Em meio a uma sessão do Supremo Tribunal Federal, uma frase seca do ministro Gilmar Mendes — 'não se pode falar o nome de Nossa Senhora' — condensou semanas de impasse institucional entre o STF e o TSE sobre a remoção de publicações ligadas a uma fake news envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. O que começou como desinformação nas redes sociais tornou-se um campo de batalha entre ministros, com ordens sendo derrubadas e restabelecidas em sequência, revelando não apenas divergências jurídicas, mas fraturas mais profundas sobre os limites entre combate à mentira e censura em tempos eleitorais.
Gilmar critica censura ao comentar crise entre STF e TSE sobre Nossa Senhora
Não se pode falar o nome de Nossa Senhora
Por que Gilmar fez esse comentário agora, nesse momento específico?
Ele estava respondendo a uma conversa casual entre Dino e Cármen sobre a vida, sobre envelhecer. Cármen mencionou Nossa Senhora como parte de uma oração. Mas o timing não era acidental — a Corte inteira estava vivendo essa crise sobre Nossa Senhora Aparecida há semanas.
Mas o comentário dele é realmente sobre censura, ou é mais uma crítica velada a Mendonça e Fux? Porque "não se pode falar o nome" é uma coisa — é uma observação sobre o clima. Mas não sabemos se Gilmar acha que Mendonça estava certo ou errado em remover os posts.
Verdade. O que sabemos é que na sessão anterior ele já tinha alfinetado Mendonça, falando sobre uso político-eleitoral de investigações. Então há uma linha de crítica acontecendo.
E o TSE e o STF realmente não conseguiram resolver isso?
Não. Mendonça removeu os posts. Dino derrubou. Fux restabeleceu. O TSE tentou um meio termo — mantém a remoção da fake news, mas libera o humorista. Mas a confusão institucional ficou clara.
Então ninguém sabe qual é a regra agora? Se você publica algo sobre Nossa Senhora e Flávio Bolsonaro, pode ou não pode?
Aparentemente depende de quem está julgando e quando. O que Gilmar estava apontando, acho, é que isso é ridículo.
Ele está do lado de Dino, então? Contra a censura?
Não sabemos. Ele pode estar criticando o caos institucional, não necessariamente a decisão de remover conteúdo falso. São coisas diferentes.
E há também a questão maior — Mendonça e Moraes têm uma briga pessoal que está vazando para essas decisões. Gilmar estava lembrando disso na sessão anterior.
Então isso não é realmente sobre Nossa Senhora.
Não. É sobre poder, sobre quem controla o que pode ser dito em eleições, e sobre ministros que não confiam uns nos outros.
The Pulse
- Uma fake news sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida viralizou nas redes, arrastando o sistema judiciário para um imbróglio que nenhuma das cortes conseguia resolver sozinha.
- Em menos de uma semana, três ministros do STF e do TSE emitiram decisões contraditórias — uma ordem de remoção, uma derrubada, um restabelecimento — expondo publicamente a falta de coordenação entre as duas cortes.
- O plenário do TSE tentou um meio-termo, mantendo a remoção de posts com a fake news mas liberando a publicação específica do humorista Antonio Tabet, sem dissipar a tensão institucional.
- Gilmar Mendes aproveitou o ambiente para alfinetar indiretamente o ministro André Mendonça, evocando o período da Lava Jato como contraste ao que via como uso político-eleitoral das investigações atuais.
- O episódio deixou no ar uma questão sem resposta: onde termina o combate legítimo à desinformação e começa a censura — e quem, afinal, tem autoridade para traçar essa linha.
Em meio a uma sessão do Supremo Tribunal Federal, uma frase seca do ministro Gilmar Mendes — 'não se pode falar o nome de Nossa Senhora' — condensou semanas de impasse institucional entre o STF e o TSE sobre a remoção de publicações ligadas a uma fake news envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. O que começou como desinformação nas redes sociais tornou-se um campo de batalha entre ministros, com ordens sendo derrubadas e restabelecidas em sequência, revelando não apenas divergências jurídicas, mas fraturas mais profundas sobre os limites entre combate à mentira e censura em tempos eleitorais. A ironia silenciosa de Gilmar apontava para algo que nenhuma decisão judicial havia conseguido resolver: quando a desinformação transforma uma santa padroeira em um campo minado político, algo essencial na vida democrática já se perdeu.
Durante uma sessão do STF na quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes interrompeu uma conversa informal entre colegas com uma observação aparentemente leve: 'Não se pode falar o nome de Nossa Senhora'. A frase era irônica, mas o contexto que a cercava era pesado.
Havia semanas, uma fake news circulava nas redes sociais afirmando que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A história viralizou. Quando o humorista Antonio Tabet publicou sobre o assunto, o ministro André Mendonça, atuando no TSE, ordenou a remoção do post e estendeu a decisão a centenas de outras publicações sobre o tema.
O que se seguiu foi um encadeamento de decisões contraditórias. A defesa de Tabet recorreu ao STF, e o ministro Flávio Dino derrubou a ordem de Mendonça. Flávio Bolsonaro então recorreu a Luiz Fux, que cassou a decisão de Dino e restabeleceu a ordem original. Tentando sair do impasse, o plenário do TSE optou por manter a remoção dos posts com a fake news, mas liberou especificamente a publicação do humorista — uma solução de compromisso que não apagou as fraturas expostas.
O comentário de Gilmar ganhava peso adicional pelo que havia dito na véspera. Na quarta-feira, durante uma homenagem ao presidente da Corte Edson Fachin, o decano evocou os tempos da Operação Lava Jato para lembrar que, naquele período, não houve vazamentos seletivos nem uso político-eleitoral das investigações — uma crítica indireta, mas legível, às tensões atuais envolvendo Mendonça e Alexandre de Moraes.
No fundo, o episódio de Nossa Senhora Aparecida iluminava um dilema que o Judiciário ainda não soube resolver: como combater a desinformação sem escorregar para a censura, e como fazê-lo de forma coerente quando as próprias cortes não conseguem falar a mesma língua. Gilmar não criticou nenhuma decisão em particular — criticou o estado das coisas, o fato de que uma figura religiosa havia se tornado, por força da política e da mentira, um campo minado institucional.
Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal na quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes soltou uma observação que capturou a tensão subjacente aos trabalhos da Corte. Enquanto seus colegas Flávio Dino e Cármen Lúcia conversavam informalmente sobre um caso de reajuste de planos de saúde para idosos, Cármen mencionou Nossa Senhora em uma frase de agradecimento pela vida. Gilmar, ao fundo, comentou secamente: "Não se pode falar o nome de Nossa Senhora". A frase era leve na forma, mas pesada no contexto.
O comentário não era aleatório. Havia semanas, uma fake news circulava nas redes sociais sugerindo que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pretendia remover o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A história virou viral. O humorista Antonio Tabet publicou sobre o assunto, e no dia 25 de setembro, o ministro André Mendonça, atuando no Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção do post de Tabet e estendeu a decisão para centenas de outras manifestações nas redes que mencionavam o caso.
O que se seguiu foi um imbróglio institucional que expôs fraturas entre as duas cortes. A defesa de Tabet recorreu ao STF. Flávio Dino, relator da ação, derrubou a ordem de Mendonça dois dias depois. Mas Flávio Bolsonaro recorreu ao ministro Luiz Fux, que cassou a decisão de Dino e restabeleceu a ordem de Mendonça na segunda-feira. O plenário do TSE, tentando sair do impasse, decidiu manter a remoção de posts que disseminavam a fake news sobre o candidato, mas liberou a publicação específica do humorista.
O que tornava o comentário de Gilmar particularmente cortante era o contexto mais amplo. Na sessão anterior, na quarta-feira, Gilmar já havia alfinetado Mendonça durante uma homenagem ao presidente da Corte, Edson Fachin. O decano lembrou as divergências entre ministros durante os julgamentos da Operação Lava Jato, período em que, segundo ele, não houve vazamentos seletivos de documentos sensíveis dos gabinetes, nem qualquer ato que indicasse uso político-eleitoral das investigações. A crítica era indireta mas clara, apontando para as tensões atuais entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.
A crise sobre Nossa Senhora Aparecida revelava algo mais profundo: a dificuldade institucional em lidar com desinformação sem cair em censura, e as divergências entre ministros sobre onde traçar essa linha. O STF e o TSE não conseguiam falar a mesma língua. Mendonça via a necessidade de remover conteúdo falso que afetava um candidato. Dino viu censura. Fux viu a necessidade de restaurar a ordem. E Gilmar, observando tudo isso, fez seu comentário seco sobre não poder falar o nome de uma santa.
A observação capturava a absurdidade que alguns viam na situação: que em uma democracia, o simples ato de mencionar Nossa Senhora Aparecida havia se tornado tão carregado de implicações políticas que era preciso ter cuidado ao dizer seu nome em voz alta. Não era uma crítica direta à decisão de ninguém, mas uma crítica ao estado das coisas — ao fato de que a desinformação e as respostas a ela haviam transformado uma figura religiosa em um campo minado institucional.
Notable Quotes
Não se pode falar o nome de Nossa Senhora— Ministro Gilmar Mendes, durante sessão do STF