Diante do Congresso americano, Bill Gates revelou na quarta-feira como Jeffrey Epstein — financista condenado por crimes sexuais — tentou transformar segredos íntimos em instrumentos de coerção, usando informações sobre infidelidades conjugais para forçar a retomada de um relacionamento que Gates havia encerrado. O depoimento, prestado em sessão fechada, ilumina um padrão mais amplo: o de um homem que colecionava vulnerabilidades humanas como quem acumula moeda de troca, e que deixou rastros que hoje alcançam presidentes, bilionários e as instituições que deveriam tê-lo detido antes.
Gates depõe que Epstein tentou chantageá-lo com dados sobre infidelidade
Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades
Por que Gates decidiu depor agora, tantos anos depois que Epstein morreu na prisão?
O Comitê de Supervisão da Câmara está investigando como o Departamento de Justiça lidou com as investigações sobre Epstein e seus associados. Gates foi convocado como parte dessa investigação mais ampla, não por iniciativa própria.
Mas a questão é: o que exatamente o Congresso espera descobrir agora? Epstein já foi indiciado, já morreu. O que a audiência de Gates muda?
Muda porque há um padrão de comportamento que o Congresso quer documentar — como Epstein coletava informações sobre pessoas influentes e as usava como alavanca. Gates é um exemplo concreto disso.
Gates disse que nunca viu Epstein se envolver em conduta criminosa. Como ele pode dizer isso quando os promotores federais alegaram que Epstein abusou de dezenas de adolescentes?
Gates estava descrevendo sua experiência pessoal com Epstein — os encontros que tiveram foram sobre um fundo filantrópico. Ele não estava presente aos crimes.
Mas isso levanta uma questão incômoda: Gates conhecia Epstein desde 2011, anos depois da declaração de culpa na Flórida. Como ele não pesquisou adequadamente sobre alguém com quem estava negociando milhões em filantropia?
Gates admitiu exatamente isso em seu depoimento — disse que aceitou a apresentação sem a devida análise. Sabia que havia problemas legais anteriores, mas não compreendeu a extensão.
E quanto à chantagem? Gates disse que Epstein estava usando informações sobre suas infidelidades. Isso é um crime?
Sim, tentativa de chantagem é crime. Mas o que Gates descreveu foi Epstein coletando informações e tentando usá-las para pressionar Gates a retomar contato. Não há indicação de que Epstein tenha feito uma demanda explícita de dinheiro.
Então temos uma alegação de Gates sobre o que Epstein estava fazendo, mas nenhuma evidência direta de uma tentativa de chantagem formal. É importante ser preciso sobre isso.
Qual é o próximo passo da investigação?
O Comitê continua entrevistando outras pessoas próximas a Epstein — Clinton, executivos de Wall Street, bilionários. Está tentando mapear toda a rede de relacionamentos e como Epstein operava.
O Pulso
- Gates admitiu ter aceitado a apresentação a Epstein em 2011 sem investigar adequadamente seus antecedentes, mesmo sabendo que o financista já havia sido condenado por aliciar uma menor.
- Quando Gates começou a se afastar por volta de 2014, Epstein recorreu à chantagem — usando dados coletados sobre as infidelidades conjugais de Gates como alavanca para forçar o retorno do contato.
- As revelações sobre essa relação emergiram após a prisão de Epstein em 2019, contribuindo para o fim do casamento de Gates e levando sua fundação a abrir uma investigação externa sobre os vínculos com o financista.
- O Comitê de Supervisão da Câmara amplia a investigação: já ouviu Bill Clinton e Leslie Wexner, e convocou executivos como James Staley e Leon Black, que pagou 170 milhões de dólares a Epstein por consultoria.
- Democratas pressionam para que Donald Trump também seja ouvido, enquanto republicanos afirmam não ter encontrado irregularidades envolvendo o atual presidente — deixando a investigação suspensa entre o político e o jurídico.
Diante do Congresso americano, Bill Gates revelou na quarta-feira como Jeffrey Epstein — financista condenado por crimes sexuais — tentou transformar segredos íntimos em instrumentos de coerção, usando informações sobre infidelidades conjugais para forçar a retomada de um relacionamento que Gates havia encerrado. O depoimento, prestado em sessão fechada, ilumina um padrão mais amplo: o de um homem que colecionava vulnerabilidades humanas como quem acumula moeda de troca, e que deixou rastros que hoje alcançam presidentes, bilionários e as instituições que deveriam tê-lo detido antes.
Na quarta-feira, 10 de junho, Bill Gates compareceu ao Comitê de Supervisão da Câmara e descreveu, em sessão fechada, como Jeffrey Epstein havia tentado usá-lo. O que o financista queria não era dinheiro — era acesso. Ao perceber que Gates se afastava, Epstein recorreu ao que sabia sobre as infidelidades conjugais do empresário para pressioná-lo a retomar o contato.
O relacionamento havia começado em 2011, quando Gates foi apresentado a Epstein. Ele admitiu saber que o financista enfrentara problemas legais anteriores — Epstein já havia se declarado culpado por aliciar uma menor para prostituição na Flórida —, mas disse não ter compreendido a extensão real dos crimes. "Aceitei a apresentação sem a devida análise", declarou. Entre 2011 e 2014, os dois se encontraram algumas vezes para discutir a criação de um fundo filantrópico que nunca se concretizou. Quando as conversas esfriaram, Epstein revelou seu método: coletar vulnerabilidades pessoais e usá-las como alavanca.
"Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades", disse Gates em sua declaração, que autorizou a divulgação antes de comparecer. O impacto foi duradouro: as revelações sobre a relação entre os dois, que vieram à tona após a prisão de Epstein em 2019, contribuíram para o fim de seu casamento e levaram sua fundação a encomendar uma investigação externa. "O encontro com Epstein foi um grave erro de julgamento e colocou esse trabalho em risco", reconheceu.
A audiência de Gates integra uma investigação mais ampla do Congresso sobre como o Departamento de Justiça conduziu — ou deixou de conduzir — as investigações sobre Epstein e sua rede. O comitê já ouviu o ex-presidente Bill Clinton e o empresário Leslie Wexner, e convocou o executivo James Staley e o bilionário Leon Black, que pagou 170 milhões de dólares a Epstein por serviços de consultoria. Epstein morreu na prisão em Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.
Bill Gates sentou-se diante do Comitê de Supervisão da Câmara na quarta-feira, 10 de junho, e descreveu como Jeffrey Epstein havia tentado usá-lo. Não era dinheiro que o financista queria recuperar naquele momento — era acesso. Depois que Gates havia começado a se afastar, Epstein recorreu a uma tática mais sombria: explorar o que sabia sobre os casos extraconjugais de Gates para pressioná-lo a retomar o contato. A audiência, que duraria cerca de quatro horas, ocorria em sessão fechada, e Gates havia autorizado a divulgação de sua declaração inicial antes de comparecer.
O relacionamento entre os dois havia começado em 2011, quando Gates foi apresentado a Epstein. Naquela época, o financista já havia se declarado culpado na Flórida por aliciar uma menor para prostituição, um acordo controverso que havia interrompido investigações federais sobre alegações de abuso sexual de dezenas de adolescentes. Gates admitiu em seu depoimento que sabia que Epstein havia enfrentado problemas legais anteriores, mas não havia compreendido plenamente a extensão dos crimes. "Aceitei a apresentação sem a devida análise", disse ele.
Até 2014, Gates e Epstein se encontraram várias vezes, principalmente para discutir a criação de um fundo de doação com aconselhamento — um instrumento filantrópico com vantagens fiscais. Epstein havia conversado sobre a estrutura com banqueiros do JPMorgan Chase e esperava receber uma remuneração pelo trabalho. O fundo nunca se concretizou. No final de 2014, as conversas praticamente cessaram, e Gates começou a se afastar.
Foi então que Gates descobriu como Epstein operava. O financista tinha um padrão sistemático: coletava informações pessoais sobre as pessoas com quem lidava, criando um arquivo de vulnerabilidades que pudesse usar como alavanca. No caso de Gates, Epstein havia reunido dados sobre suas infidelidades conjugais. "Como o público agora pode ver, com base no que foi divulgado nos arquivos, Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades", declarou Gates.
Em sua declaração, Gates reiterou que lamentava profundamente o contato com Epstein e que nunca o havia visto se envolver em conduta criminosa — uma afirmação que contrastava fortemente com o que os promotores federais haviam alegado. Segundo os procuradores, entre 2002 e 2005, Epstein havia mantido uma rede de adolescentes, algumas com apenas 14 anos, para fins de abuso sexual. Gates também afirmou que "nunca vitimou ninguém".
O impacto sobre Gates havia sido real. As revelações sobre suas interações com Epstein começaram a emergir logo após a prisão do financista em 2019 sob acusações de tráfico sexual. Essas revelações contribuíram para o declínio de seu casamento e levaram sua fundação beneficente a autorizar uma investigação externa sobre seus laços com Epstein naquele ano. "No meu trabalho, a reputação é a base para desenvolver parcerias que salvam vidas. O encontro com Epstein foi um grave erro de julgamento e colocou esse trabalho em risco", disse Gates em sua declaração.
O Comitê de Supervisão havia convocado Gates como parte de uma investigação mais ampla sobre a atuação do Departamento de Justiça nas investigações sobre Epstein e seus associados. Já havia entrevistado o ex-presidente Bill Clinton e o magnata do varejo Leslie Wexner. O comitê também havia agendado entrevistas com James Staley, executivo de Wall Street que havia sido o principal defensor de Epstein no JPMorgan durante anos, e com Leon Black, bilionário do setor de private equity que havia pagado a Epstein 170 milhões de dólares por serviços de consultoria tributária e patrimonial.
As convocações seguiram a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça americano — registros de encontros, trocas de mensagens e fotografias envolvendo empresários, políticos e outras personalidades que haviam mantido contato com Epstein ao longo dos anos. Parlamentares democratas também defendiam que o presidente Donald Trump fosse ouvido, citando sua antiga relação com Epstein, enquanto republicanos afirmavam não ter encontrado evidências de irregularidades envolvendo o atual presidente. Epstein havia morrido na prisão em Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento.
Citações Notáveis
Aceitei a apresentação sem a devida análise— Bill Gates, sobre seu encontro inicial com Epstein em 2011
O encontro com Epstein foi um grave erro de julgamento e colocou esse trabalho em risco— Bill Gates, em sua declaração ao Comitê de Supervisão