Em Sertãozinho, interior de São Paulo, um homem de 28 anos confessou ter desferido 38 facadas contra sua sogra de 62 anos, alegando proteger o filho de abusos nunca comprovados. O caso chega agora a uma audiência que decidirá se a sociedade, por meio de um júri popular, será chamada a julgar o peso dessa violência. Por trás dos autos e das provas, uma filha enlutada carrega o temor de que sua mãe se torne apenas mais um número nas estatísticas do feminicídio.
Genro que confessou morte da sogra a facadas passa por audiência em Sertãozinho
Senão vai ser só mais uma que foi morta, vai ser só mais uma que entra na estatística
Por que essa audiência é tão importante? O cara já confessou, não é?
A confissão é só o começo. A audiência de instrução e julgamento é quando o juiz avalia se há provas suficientes, se o caso tem consistência legal para ir adiante. Pode resultar em julgamento por júri, em absolvição, ou em pedidos de mais investigação.
Mas espera — ele confessou espontaneamente ou foi coagido? O texto não deixa claro. E essas acusações contra a sogra de abuso do filho — foram investigadas? Porque se não foram, é só a palavra dele.
Não, não foram provadas. A polícia registrou o que ele disse, mas não há evidência de que Leonice tivesse cometido qualquer abuso. É uma alegação que ele fez para justificar o crime.
E a filha dele, a esposa de Ygor — ela sabia de algo? Ela o denunciou?
Ela desconfiou quando não conseguiu falar com a mãe por telefone. Foi ela quem levou a polícia até lá. Mas o texto não diz se ela tinha conhecimento prévio de qualquer conflito ou ameaça.
Isso é importante. Se a esposa não sabia de nada, então Ygor estava guardando essa convicção só para si. E as roupas dele com sangue, o ferimento na mão — isso prova que ele fez, mas não prova por quê.
Exato. A confissão dele explica o como, mas o por quê permanece apenas na versão dele. A audiência vai examinar se essa versão é credível ou se há outras interpretações dos fatos.
E a filha Marilene, que está acompanhando tudo — ela acha que vai haver justiça?
Ela espera por isso, mas está claramente cansada. Ela quer que o caso não seja esquecido, que a morte da mãe não vire só um número em uma estatística.
O que é compreensível, mas também revela a incerteza. Se ela está pedindo para que não seja esquecido, é porque teme que seja. A audiência pode não resolver tudo.
Il Polso
- Ygor Felizardo confessou o crime à polícia, mas minutos antes havia dito a jornalistas que não sabia o que havia acontecido — a contradição expõe a frieza do comportamento após o ataque.
- Leonice Moscon sofreu 38 facadas dentro de sua própria casa, perseguida do quarto à sala e de volta ao quarto, sem chance de escapar.
- As evidências físicas — roupas ensanguentadas, ferimento fresco na mão e ausência de arrombamento — eliminaram qualquer dúvida sobre o autor do crime antes mesmo da confissão.
- A audiência desta quarta-feira pode definir se o caso vai a júri popular ou se encerra sem novas investigações, tornando-se um momento decisivo para a família e para o processo.
- A filha Marilene, que será ouvida na audiência, teme que a morte da mãe se dissolva nas estatísticas: 'vai ser só mais uma que foi morta', disse ela, transformando sua presença em ato de resistência.
Em Sertãozinho, interior de São Paulo, um homem de 28 anos confessou ter desferido 38 facadas contra sua sogra de 62 anos, alegando proteger o filho de abusos nunca comprovados. O caso chega agora a uma audiência que decidirá se a sociedade, por meio de um júri popular, será chamada a julgar o peso dessa violência. Por trás dos autos e das provas, uma filha enlutada carrega o temor de que sua mãe se torne apenas mais um número nas estatísticas do feminicídio.
Ygor Christian Felizardo, 28 anos, confessou à polícia ter matado a sogra Leonice Aparecida Moscon, 62 anos, com uma faca em sua casa em Sertãozinho, interior de São Paulo, em junho de 2026. Nesta quarta-feira, ele comparece a uma audiência de instrução e julgamento que pode determinar se o caso será levado a júri popular ou encerrado sem novas diligências. Ele está preso preventivamente na Penitenciária de Pontal e responde por feminicídio.
Segundo o delegado Igor Dorsa, Felizardo entrou na casa da sogra, pegou uma faca na cozinha e a chamou. Quando Leonice saiu do quarto, ele desferiu os primeiros golpes. Conforme ela tentava recuar, o ataque continuou — até que, caída no chão, foi colocada na cama e golpeada mais vezes. No total, 38 facadas, entre profundas e superficiais. Durante o interrogatório, Felizardo disse que sua mente estava dominada por uma única ideia: 'acaba com isso logo'. Alegou ter agido para proteger o filho de supostos abusos da avó — acusações que jamais foram comprovadas.
O corpo foi encontrado em 15 de junho, após uma das filhas de Leonice, casada com Felizardo, não conseguir contato por telefone. Quando a polícia chegou, Felizardo concedeu entrevista a jornalistas dizendo que não sabia o que havia acontecido e que tinha boa relação com a sogra. Minutos depois, foi preso em flagrante. As evidências eram inequívocas: roupas manchadas de sangue, ferimento fresco em uma das mãos e nenhum sinal de arrombamento.
Marilene Schiavinato, outra filha de Leonice, descreveu os meses desde a morte da mãe como um período de pressão constante. Ela será ouvida na audiência e acompanha cada etapa do processo. 'Não foi nem está sendo fácil', disse. Para Marilene, estar presente é também uma forma de garantir que a morte da mãe não se apague. 'Senão vai ser só mais uma que foi morta, vai ser só mais uma que entra na estatística', afirmou — expressando o temor de que o caso se torne apenas um número entre tantos outros crimes de feminicídio.
Ygor Christian Felizardo, de 28 anos, confessou à polícia ter matado a sogra Leonice Aparecida Moscon, de 62 anos, com uma faca em sua casa em Sertãozinho, no interior de São Paulo, em junho deste ano. Nesta quarta-feira, ele comparece a uma audiência de instrução e julgamento que pode determinar o rumo do processo — se o caso será levado a júri popular, se novas provas serão produzidas, ou até mesmo se ele será absolvido. Felizardo está preso preventivamente na Penitenciária de Pontal e responde pela acusação de feminicídio.
O relato que Felizardo fez aos investigadores revela os detalhes do ataque. Segundo o delegado Igor Dorsa, o acusado entrou na casa da sogra, pegou uma faca na cozinha e a chamou. Quando Leonice saiu do quarto e ficou de frente para ele na sala, ele desferiu os primeiros golpes. Conforme a vítima tentava se defender entrando novamente no quarto, Felizardo continuou o ataque. Quando ela caiu no chão, ele a colocou na cama e prosseguiu golpeando-a. No total, Leonice sofreu 38 facadas — algumas profundas, outras superficiais. Durante o interrogatório, Felizardo afirmou que sua mente estava dominada por uma única ideia: "acaba com isso logo". Ele alegou ter agido para proteger o filho de supostos abusos que poderiam ser cometidos pela avó. Essas acusações contra Leonice nunca foram provadas.
O corpo foi encontrado em 15 de junho. Uma das filhas de Leonice, casada com Felizardo, desconfiou quando não conseguiu contatá-la por telefone. A polícia chegou ao local e, durante o atendimento inicial, Felizardo concedeu uma entrevista a jornalistas afirmando que não sabia o que havia acontecido e que tinha uma boa relação com a sogra. Minutos depois, ele foi preso em flagrante. As evidências contra ele eram claras: roupas manchadas de sangue, um ferimento fresco em uma das mãos sem cicatrização, e nenhum sinal de arrombamento na casa. Ele foi transferido para a penitenciária e permanece detido.
Marilene Schiavinato, uma das filhas de Leonice, falou ao g1 nos dias que antecederam a audiência. Ela descreveu os meses desde a morte da mãe como um período de pressão constante e dificuldade. "Não foi nem está sendo fácil", disse. Marilene será ouvida durante a audiência e tem acompanhado cada passo do processo judicial. Para ela, estar presente e lutar por justiça é também uma forma de garantir que a morte da mãe não desapareça nos registros. "Senão vai ser só mais uma que foi morta, vai ser só mais uma que entra na estatística e vai ficar por isso mesmo", afirmou, expressando o temor de que o caso se torne apenas um número entre tantos outros crimes.
A audiência desta quarta-feira marca um ponto de inflexão no processo. Dependendo das provas apresentadas e das diligências solicitadas, o caso pode avançar para julgamento por júri popular — onde cidadãos decidirão sobre a culpa ou inocência de Felizardo — ou pode ser encerrado sem que novas investigações sejam realizadas. A confissão do acusado é um fato estabelecido, mas a justiça ainda precisa determinar como o sistema responderá a ele.
Citazioni salienti
Não foi nem está sendo fácil. É muita pressão. Só espero que nessa audiência seja feita justiça.— Marilene Schiavinato, filha da vítima
Na hora eu peguei, vinha na mente: acaba com isso logo— Ygor Christian Felizardo, durante confissão à polícia