CNJ cancelou 16 precatórios do TRF-1 e determinou devolução de R$ 4,7 bilhões ao Tesouro Nacional em ações relacionadas ao setor sucroalcooleiro. Banco Master investiu R$ 14,3 bilhões em precatórios e direitos creditórios, muitos expedidos antes do trânsito em julgado, prática que conflita com a Constituição.
Gilmar Mendes pede ao CNJ que amplie fiscalização de precatórios ligados ao caso Master
Um modelo de negócios que drenava recursos públicos e a poupança de milhares
Por que Gilmar Mendes está pedindo isso agora, especificamente? O que mudou?
As investigações sobre o Banco Master expuseram como um banco inteiro foi construído em torno de créditos judiciais comprados com desconto e depois revalorizados. Isso abriu os olhos para um problema muito maior nos tribunais federais.
Mas quanto disso é confirmado versus quanto é ainda investigação? O contrato com o escritório da esposa do desembargador — a Polícia Federal investigou, mas há acusação formal?
A PF investigou e encontrou mensagens, mas o contrato está "sob apuração", como o texto diz. Não há condenação ainda.
E os dezesseis precatórios que foram cancelados — isso é uma vitória clara?
É um começo. O CNJ cancelou esses e mandou devolver quatro bilhões e setecentos milhões. Mas Gilmar está dizendo que há muito mais a fazer — o Banco Master investiu catorze bilhões e trezentos milhões no total.
Então estamos falando de uma fração do que foi comprado. Como sabemos quantos outros precatórios têm problemas similares?
Não sabemos com precisão. Por isso Gilmar está pedindo uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais. É um mapeamento que ainda precisa acontecer.
E os investidores que compraram esses CDBs? Eles vão perder dinheiro?
Provavelmente sim, se os precatórios forem cancelados ou reduzidos. Eles compraram papéis com rentabilidade acima da média sem saber que o lastro era questionável.
Mas o texto não diz explicitamente quantos investidores foram afetados ou qual é o tamanho da perda. Isso é estimado ou confirmado?
Não há número específico no texto. Sabemos que as corretoras distribuíram esses CDBs em troca de comissões, mas o alcance exato não está quantificado.
El Pulso
- CNJ cancelou 16 precatórios do TRF-1 e determinou devolução de R$ 4,7 bilhões ao Tesouro
- Banco Master investiu R$ 14,3 bilhões em precatórios e direitos creditórios
- Contrato entre Banco Master e escritório de advogada previa honorários de até R$ 427 milhões
- Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 estima impacto potencial de mais de R$ 100 bilhões em ações do setor sucroalcooleiro
CNJ cancelou 16 precatórios do TRF-1 e determinou devolução de R$ 4,7 bilhões ao Tesouro Nacional em ações relacionadas ao setor sucroalcooleiro. Banco Master investiu R$ 14,3 bilhões em precatórios e direitos creditórios, muitos expedidos antes do trânsito em julgado, prática que conflita com a Constituição.
Ministro Gilmar Mendes do STF solicita ao CNJ que amplie fiscalização sobre expedição de precatórios nos tribunais federais, citando investigações do Banco Master que revelaram modelo de negócios baseado em aquisição de créditos judiciais com desconto.
O ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal publicou um manifesto nas redes sociais no domingo à noite pedindo ao Conselho Nacional de Justiça que intensifique a fiscalização sobre a emissão de precatórios nos tribunais federais. Sua preocupação não é abstrata: as investigações sobre o Banco Master revelaram como uma instituição financeira construiu um negócio inteiro em torno da compra de créditos judiciais a preço de liquidação, depois os revalorizava nos papéis e os usava como garantia para captar bilhões no mercado.
Precatórios são as dívidas que governos — União, estados, municípios — são obrigados a pagar quando perdem uma ação na Justiça de forma definitiva, sem possibilidade de recurso. O que o Banco Master descobriu foi que muitos desses precatórios estavam sendo expedidos irregularmente, antes mesmo de as ações chegarem ao fim legal. Com esses créditos questionáveis em mãos, o banco emitiu certificados de depósito bancário com rentabilidade muito acima da média, distribuídos por grandes corretoras que ganhavam comissões gordas. Investidores comuns compraram esses papéis sem saber que o lastro era frágil.
O setor sucroalcooleiro é o exemplo mais claro do problema. Dezenas de usinas obtiveram condenações da União por causa de preços fixados décadas atrás pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. Muitas dessas ações foram baseadas em estudos genéricos, sem a perícia individual que o Supremo exige. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 estima que o impacto potencial dessas ações chega a mais de cem bilhões de reais. Um contrato entre o Banco Master e um escritório de advocacia — cujo sócio é esposa de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região — previa honorários de até quatrocentos e vinte e sete milhões de reais se as ações somando oito bilhões e meio fossem vencidas. A Polícia Federal investigou esse contrato e identificou mensagens de pessoas envolvidas fazendo referências ao ministro Kassio Nunes Marques e a pessoas de seu entorno, embora Nunes Marques tenha negado qualquer autorização ou relação com os fatos.
O Conselho Nacional de Justiça já começou a agir. Cancelou dezesseis precatórios expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em benefício de usinas e determinou a devolução de quatro bilhões e setecentos milhões de reais ao Tesouro Nacional. Mas Gilmar Mendes argumenta que isso é apenas o começo. O Banco Master investiu catorze bilhões e trezentos milhões de reais na compra de precatórios e direitos creditórios, muitos deles concentrados na Justiça Federal da 1ª Região. Há também problemas em outras áreas — ações de revisão da tabela do Sistema Único de Saúde, por exemplo, onde créditos ainda sob discussão judicial foram convertidos em precatórios e cedidos a fundos de investimento.
O ministro pediu uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais, com ênfase especial no TRF-1, para rastrear outros precatórios marcados por irregularidades e limpar a fila de pagamentos da União. Pediu também que a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central reforcem a fiscalização sobre como esses créditos judiciais foram comercializados e usados por instituições financeiras. E convocou o Ministério Público Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho da Justiça Federal a investigar as responsabilidades de magistrados, advogados e outros envolvidos.
O que Gilmar Mendes chamou de "modelo de negócios parasitário" drenava recursos públicos e a poupança de milhares de investidores. A crise não ficou confinada aos tribunais — o endereço do caso Master, como o ministro observou, está também em Faria Lima, o coração do mercado financeiro de São Paulo. As instituições têm reagido, mas o trabalho de limpeza e reforma que ele propõe é vasto e vai exigir coordenação entre múltiplos órgãos de controle e investigação.
Citas Notables
O acaso nos abre agora a oportunidade de realizar uma profunda reforma nas instituições do país e corrigir práticas perversas que atingiram não apenas os tribunais, mas também o sistema financeiro— Ministro Gilmar Mendes
É necessário que a Corregedoria Nacional de Justiça amplie o trabalho já iniciado, com uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais, sobretudo no TRF-1, para rastrear outros precatórios marcados por irregularidades— Ministro Gilmar Mendes