Num lapso aparentemente menor — confundir doze anos de reinado com vinte —, Pedro Sánchez revelou uma tensão mais profunda entre o Governo espanhol e a Casa Real sobre Ceuta, enclave no coração de uma crise migratória e de uma delicada geometria diplomática com Marrocos. O erro não foi apenas cronológico: expôs o veto silencioso do Executivo a uma visita de Felipe VI ao território, adiada para não provocar Rabat às vésperas das suas eleições legislativas. Entre a lealdade à monarquia e a necessidade de preservar a cooperação marroquina, Sánchez navega um equilíbrio cada vez mais custoso.