Em um momento em que o calendário eleitoral e as políticas sociais se entrelaçam de forma inevitável, o ministro Gilmar Mendes validou o reajuste do Bolsa Família promovido pelo governo Lula, concluindo que a medida não contraria a legislação eleitoral brasileira. A decisão ilumina uma tensão antiga e profunda: a linha tênue entre o dever do Estado de proteger os mais vulneráveis e o uso estratégico do poder público em vésperas de eleições. Não é a primeira vez que tal dilema se apresenta — Bolsonaro trilhou caminho semelhante — e provavelmente não será a última.