Quando instituições de guarda falham por dentro, o dano se multiplica antes de ser contido. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, levou à Polícia Federal um relato sobre resistências internas que atrasaram a fiscalização do Banco Master — um atraso que, segundo ele, permitiu que irregularidades se aprofundassem enquanto servidores defendiam a regularidade de uma instituição já comprometida. Sua oposição à venda do Master ao BRB, ignorada à época, revelou-se profética quando o rombo se concretizou e o banco foi liquidado em novembro de 2025.
Galípolo relata à PF 'demora injustificada' de servidores do BC na fiscalização do Master
reuniões em clima de tensão com palavrões para cobrar providências
Por que Galípolo decidiu depor à Polícia Federal especificamente sobre essa demora na fiscalização?
Porque a investigação apura se houve cooptação de servidores do BC. Se dois supervisores estavam bloqueando relatórios sobre fraudes, isso não é apenas ineficiência — é potencialmente criminal.
Mas o depoimento de Galípolo é a versão dele. Belline e Paulo Sérgio têm suas próprias explicações para por que os relatórios demoraram?
Não sabemos ainda. O que temos é o relato de Galípolo à PF sobre as reuniões tensas e a resistência que ele experimentou.
E quanto ao rombo no BRB? Galípolo previu isso corretamente?
Sim. Ele se opôs à venda porque achava que geraria prejuízo ao banco público do DF, e efetivamente gerou.
Mas isso é uma previsão que se confirmou, não é prova de que Belline e Paulo Sérgio estavam sendo cooptados. Eles poderiam ter simplesmente discordado da análise de Galípolo.
Verdade. O que torna suspeito é a combinação: resistência em entregar relatórios, defesa da regularidade do Master apesar das inconsistências, e a necessidade de Galípolo criar uma equipe paralela.
Quando Ailton de Aquino descobriu as inconsistências, por que não resolveu o problema logo?
Ele era o superior de Belline e Paulo Sérgio, mas aparentemente não conseguiu fazer com que entregassem o trabalho. Galípolo teve que contornar a estrutura.
Isso sugere que o problema era maior que apenas dois servidores — talvez uma falha sistêmica na supervisão do Master.
The Pulse
- Dois servidores do Banco Central resistiram sistematicamente a entregar relatórios sobre fraudes no Master, mesmo sob pressão direta do presidente da instituição em reuniões marcadas por tensão e linguagem áspera.
- A paralisia na fiscalização criou uma janela perigosa: enquanto os documentos não chegavam, irregularidades nas carteiras de crédito consignado vendidas ao BRB permaneciam sem exposição formal.
- Galípolo alertou internamente contra a venda do Master ao banco público do Distrito Federal, prevendo um rombo — previsão que se confirmou e agravou o alcance do escândalo.
- Diante do impasse, o presidente do BC criou uma equipe paralela de auditoria, excluindo os dois servidores do processo — uma ruptura administrativa que sinalizou a gravidade da situação.
- A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, resultou na liquidação do Master e na prisão de Daniel Vorcaro, enquanto a PF investiga a possível cooptação dos servidores envolvidos.
Quando instituições de guarda falham por dentro, o dano se multiplica antes de ser contido. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, levou à Polícia Federal um relato sobre resistências internas que atrasaram a fiscalização do Banco Master — um atraso que, segundo ele, permitiu que irregularidades se aprofundassem enquanto servidores defendiam a regularidade de uma instituição já comprometida. Sua oposição à venda do Master ao BRB, ignorada à época, revelou-se profética quando o rombo se concretizou e o banco foi liquidado em novembro de 2025.
Gabriel Galípolo compareceu à Polícia Federal para relatar tensões internas que marcaram a fiscalização do Banco Master. Em seu depoimento, descreveu uma "demora injustificada" por parte de dois servidores do BC — Belline Santana, então chefe de supervisão bancária, e seu adjunto Paulo Sérgio Neves Souza —, que resistiam a entregar relatórios sobre irregularidades na instituição controlada por Daniel Vorcaro.
As reuniões para cobrar providências ocorreram em clima de tensão, com palavrões, segundo o próprio Galípolo. Mesmo assim, os dois servidores não apresentavam o material solicitado e defendiam a regularidade do Master. Foi Ailton de Aquino, diretor de fiscalização e superior hierárquico de ambos, quem primeiro identificou as inconsistências nas carteiras de crédito consignado que o banco havia vendido ao BRB.
Galípolo também relatou ter se posicionado contra a venda do Master ao Banco Regional de Brasília, argumentando que a operação geraria um rombo no banco público do Distrito Federal. A previsão se confirmou. Diante da paralisia persistente, o presidente do BC criou uma equipe de auditoria interna com outros servidores, excluindo Belline e Paulo Sérgio do processo.
O Banco Central acabou vetando a operação. Em 18 de novembro de 2025, o Master foi liquidado e a Operação Compliance Zero resultou na primeira prisão de Daniel Vorcaro. O depoimento de Galípolo integra uma investigação mais ampla sobre a possível cooptação de servidores do BC — questão que segue sob apuração.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, compareceu à Polícia Federal com um relato que expõe tensões internas profundas sobre a fiscalização do Banco Master. Em seu depoimento, descreveu uma "demora injustificada" no trabalho de supervisão e afirmou que dois servidores do BC — Belline Santana, então chefe de supervisão bancária, e seu adjunto Paulo Sérgio Neves Souza — resistiam sistematicamente a entregar relatórios detalhados sobre irregularidades no banco.
Segundo Galípolo, essas resistências ocorreram enquanto ele pressionava internamente pela obtenção de documentos que evidenciassem fraudes financeiras, material que deveria ser encaminhado ao Ministério Público Federal. As reuniões para cobrar providências aconteceram em "clima de tensão" e incluíram linguagem forte — palavrões — conforme relatou à PF. Apesar dessa pressão, os dois servidores não apresentavam o material solicitado e, em vez disso, defendiam a regularidade do Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro.
O presidente do BC também informou que se posicionou contrário à venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), argumentando internamente que a operação geraria um rombo significativo no banco público do Distrito Federal. Essa previsão se concretizou. Galípolo relatou que insistiu com Belline e Paulo Sérgio para ter acesso aos documentos sobre os fluxos financeiros das carteiras de crédito consignado que o Master havia vendido ao BRB, mas os dois não forneciam o material.
Foi Ailton de Aquino, diretor de fiscalização e superior hierárquico de ambos, quem primeiro identificou as inconsistências nas carteiras. Diante da demora persistente, Galípolo tomou uma decisão administrativa: criou uma equipe de auditoria interna com outros integrantes do BC, excluindo Paulo Sérgio e Belline do processo. Essa medida foi necessária, conforme sua narrativa, porque o trabalho de fiscalização estava paralisado.
O Banco Central acabou vetando a venda do Master ao BRB. Em 18 de novembro de 2025, o banco foi liquidado e deflagrou-se a Operação Compliance Zero, que resultou na primeira prisão de Daniel Vorcaro. O depoimento de Galípolo à PF integra uma investigação mais ampla sobre possível cooptação de servidores do BC — uma questão que permanece sob apuração enquanto as consequências da operação continuam se desdobrando.
Notable Quotes
Galípolo afirmou que houve uma demora injustificada no trabalho de fiscalização do Banco Master— Gabriel Galípolo, em depoimento à Polícia Federal
Galípolo se posicionou contra a venda do Master ao BRB porque achava que a operação geraria um rombo no banco público do DF— Gabriel Galípolo, em depoimento à Polícia Federal