Gilmar Mendes pediu cópia integral do iPhone 17 Pro apreendido, afirmando que material permanecerá sob sigilo rigoroso e é essencial para fundamentar o voto. André Mendonça se opôs, argumentando que compartilhar todo conteúdo tumultua o julgamento, enquanto Cristiano Zanin determinou entrega até 23h, rebatendo que não há hierarquia entre ministros.
Gilmar Mendes exige cópia integral do celular de Vorcaro antes de julgamento no STF
não existe hierarquia entre os ministros do STF
Por que Mendes insistiu tanto em ter acesso ao celular completo se o material já estava com Mendonça?
Porque ver um relatório sobre mensagens não é a mesma coisa que examinar as mensagens no contexto completo. Mendes queria verificar se houve omissões, se o contexto foi distorcido, se a seleção era representativa.
Mas Mendonça dizia que todos os ministros já tinham o que precisavam para votar. Como sabemos se isso era verdade ou não?
Exatamente por isso Mendes questionava. Se um ministro tem informação que os outros não têm, como podem votar com segurança?
E Zanin simplesmente ordenou que a cópia fosse entregue?
Sim, e rebateu Mendonça dizendo que não há hierarquia entre ministros. As provas pertencem ao plenário, não a um ministro individualmente.
Mas a PF realmente tinha condições técnicas de fazer essa cópia sem comprometer as provas?
Segundo Zanin, a própria PF informou que sim, que conseguia fornecer a cópia a todos os gabinetes sem prejudicar a cadeia de armazenamento.
Isso tudo aconteceu porque estavam investigando Alexandre de Moraes?
Sim. Mendonça havia pedido um relatório da PF sobre possível comunicação entre Vorcaro e Moraes, mas fez isso sem autorização do plenário.
E isso era inédito? O STF nunca havia investigado um ministro próprio assim?
Segundo a reportagem, era inédito. Por isso havia tanta tensão sobre como proceder.
Der Puls
- iPhone 17 Pro apreendido em 18 de novembro de 2025
- Julgamento marcado para terça-feira, 15 de setembro
- Material guardado no gabinete de André Mendonça há mais de seis meses
- Cristiano Zanin determinou entrega até 23h do domingo
Gilmar Mendes pediu cópia integral do iPhone 17 Pro apreendido, afirmando que material permanecerá sob sigilo rigoroso e é essencial para fundamentar o voto. André Mendonça se opôs, argumentando que compartilhar todo conteúdo tumultua o julgamento, enquanto Cristiano Zanin determinou entrega até 23h, rebatendo que não há hierarquia entre ministros.
Ministros do STF divergem sobre acesso a celular de Daniel Vorcaro antes de julgamento marcado para terça-feira que analisará relatório da PF sobre possível relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
No domingo à noite, o Supremo Tribunal Federal enfrentava um impasse sobre informação. Gilmar Mendes pediu ao diretor-geral da Polícia Federal que entregasse uma cópia completa do iPhone 17 Pro de Daniel Vorcaro — o aparelho apreendido em novembro de 2025 quando o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez. O celular continha mensagens que fundamentariam um julgamento marcado para terça-feira, quando os ministros analisariam um relatório da PF sobre possível comunicação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Mendes argumentou que o acesso integral ao material era essencial para que pudesse verificar o trabalho já feito. Sem examinar a mídia completa — que estava guardada no gabinete do ministro André Mendonça há mais de seis meses — seria impossível identificar se havia omissões, contradições ou se a seleção de mensagens apresentada era representativa do contexto real. Mendes deixou claro que não se tratava de divulgar o conteúdo. O material permaneceria sob sigilo rigoroso, acessível apenas a seu gabinete, submetido aos mesmos deveres de confidencialidade que vinculavam o relator e a própria polícia.
Mas Mendonça se opôs. Em ofício enviado antes do pedido de Mendes, o ministro argumentou que abrir e compartilhar todo o conteúdo extraído do celular apenas tumultaria o julgamento e colocaria em risco as investigações em andamento. Mendonça sustentava que todos os ministros já possuíam o material necessário para votar. A posição refletia uma visão de que a informação deveria permanecer concentrada, controlada por quem a havia solicitado à polícia.
Cristiano Zanin, porém, havia determinado horas antes que a cópia fosse entregue até as 23h daquele domingo. Em seu despacho à Polícia Federal, Zanin rebateu Mendonça com uma afirmação fundamental: não existe hierarquia entre os ministros do STF. As provas, argumentou, pertencem ao plenário e a seus integrantes, não a um ministro especificamente. Zanin também apontou que a própria PF havia informado ter plenas condições de fornecer a cópia a todos os gabinetes sem prejudicar a cadeia de armazenamento de provas. O ministro afirmou precisar do material na íntegra para formar convicção e julgar o caso, ressaltando que nenhuma restrição de acesso poderia ser imposta aos julgadores — todos submetidos ao dever de sigilo e ao compromisso com a imparcialidade.
O conflito refletia tensões mais profundas sobre como investigar um colega ministro. Na quarta-feira anterior, Fachin havia convocado o plenário para discutir a validade do relatório da PF, que havia sido solicitado por Mendonça sem autorização prévia do colegiado. Alguns ministros criticavam essa abordagem, argumentando que investigar um integrante da Corte exigia consentimento do plenário desde o início. O caso era inédito no STF.
Os votos se alinhavam de forma incerta. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin eram apontados como alinhados com Moraes. Mendonça contava com apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Fachin e Cármen Lúcia recebiam acenos dos dois lados. Dias Toffoli havia indicado tendência de não participar, embora houvesse debate sobre se questões processuais o permitiriam votar. A terça-feira traria não apenas uma decisão sobre Moraes, mas também uma definição sobre como o Tribunal funcionaria quando seus próprios membros estivessem sob escrutínio.
Bemerkenswerte Zitate
Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório— Gilmar Mendes
Não existe hierarquia entre os ministros do STF. As provas pertencem ao plenário do STF e a seus integrantes, não a um ministro especificamente— Cristiano Zanin