Gasolina sem etanol avança no Congresso com três propostas para veículos antigos

Uma alternativa para quem não consegue acompanhar a transição
O Congresso reconhece que uma parcela específica da frota não consegue usar gasolina com maior concentração de etanol.
Mark

Por que isso importa agora? A gasolina E32 é um aumento tão pequeno que parece que alguém está exagerando o problema.

Mimi

Não é exagero para quem tem um carro de 1980 ou um importado raro. Esses componentes foram feitos para uma gasolina diferente. O etanol corrói certos materiais ao longo do tempo.

Luke

Mas o governo testou e disse que não encontrou problemas relevantes. Então qual é a evidência real de que E32 danifica carros antigos?

Mimi

Boa pergunta. Os testes do governo foram limitados. Não sabemos quantos carros foram testados, por quanto tempo, ou se cobriram toda a variedade de modelos antigos que existem.

Mark

E se as três propostas forem aprovadas? Qual é o impacto prático?

Mimi

Você teria gasolina E0 ou E10 disponível em alguns postos, mas provavelmente mais cara e só em certos lugares, dependendo de qual projeto vencer.

Luke

Quanto mais cara? Ninguém sabe ainda. E quanto tempo levaria para instalar a infraestrutura? Isso também não está claro.

Mark

Então é basicamente uma solução em busca de um problema que talvez não exista?

Mimi

Ou é uma proteção para um problema que pode aparecer depois, quando mais carros antigos começarem a falhar. É difícil saber sem dados melhores.

Luke

Exatamente. O que temos são três propostas diferentes, 24 mil pessoas apoiando uma delas, e muita incerteza sobre custos, prazos e se realmente resolve algo.

  • Gasolina comum passou de 30% para 32% de etanol em 1º de agosto de 2026
  • Três projetos em tramitação: PL 4.783/2026, Sugestão Legislativa 30/2026 (com 24 mil apoios), e PLP 249/2026
  • Legislação brasileira permite até 35% de etanol, conforme viabilidade técnica
  • Gasolina E0 provavelmente custaria mais que E32 por usar integralmente petróleo

Gasolina comum passou de 30% para 32% de etanol em agosto de 2026, gerando preocupação com veículos antigos cujos componentes não foram desenvolvidos para essa concentração. Três propostas diferentes buscam criar alternativas: uma garante comercialização de E0, outra prevê oferta opcional de E0 e E10, e a terceira permite decisão regional dos estados.

Três projetos em discussão no Congresso Nacional propõem a oferta de gasolina E0 ou E10 como alternativa para veículos antigos e não preparados para maiores concentrações de etanol, após aumento temporário para E32.

O Brasil pode estar à beira de uma mudança rara em sua política de combustíveis. Três projetos diferentes tramitam no Congresso Nacional propondo trazer de volta aos postos gasolina com pouco ou nenhum etanol — uma reversão simbólica em um país que há décadas aprofundou sua aposta no biocombustível. A discussão ganhou urgência em agosto de 2026, quando a gasolina comum e aditivada saltou de 30% para 32% de etanol anidro, uma mudança temporária prevista para durar 180 dias enquanto o governo testa se é viável chegar aos 35% permitidos pela lei.

O problema é simples: muitos carros não foram feitos para isso. Veículos antigos, importados e modelos não flex têm componentes — carburadores, tanques metálicos, mangueiras, juntas — que foram desenvolvidos quando a gasolina brasileira tinha outra composição química. Esses materiais podem sofrer corrosão ou degradação com concentrações mais altas de etanol. O governo, porém, relativiza a preocupação. Testes realizados antes da adoção da E32 não revelaram impactos relevantes no desempenho ou na dirigibilidade dos veículos testados, segundo afirmações oficiais. Ainda assim, a incerteza alimentou o debate legislativo.

Três caminhos diferentes estão sendo explorados. O deputado Fernando Máximo, do PL de Rondônia, apresentou o PL 4.783/2026, que garantiria a comercialização de gasolina totalmente livre de etanol especificamente para veículos de interesse histórico e automóveis não preparados para biocombustíveis. O projeto ainda aguarda despacho na Câmara. No Senado, uma Sugestão Legislativa 30/2026 nasceu de uma ideia popular no portal e-Cidadania que recebeu mais de 24 mil apoios. Essa proposta é mais abrangente: ofereceria gasolina E0 e E10 como opções, mantendo as formulações convencionais para quem não precisasse delas. O terceiro projeto, o PLP 249/2026 do deputado Messias Donato da União, do Espírito Santo, traz uma solução descentralizada: permitiria que estados e o Distrito Federal decidissem, conforme a demanda local, se autorizam a comercialização facultativa de E0 e E10.

Nenhuma dessas propostas significa o desaparecimento da gasolina E32. A intenção é criar uma alternativa de abastecimento para quem dela necessite, não substituir o combustível que já existe. Mas a implementação não seria imediata ou simples. Mesmo com aprovação legislativa, seria preciso estabelecer regras rigorosas de qualidade, distribuição e armazenamento, além de infraestrutura específica nos postos para evitar que os produtos se misturem. Cada etapa exigiria investimento e coordenação entre governo, distribuidoras e varejistas.

O preço é outra questão em aberto. A gasolina E0 provavelmente custaria mais do que a E32, já que utilizaria integralmente gasolina derivada do petróleo e teria uma cadeia de distribuição própria, possivelmente com menor escala de produção. Isso criaria um combustível premium para um nicho específico de proprietários — aqueles com carros antigos, importados ou simplesmente não flex que não conseguem usar a gasolina convencional sem risco.

O que está em jogo é uma tensão fundamental na política energética brasileira. De um lado, o país continua ampliando a participação do etanol na gasolina convencional, aprofundando sua aposta em um biocombustível que reduz emissões e fortalece a indústria agrícola. Do outro, o Congresso reconhece que uma parcela específica da frota — pequena, mas real — não consegue acompanhar essa transição. As três propostas refletem diferentes visões sobre como resolver esse impasse: garantir acesso universal a E0, oferecer escolha ao consumidor, ou deixar que cada região decida conforme suas necessidades. Qual delas avançará, e se alguma será aprovada, ainda é incerto.

Testes realizados antes da adoção da nova mistura não encontraram impactos relevantes no desempenho e na dirigibilidade dos veículos avaliados
— Governo brasileiro
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