A cada edição, o Rock in Rio reescreve a forma como o Brasil se apresenta ao mundo através de sua música. Na 11ª edição do festival, a curadoria abandona o conceito de um único 'dia Brasil' para distribuir artistas nacionais por toda a programação, criando pontes entre gerações e gêneros. De Gilberto Gil — em sua turnê de despedida posicionado logo antes de Elton John — ao retorno do Barão Vermelho com Frejat, o festival transforma o palco em espelho de uma cultura musical que não cabe em um só dia.
Gilberto Gil, Luísa Sonza e João Gomes lideram presença brasileira na 11ª edição do Rock in Rio
Um posicionamento que reconhece sua importância neste momento de despedida
Por que o festival decidiu mudar a estratégia? Dois anos atrás tinha um dia Brasil concentrado, agora espalhou os artistas.
Acho que é sobre criar momentos de destaque. Quando você coloca Gilberto Gil logo antes de Elton John no palco principal, não é só um show—é um posicionamento. É dizer que a música brasileira merece aquele horário nobre.
Mas a gente não sabe exatamente por que fizeram essa mudança. O texto não explica a decisão dos curadores. Pode ser estratégia, pode ser logística, pode ser que simplesmente funcionou melhor assim.
E quanto aos encontros entre artistas? Parece que há muitas colaborações exclusivas.
Sim, e isso é interessante porque cria algo que você não vê em outro lugar. Luísa Sonza com Roberto Menescal, Capital Inicial com Dado Villa-Lobos—são momentos que só existem ali, naquele dia.
Verdade, mas a gente não tem informação sobre como essas parcerias foram negociadas ou se são realmente exclusivas do festival. Sabemos que acontecem, mas não sabemos a história por trás.
João Gomes é um nome novo no palco maior. O que isso significa?
É o reconhecimento de que o piseiro chegou a um patamar onde merece estar nos palcos principais. Ele está ao lado da Orquestra Brasileira, então não é só um show de piseiro puro—é uma fusão.
Mas a gente não tem contexto sobre a trajetória de João Gomes ou por que este é o momento certo. Sabemos que é sua estreia em um dos dois palcos maiores, mas não sabemos se ele já tinha sido convidado antes ou se isso representa um crescimento real do gênero.
E o retorno do Barão Vermelho com Frejat?
Isso é simbólico. Frejat estava na apresentação de 1985, que é lendária. Trazer ele de volta é fechar um círculo, é dizer que aquele momento importa ainda.
Importante notar que o texto diz que Frejat estava afastado do grupo há anos, mas não especifica quanto tempo. Sabemos que ele volta, mas não sabemos os detalhes da separação ou da reconciliação.
Der Puls
- Gilberto Gil ocupa o horário nobre do palco principal em sua turnê de despedida 'Tempo Rei', sendo colocado estrategicamente antes de Elton John — um gesto que reconhece seu peso histórico num momento de encerramento de ciclo.
- Luísa Sonza enfrenta o desafio de apresentar uma homenagem à bossa nova ao lado de Roberto Menescal para um público atraído principalmente por Elton John, exigindo um refinamento cuidadoso de sua abordagem pop.
- O retorno do Barão Vermelho com Frejat reacende uma ferida e uma saudade ao mesmo tempo, reunindo a formação que esteve no lendário Rock in Rio de 1985, quando Cazuza ainda era o vocalista.
- O palco Sunset se transforma em laboratório de encontros inéditos — Capital Inicial com Dado Villa-Lobos, Roupa Nova com Guilherme Arantes, Criolo com Amaro Freitas — costurando tradição e contemporaneidade em tempo real.
- João Gomes estreia em um dos dois maiores palcos do festival acompanhado de uma orquestra, sinalizando a chegada do piseiro ao centro do mainstream cultural brasileiro.
- O festival abandona a lógica do gueto temático e aposta na dispersão como estratégia, espalhando a música brasileira por todos os dias e espaços como quem afirma que ela não precisa de um dia reservado para existir.
A cada edição, o Rock in Rio reescreve a forma como o Brasil se apresenta ao mundo através de sua música. Na 11ª edição do festival, a curadoria abandona o conceito de um único 'dia Brasil' para distribuir artistas nacionais por toda a programação, criando pontes entre gerações e gêneros. De Gilberto Gil — em sua turnê de despedida posicionado logo antes de Elton John — ao retorno do Barão Vermelho com Frejat, o festival transforma o palco em espelho de uma cultura musical que não cabe em um só dia.
Dois anos atrás, o Rock in Rio concentrou a música brasileira em um único 'dia Brasil'. Na 11ª edição, a estratégia mudou: os artistas nacionais se espalham por toda a programação, com curadoria voltada para momentos de destaque e encontros exclusivos entre nomes de gerações e gêneros distintos.
Gilberto Gil é o nome mais proeminente da edição. Em versão condensada de sua turnê de despedida 'Tempo Rei', ele ocupa o palco principal em horário nobre, logo antes de Elton John — um posicionamento que reconhece tanto sua importância histórica quanto o peso simbólico deste momento de sua carreira. No mesmo dia e palco, Luísa Sonza apresenta uma fusão de seus dois álbuns de 2026, incluindo 'Bossa Sempre Nova', gravado com Roberto Menescal. A cantora reconhece que o público do dia, atraído por Elton John, exige uma abordagem mais refinada do que o pop puro.
No palco Mundo, o Sepultura e Ivete Sangalo abrem programações de headliners internacionais, enquanto o Barão Vermelho retorna com Frejat — guitarrista e vocalista que esteve na histórica apresentação da banda em 1985, quando Cazuza era o vocalista. Pedro Sampaio e Alok representam o Brasil eletrônico, com Alok levando seu espetáculo de luzes e drones ao Parque Olímpico.
O palco Sunset concentra as colaborações mais inventivas: Capital Inicial com Dado Villa-Lobos, Detonautas com o Biquini, Black Pantera com Nervosa, Roupa Nova com Guilherme Arantes, e os Gilsons com Daniela Mercury e Olodum, entre outros. Um dos dias tem presença majoritariamente feminina, com Marina Sena recebendo Céu e Joelma dividindo o palco com Viviane Batidão.
João Gomes estreia em um dos dois maiores palcos do festival ao lado da Orquestra Brasileira. Péricles interpreta a Motown, Jota Quest revisita Tim Maia, e BaianaSystem, Criolo com Amaro Freitas e Di Ferrero completam a programação. O festival tece, assim, uma teia de encontros que atravessa décadas e estilos, afirmando que a música brasileira não precisa de um dia reservado para ocupar o centro do palco.
Dois anos atrás, o Rock in Rio reservou um dia inteiro para a música brasileira. Chamado de "dia Brasil", o evento reuniu apresentações temáticas que percorriam rock, samba, MPB, sertanejo e outros gêneros, com artistas se alternando nos palcos. Desta vez, na 11ª edição do festival, a estratégia mudou. Os brasileiros voltaram a se espalhar pelos diferentes dias e espaços, mas com uma curadoria que privilegia momentos de destaque e encontros exclusivos entre artistas.
Gilberto Gil é o nome mais proeminente desta edição. O artista, que já conhece bem o festival, apresentará uma versão condensada de sua turnê de despedida, "Tempo Rei", no palco principal em horário nobre—logo antes de Elton John. É um posicionamento que reconhece tanto sua importância quanto a transição que marca este momento de sua carreira. No mesmo palco e no mesmo dia, horas antes, Luísa Sonza levará ao público uma mistura de seus dois álbuns lançados em 2026: "Brutal Paraíso" e "Bossa Sempre Nova". Este último, resultado de uma colaboração com Roberto Menescal, uma figura central da história da bossa nova, será o ponto de partida para uma apresentação que ela descreve como pop, mas com uma estrutura dedicada à homenagem do gênero. Menescal trará sua banda completa, e Sonza reconhece que o contexto do dia—com a presença de Elton John atraindo um público menos voltado para o pop puro—exigirá um refinamento específico na abordagem.
O palco Mundo, o maior do festival, reúne outros nomes brasileiros em posições estratégicas. O Sepultura, em sua turnê de despedida que circula o planeta, abre a programação no dia do Avenged Sevenfold. Ivete Sangalo, presença recorrente no Rock in Rio, faz o mesmo na data liderada pelo Twenty One Pilots. O Barão Vermelho retorna com uma novidade significativa: sua segunda formação clássica, que reintegra o guitarrista e vocalista Frejat, afastado do grupo há anos. Frejat estava presente na histórica apresentação da banda na edição de 1985 do festival, quando Cazuza era o vocalista. Pedro Sampaio e Alok, ambos DJs, completam a presença brasileira no palco Mundo. Sampaio abre a programação do dia de Demi Lovato e Maroon 5, enquanto Alok é uma das principais atrações da data encabeçada pelo Stray Kids, trazendo seu espetáculo de luzes e drones para o Parque Olímpico.
No palco Sunset, o segundo maior do festival, as colaborações e apresentações exclusivas ganham ainda mais espaço. Capital Inicial recebe Dado Villa-Lobos, antigo guitarrista da Legião Urbana, enquanto o Detonautas toca com o Biquini, a banda que era conhecida como Biquini Cavadão. Black Pantera se une à Nervosa para explorar o rock pesado, e Roupa Nova celebra o pop brasileiro das décadas de 1970 e 1980 com Guilherme Arantes. Vanessa da Mata divide o palco com Rubel, Os Garotin com a rapper Duquesa, Jota.Pê com Luedji Luna e Zaynara, e os Gilsons com Daniela Mercury e Olodum.
Um dos dias de programação do Sunset é marcado por uma presença majoritariamente feminina, ainda que encabeçado pelo Twenty One Pilots. Marina Sena recebe Céu, e Joelma divide o palco com Viviane Batidão, outra estrela do pop paraense. Carol Bizan canta com Joyce Alane. João Gomes, astro do piseiro, faz sua estreia em um dos dois palcos maiores do Rock in Rio, apresentando-se ao lado da Orquestra Brasileira. Péricles, sambista, empresta sua voz aos sucessos da Motown, a gravadora americana que foi berço de artistas como Stevie Wonder e Marvin Gaye. Jota Quest toca o repertório de Tim Maia, enquanto BaianaSystem, Criolo com Amaro Freitas e Dino d'Santiago, Di Ferrero e Calema completam a lista de apresentações no Sunset. O festival, assim, tece uma teia de encontros que atravessa gerações, gêneros e momentos da música brasileira, criando espaços onde a tradição dialoga com o contemporâneo.
Bemerkenswerte Zitate
É um show pop, com as minhas misturas, e com base no 'Brutal Paraíso', mas com um grande momento e toda uma estrutura em homenagem à bossa nova. O Menescal vai trazer a banda dele inteira, e vai ser um show diferente por causa do dia, que não é de público tão pop.— Luísa Sonza