-pátria, registrado nos anais do STF.
Ela encerra sua resposta chamando a posição da Globo de negacionismo de encomenda, sustentado por interesses pouco disfarçados — e aposta que, mais uma vez, os fatos e a persistência do povo brasileiro darão a resposta.
Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, saiu em defesa da Petrobrás nesta semana com uma crítica contundente à cobertura do Jornal O Globo e seus colunistas sobre a retomada da refinaria Abreu e Lima, anunciada pelo presidente Lula. Seu argumento central é direto: a estatal pertence ao povo brasileiro, não a interesses privados ou à mídia que historicamente se opôs ao seu controle público.
A presidente do PT rastreou essa oposição até suas raízes. O Globo, segundo ela, combateu a campanha "Petróleo é Nosso" que originou a Petrobrás. Os editoriais da época negavam a existência de petróleo no Brasil ou questionavam a capacidade nacional de explorá-lo. Em 2009, o colunista Sardenberg escreveu que o petróleo do pré-sal existia apenas na campanha do governo. Agora, argumenta Hoffmann, os mesmos críticos querem impedir que a Petrobrás refine o petróleo que produz, que fabrique diesel e outros combustíveis no país.
O objetivo dessa pressão, na visão de Hoffmann, é manter o Brasil dependente de importações, pagando em dólares enquanto lucros de petroleiras estrangeiras crescem. Ela identifica essa estratégia como herança do impeachment de Dilma Rousseff, que a mídia apoiou, e que Jair Bolsonaro aprofundou. O plano, segundo ela, era reduzir a Petrobrás a mera exploradora de petróleo, privatizar as refinarias, oleodutos e distribuidora — os elos mais lucrativos da cadeia — e entregar as reservas a concorrentes internacionais. Isso permitiria internacionalizar os preços pagos pelos brasileiros enquanto privatizava os lucros, inclusive aqueles obtidos pela venda de patrimônio.
Hoffmann marca o ponto de inflexão na eleição de Lula. O presidente, ela afirma, nunca escondeu sua intenção de retomar os investimentos e o papel estratégico da Petrobrás no desenvolvimento nacional. Interrompeu um processo de desmonte que durava quase sete anos. O que críticos chamavam de blefe era, na verdade, compromisso.
A presidente do PT vai além e toca em ferida ainda aberta: a Operação Lava Jato. Ela alega que a força-tarefa atuou sob comando clandestino e ilegal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em parceria com a PGR de Rodrigo Janot. Esses processos e acordos, segundo ela, custaram à Petrobrás 4 bilhões de dólares — muito mais do que alegam ter recuperado para a estatal. Nos processos contra corruptos que justificavam a Lava Jato, quase todos foram soltos, não pelo Supremo Tribunal Federal, mas através de delações premiadas em que o juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol negociavam redução de penas em troca de acusações falsas contra Lula.
O custo humano dessa operação, na avaliação de Hoffmann, foi devastador. Aproximadamente 2 milhões de trabalhadores perderam empregos na indústria brasileira de engenharia, óleo e gás. A indústria foi destruída, beneficiando concorrentes estrangeiros. Hoffmann caracteriza isso como crime de lesa-pátria, registrado nos anais do Supremo Tribunal Federal.
Ela encerra sua resposta caracterizando a posição do Globo e seus colunistas como negacionismo de encomenda, sustentado por interesses não muito bem ocultos. Sugere que será necessário outra Lava Jato e outro golpe contra um governo do PT para que esses críticos sejam, mais uma vez, desmentidos pelos fatos e pela persistência do povo brasileiro em construir um país soberano.
Citations marquantes
Pensam que a Petrobrás é deles, mas ela é do povo brasileiro, que a construiu ao longo de 70 anos com investimento público e o trabalho de nossa gente— Gleisi Hoffmann
Lula nunca escondeu, antes, durante e depois da campanha, que retomaria os investimentos e o papel estratégico da Petrobrás no desenvolvimento nacional— Gleisi Hoffmann