Gilmar brinca sobre Nossa Senhora em sessão do STF em meio a disputa com TSE

Não se pode falar o nome de Nossa Senhora
Gilmar Mendes brinca durante sessão do STF sobre a disputa entre cortes sobre publicações envolvendo Flávio Bolsonaro.
Mark

Então Gilmar estava realmente brincando, ou havia uma crítica mais funda ali?

Mimi

Ele estava brincando, mas a brincadeira só funciona porque há algo real por trás. O TSE e o STF estavam realmente em conflito sobre essas publicações. Não era invenção.

Luke

Mas espera — a gente sabe de verdade se Flávio Bolsonaro propôs algo sobre Nossa Senhora Aparecida? Ou isso era só uma acusação nas redes?

Mimi

O texto não deixa claro. Diz que as publicações "associavam" ele a uma "suposta proposta". A palavra "suposta" já sugere que ninguém tinha certeza.

Mark

E por que isso virou uma guerra entre cortes?

Mimi

Porque o TSE achou que era desinformação eleitoral e mandou tirar. O STF discordou. Aí ficou essa sequência de ordens e contra-ordens.

Luke

Mas quem estava certo? O TSE tinha razão em remover, ou o STF em proteger a fala?

Mimi

Essa é a pergunta que os ministros não conseguiram responder. Mendonça, Dino e Fux votaram de formas diferentes. Não havia consenso.

Mark

E a brincadeira de Gilmar — ela muda algo? Muda a decisão?

Luke

Não. Foi só uma observação ao fundo durante outro julgamento. Mas ela mostra que até os ministros veem o absurdo da situação.

Mimi

Exatamente. Gilmar estava dizendo: olha só o que virou a política brasileira. Nem Nossa Senhora está segura de ser mencionada.

  • Gilmar Mendes fez o comentário durante julgamento sobre direitos de idosos em planos de saúde
  • TSE e STF em conflito sobre remoção de publicações que mencionavam Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro
  • André Mendonça (TSE) ordenou remoção; Flávio Dino suspendeu; Luiz Fux restabeleceu a ordem

Gilmar Mendes brincou que 'não se pode falar o nome de Nossa Senhora' durante julgamento sobre direitos de idosos no STF. O comentário reflete tensão entre STF e TSE sobre remoção de conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro a proposta sobre padroeira do Brasil.

Ministro Gilmar Mendes fez comentário jocoso sobre restrições a menções a Nossa Senhora durante sessão do STF, referenciando disputa entre cortes sobre publicações envolvendo Flávio Bolsonaro.

Durante uma sessão plenária do Supremo Tribunal Federal na quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes soltou uma brincadeira que capturava, em poucas palavras, o caos institucional que tomava conta da semana. A Corte julgava um caso sobre direitos de idosos em contratos de planos de saúde — matéria árida, técnica — quando a conversa entre os ministros tomou um rumo inesperado.

Tudo começou quando Cármen Lúcia, após apresentar seu voto, comentou que tinha sorte de ter recebido aquele caso para julgar, pois poderia ter morrido antes e nunca teria enfrentado a questão. Flávio Dino respondeu que ela estava longe disso. Cármen então invocou: "Deus e Nossa Senhora que garantam isso". Dino completou que outubro é o mês da Santa. Foi nesse momento que Gilmar, ao fundo, soltou a frase que resumia tudo: "Não se pode falar o nome de Nossa Senhora".

A brincadeira não era aleatória. Havia dias, o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral estavam em rota de colisão sobre um assunto que parecia saído de um roteiro absurdo: publicações nas redes sociais que associavam o candidato presidencial Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta de remover de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Ninguém sabia ao certo se a proposta era real ou fictícia, mas isso importava menos do que a batalha institucional que se desenrolava.

O ministro André Mendonça, do TSE, havia ordenado a remoção daqueles conteúdos das plataformas digitais. Flávio Dino, do Supremo, suspendeu a ordem. Então Luiz Fux, presidente do STF, restabeleceu as determinações do TSE. Era ping-pong institucional, cada ministro puxando para um lado, e ninguém sabia onde aquilo terminaria. A questão de fundo — até onde vai a liberdade de expressão, até onde vai a regulação eleitoral — permanecia em aberto, disputada entre duas cortes que não conseguiam conversar.

Gilmar, com sua brincadeira, estava fazendo o que muitos no Palácio do Planalto e no Congresso faziam em privado: rir do absurdo. Mas havia algo mais sério ali. A frase dele, dita em tom leve durante um julgamento sobre direitos de idosos, era um reflexo de como a política brasileira havia chegado a um ponto em que até invocar uma santa católica — figura central na história religiosa do país — tinha se tornado um campo minado, cercado de restrições, ordens judiciais e contra-ordens. O que deveria ser simples — falar sobre Nossa Senhora — havia se tornado impossível, ou pelo menos perigoso, dependendo de quem estava ouvindo e qual tribunal tinha a última palavra naquele dia.

Não se pode falar o nome de Nossa Senhora
— Ministro Gilmar Mendes, durante sessão plenária do STF
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