Gerdau ganha fôlego com data centers nos EUA e UBS BB eleva preço-alvo para R$ 35

O consumo de vigas e barras cresce 6,5% enquanto a construção não residencial cai 1%
A divergência que, para o UBS, evidencia o peso dos data centers na demanda por aço nos EUA.
Mark

Por que um banco recomenda uma siderúrgica por causa de data centers?

Mimi

Porque a Gerdau tem forte operação nos EUA, e o UBS vê ali uma demanda por aço longo que o mercado não estaria precificando totalmente.

Mark

Mas data centers são só 5% da construção não residencial, não?

Mimi

Sim, o próprio analista diz isso. O argumento é que os produtos da Gerdau estão mais expostos a esse tipo de obra pesada.

Luke

Vale notar que é uma análise de um único banco. O consumo de 6,5% e a alta de 75% são números citados no relatório, e a ligação causal com data centers é uma interpretação do analista, que diz que a divergência reflete "em parte" essa força.

Mark

E os riscos de oferta?

Mimi

Mais capacidade e mais importações. O UBS acha que a demanda vai superar isso.

Luke

Isso é uma aposta, não um fato. A projeção de início de obras subindo 200% até 2027 é uma expectativa do banco.

Mark

E o câmbio?

Mimi

O UBS passou a projetar dólar a R$ 5,40 depois da reeleição de Lula, o que ajuda os resultados.

Luke

Outra premissa, não um dado. Se o câmbio ou os investimentos dos hyperscalers mudarem, as projeções de EBITDA de R$ 13,9 bi e R$ 15,2 bi também mudam.

  • O mercado teme que a expansão de capacidade e o avanço das importações pressionem a Gerdau, e essa desconfiança segue pesando sobre a ação.
  • Enquanto isso, a demanda por vigas e barras cresce em ritmo acelerado, impulsionada pelos data centers de IA nos Estados Unidos.
  • O UBS BB reagiu elevando o preço-alvo de R$ 31 para R$ 35 e projetando EBITDA mais alto para 2026 e 2027.
  • A tese agora repousa sobre os hyperscalers: se seus investimentos aceleram até 2027, as margens norte-americanas da Gerdau tendem a se sustentar.

Num momento em que a inteligência artificial redesenha o mapa da construção americana, o UBS BB aposta que a siderúrgica brasileira Gerdau pode colher parte desse movimento. O banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 31 para R$ 35 e manteve a recomendação de compra, sustentado na tese de que a demanda por aço dos data centers norte-americanos seguirá vencendo as preocupações com oferta. Trata-se de uma leitura que coloca uma empresa de bitola global diante de uma das grandes obras silenciosas da era digital, cujo desfecho depende de quanto os gigantes da nuvem estão dispostos a investir nos próximos anos.

O UBS BB publicou um relatório com uma mensagem direta para quem quer exposição ao boom dos data centers nos Estados Unidos: a Gerdau é a top pick do banco no setor. A recomendação de compra veio acompanhada de um salto no preço-alvo, de R$ 31 para R$ 35, e de projeções de resultado revisadas para cima.

A tese é do analista Caio Greiner, que enxerga o mercado concentrado demais nos riscos de oferta e pouco atento à força da demanda. O foco está no segmento de vigas e barras comerciais, o MBQ, que se beneficia da construção não residencial americana. Enquanto o consumo aparente desses produtos subiu cerca de 6,5% no ano, os gastos totais com construção não residencial recuaram 1%. Parte dessa diferença vem dos data centers, segmento intensivo em aço longo, cujos gastos subiram 75% na comparação anual em agosto. Greiner ressalva que eles ainda representam só cerca de 5% dos gastos do setor, mas a exposição da Gerdau a obras pesadas amplifica o efeito.

O banco também aposta que os hyperscalers acelerem seus investimentos até 2027, com o início de novas construções crescendo cerca de 200%. Essa onda deve absorver a nova capacidade e as importações, preservando as margens.

Nas contas revisadas, o EBITDA deve chegar a R$ 13,9 bilhões neste ano e R$ 15,2 bilhões em 2027, e a margem da operação norte-americana para 2027 subiu de 24% para 26,4%. Um ajuste cambial, com o dólar projetado a R$ 5,40 após a reeleição de Lula, também favorece a companhia. A ação negocia a 3,5 vezes o EBITDA estimado para 2027, com free cash flow yield de 14%. O que fica para acompanhar é o ritmo dos investimentos dos hyperscalers, que sustenta toda a tese.

O UBS BB publicou um relatório com uma mensagem direta para quem quer exposição ao boom dos data centers nos Estados Unidos: comprar Gerdau. O banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 31 para R$ 35, aumentou as projeções de resultado e reiterou a recomendação de compra. A siderúrgica é, hoje, a top pick do banco no setor.

A tese é do analista Caio Greiner. Para ele, o mercado pode estar subestimando a capacidade de geração de caixa da Gerdau nos EUA, onde a expansão dos data centers de inteligência artificial deve sustentar a demanda por aço e manter as margens em patamares elevados.

Segundo o analista, os investidores estão excessivamente concentrados nos riscos do lado da oferta, como o possível aumento de capacidade e das importações. Greiner escreveu que o crescimento da demanda provavelmente continuará superando qualquer pressão sobre a oferta.

O ponto de apoio é o segmento de vigas e barras comerciais, conhecido pela sigla MBQ, que se beneficia de tendências estruturais na construção não residencial americana. Os números citados no relatório mostram uma divergência: o consumo aparente desses dois produtos cresceu cerca de 6,5% no acumulado do ano, enquanto os gastos totais com construção não residencial caíram cerca de 1%. Parte dessa diferença, segundo o analista, reflete a força dos data centers, um segmento intensivo em aço longo, cujos gastos com construção nos EUA subiram 75% na comparação anual em agosto.

O analista ressalva que os data centers representam apenas cerca de 5% dos gastos com construção não residencial no país. Ainda assim, os produtos da Gerdau têm maior exposição a esses segmentos de construção pesada, o que amplifica o efeito sobre a empresa.

O UBS também espera que os investimentos dos grandes provedores de nuvem, os hyperscalers, acelerem até 2027, com o início de novas construções avançando cerca de 200%. Na visão do banco, essa aceleração do consumo deve bastar para absorver a entrada de nova capacidade e o aumento das importações, preservando as margens da Gerdau.

Nas projeções, o banco passou a esperar um EBITDA de R$ 13,9 bilhões neste ano, 3% acima da estimativa anterior, e de R$ 15,2 bilhões em 2027, 8% acima. A revisão reflete o cenário mais favorável para a operação na América do Norte, cuja margem EBITDA esperada para 2027 subiu de 24% para 26,4%.

Há ainda um ajuste macroeconômico. Após a reeleição de Lula, o UBS mudou sua premissa de câmbio e agora trabalha com o dólar a R$ 5,40, o que beneficia os resultados da Gerdau. Nas contas do banco, a ação negocia a 3,5 vezes o EBITDA estimado para 2027, com free cash flow yield de 14%. O que vale acompanhar daqui em diante é o ritmo dos investimentos dos hyperscalers até 2027, que sustenta toda a tese.

O crescimento da demanda provavelmente continuará superando qualquer pressão sobre a oferta.
— Caio Greiner, analista do UBS BB
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