Na Antártica Ocidental, uma geleira do tamanho das Ilhas Britânicas e da Flórida somadas, conhecida como Geleira do Juízo Final, pode estar mais perto de acelerar o avanço do mar do que se supunha. Um estudo de pesquisadores americanos revela que a fronteira onde o gelo deixa o solo e passa a flutuar sobre o oceano, uma faixa de quilômetros antes tratada como linha simples, é justamente onde a água pode corroer a estrutura por dentro. A história do clima é feita também de fronteiras pouco vistas, e esta talvez seja uma delas. O futuro dessa massa ainda depende de quão rápido a humanidade reduz
Geleira Thwaites pode elevar o nível do mar em até o dobro da velocidade estimada, aponta estudo
Pode ser um problema maior do que se imaginava
Qual é a novidade principal do estudo?
Os pesquisadores identificaram zonas de transição de 2 a 5 quilômetros entre o gelo apoiado em terra e o gelo flutuante. Antes, achava-se que havia um limite nítido.
E por que isso muda tanto a conta?
Porque a água do mar pode entrar sob o gelo ainda apoiado no solo e acelerar o derretimento. As marés também podem levantar o gelo e deixá-lo mais instável.
Vale separar o que é afirmação e o que é projeção. O texto diz que a contribuição pode ser até duas vezes maior. É um limite superior, não um valor confirmado.
E a Crista de Mouginot, que papel tem?
Ela segura parcialmente a geleira. Só que a água que entra nas zonas de transição enfraquece a ligação do gelo com essa elevação, e a geleira pode recuar mais rápido.
Os cientistas acreditam que o recuo possa ser irreversível, mas a velocidade segue incerta. Dizer que acontecerá, e quando, são coisas diferentes.
Há alguma previsão de prazo?
Alguns modelos apontam o desaparecimento até o século XXIII, mas não é consenso. E cortar emissões de CO2 pode desacelerar o processo.
Também não sabemos, pelo material, qual revista publicou o estudo nem quais pesquisadores o assinam. Isso limita o quanto dá para avaliar o método.
The Pulse
- A Thwaites pode elevar o nível médio global do mar até duas vezes mais rápido neste século do que as projeções anteriores indicavam.
- Um novo modelo identifica zonas de transição de 2 a 5 quilômetros onde a água do mar se infiltra sob o gelo e acelera o derretimento.
- A Crista de Mouginot, uma elevação no fundo do mar, ainda segura parcialmente o avanço, mas perde força a cada entrada de água.
- Cientistas tratam o recuo como possivelmente irreversível, e a velocidade exata segue incerta, com a redução de emissões como principal alavanca para desacelerar o processo.
Na Antártica Ocidental, uma geleira do tamanho das Ilhas Britânicas e da Flórida somadas, conhecida como Geleira do Juízo Final, pode estar mais perto de acelerar o avanço do mar do que se supunha. Um estudo de pesquisadores americanos revela que a fronteira onde o gelo deixa o solo e passa a flutuar sobre o oceano, uma faixa de quilômetros antes tratada como linha simples, é justamente onde a água pode corroer a estrutura por dentro. A história do clima é feita também de fronteiras pouco vistas, e esta talvez seja uma delas. O futuro dessa massa ainda depende de quão rápido a humanidade reduzir suas emissões.
Quem olha a Thwaites num mapa vê uma massa de gelo do tamanho das Ilhas Britânicas e da Flórida somadas, no oeste da Antártica. Um novo estudo de pesquisadores americanos sugere que essa geleira, apelidada de Geleira do Juízo Final, pode contribuir para a elevação do nível do mar até duas vezes mais rápido neste século do que se estimava antes.
Um colapso completo elevaria o mar em cerca de 65 centímetros e poderia desencadear uma reação em cadeia, com outras áreas de gelo derretendo e levando a até 3 metros no longo prazo. Segundo a NASA, os modelos anteriores não consideravam bem as mudanças nas zonas de transição, onde o gelo deixa o solo e passa a flutuar.
O novo trabalho identificou faixas de 2 a 5 quilômetros nessa transição, onde a água do mar penetra sob o gelo e as marés podem tornar toda a geleira mais instável. Hoje, a Crista de Mouginot, uma elevação no fundo do mar, ainda barra parcialmente o avanço, mas a água que entra enfraquece essa ligação e pode fazer a geleira recuar mais depressa.
Os cientistas consideram o recuo potencialmente irreversível, embora a velocidade siga incerta. Alguns modelos chegam a prever o desaparecimento completo até o século XXIII. A redução das emissões de dióxido de carbono pode desacelerar o processo, e o próximo passo é ver se as novas estimativas serão incorporadas a outros modelos.
Quem olha a Thwaites num mapa vê uma massa de gelo do tamanho das Ilhas Britânicas e da Flórida somadas, na Antártica Ocidental. Um novo estudo de pesquisadores americanos sugere que essa geleira, conhecida como Geleira do Juízo Final, pode ser um problema maior do que se supunha: ela poderá contribuir para a elevação do nível médio global do mar até duas vezes mais neste século em comparação com as estimativas anteriores.
O apelido tem explicação. Um colapso completo da Thwaites elevaria o nível do mar em cerca de 65 centímetros. Além disso, poderia desencadear uma reação em cadeia, com o derretimento de outras áreas de gelo, o que levaria a uma elevação de até 3 metros no longo prazo.
O difícil é prever a velocidade desse processo, que depende de vários fatores. Segundo a NASA, os modelos anteriores não levavam em conta de forma adequada as mudanças nas zonas de transição das geleiras, e isso pode ter tornado as estimativas menos precisas.
O ponto central do estudo está justamente aí. A maior parte do gelo da Thwaites repousa sobre terra firme, mas, ao avançar em direção ao mar, ele deixa o solo e passa a flutuar sobre a água. Pesquisas anteriores tratavam essas duas partes como separadas por um limite bem definido. O novo modelo, ao contrário, identificou zonas de transição com 2 a 5 quilômetros de largura.
Nessas faixas, a água do mar pode penetrar sob o gelo que ainda está apoiado no chão, o que acelera o derretimento. As marés, por sua vez, podem levantar o gelo e deixar toda a geleira mais instável.
Há hoje uma barreira natural parcial. Trata-se de uma elevação no fundo do mar, a Crista de Mouginot, que impede em parte o avanço da geleira rumo ao oceano. Mas a água do mar que entra nas zonas de transição enfraquece a ligação entre o gelo e essa formação. Com o tempo, a Thwaites pode perder esse ponto de apoio e recuar mais depressa.
Os cientistas acreditam que esse recuo possa ser irreversível, embora ainda seja difícil determinar a rapidez com que ocorrerá. Alguns modelos preveem que a geleira desapareça por completo até o século XXIII. A redução das emissões de dióxido de carbono, porém, pode ajudar a desacelerar o derretimento. O que se acompanha agora é se as novas estimativas, com as zonas de transição incorporadas, serão adotadas em outros modelos.
Notable Quotes
Modelos anteriores não consideravam adequadamente as mudanças nas zonas de transição das geleiras, o que pode ter levado a estimativas menos precisas.— NASA, segundo a reportagem