Maria Rita é filha da lendária Elis Regina e do maestro Cesar Camargo Mariano, tendo herança musical também pelo lado paterno com outros meios-irmãos músicos. Apesar da origem musical, a artista relutou em seguir carreira como cantora, trabalhando como estagiária de gravadora, bibliotecária e até na revista Capricho aos 15 anos.
FV24: cinco curiosidades sobre a trajetória de Maria Rita
Talvez eu seja só uma sambista temporária
Por que uma artista com essa herança toda — filha de Elis Regina, pai maestro — levou tanto tempo para se assumir como cantora?
Acho que é justamente porque a herança era tão pesada. Quando você nasce dentro de uma lenda, tem que encontrar seu próprio caminho, não apenas repetir o que veio antes. Maria Rita precisava provar para si mesma que queria isso, não que era obrigada.
Mas a gente não sabe exatamente o que a fez hesitar. A fonte diz que ela "fingia que não queria", mas não explica por quê. Era medo? Pressão? Falta de confiança? Fica em aberto.
E essa passagem pelo samba — ela realmente achava que seria temporária?
Sim. Quando "Samba Meu" saiu em 2007, ela disse em entrevista que talvez fosse só uma fase. Ela não se via como sambista de verdade porque não tinha crescido no morro, não tinha aquela vivência.
Mas aqui a gente tem só uma entrevista de um momento específico. Não sabemos se ela continuou dizendo isso depois, ou se mudou de ideia gradualmente. O que sabemos é que o samba virou central na carreira dela, mas o "como" e o "quando" dessa mudança não está documentado aqui.
A história do estágio na Capricho é curiosa. Como isso se conecta com a música?
Não se conecta diretamente. É mais um retrato de quem ela era antes de abraçar a carreira musical — uma adolescente curiosa, trabalhadora, envolvida em coisas criativas, mas não necessariamente na música.
Exato. É um detalhe interessante sobre a personalidade dela, mas a fonte não explica por que isso importa para entender Maria Rita como artista. É um fato solto.
Le Pouls
- Maria Rita se apresenta no Festival de Verão Salvador em 28 de janeiro de 2024 com Thiaguinho
- Filha de Elis Regina e do maestro Cesar Camargo Mariano; carreira com mais de 20 anos
- Álbum 'Samba Meu' (2007) vendeu 300 mil cópias com hits como 'Num Corpo Só' e 'Tá Perdoado'
- Lançou EP 'Desse Jeito' em 2022 com duas composições autorais durante a pandemia
Maria Rita é filha da lendária Elis Regina e do maestro Cesar Camargo Mariano, tendo herança musical também pelo lado paterno com outros meios-irmãos músicos. Apesar da origem musical, a artista relutou em seguir carreira como cantora, trabalhando como estagiária de gravadora, bibliotecária e até na revista Capricho aos 15 anos.
Maria Rita, filha de Elis Regina, se apresenta no Festival de Verão Salvador 2024 com Thiaguinho. Artista com mais de 20 anos de carreira passou por MPB e samba, tendo uma trajetória marcada por curiosidades pessoais e profissionais.
Maria Rita sobe ao palco Ponte do Festival de Verão Salvador no domingo, 28 de janeiro de 2024, acompanhada pelo cantor Thiaguinho. A apresentação marca mais um capítulo de uma carreira que já ultrapassa duas décadas e que, apesar de enraizada na música desde o nascimento, foi construída com hesitação e desvios inesperados.
A herança musical de Maria Rita vem de duas frentes. Sua mãe é Elis Regina, a cantora que a crítica ainda reconhece como uma das maiores vozes do Brasil — Elis viveu entre 1945 e 1982. Seu pai é Cesar Camargo Mariano, maestro e arranjador que foi casado com Elis por nove anos. Desse casamento nasceram Maria Rita e seu irmão Pedro Mariano, também cantor. Mas a linhagem não para aí. Do primeiro casamento de Elis, com Ronaldo Bôscoli entre 1967 e 1972, veio João Marcello Bôscoli, produtor e meio-irmão de Maria Rita. Pelo lado paterno, ela tem ainda dois outros meios-irmãos ligados à música: Marcelo e Luísa. A música, portanto, não era apenas um ambiente — era a própria estrutura familiar.
Mesmo assim, Maria Rita resistiu. Aos 18 anos, mudou-se para os Estados Unidos, onde seu pai morava, e se formou em Comunicação Social e Estudos Latino-Americanos na Universidade de Nova York. Quando voltou ao Brasil em 2002, trabalhou como produtora do irmão Pedro Mariano, mas ainda não havia assumido o microfone para si mesma. Antes disso, aos 15 anos, havia vivido uma experiência que pouco tinha a ver com música: foi estagiária da revista adolescente Capricho. Lá começou abrindo envelopes com tesoura, separando cartas dos leitores. Depois passou a responder essas cartas, ajudou em pesquisas visuais e de textos para repórteres, e eventualmente escreveu críticas de livros para adolescentes. Suas contribuições ganharam as páginas da revista — ela assinou matérias, participou de um concurso que oferecia a leitoras a chance de passar uma semana como estagiária. Também trabalhou como bibliotecária e estagiária de gravadora. "Sempre quis ser cantora, mas fingia que não", disse em entrevista de 2004 à revista Oi.
Seus primeiros shows como cantora aconteceram em São Paulo, ao lado do violonista Chico Pinheiro. Dois álbuns de MPB a colocaram entre os grandes nomes do gênero. Mas em 2007, Maria Rita fez uma virada: lançou "Samba Meu", um disco inteiramente dedicado ao samba. O álbum vendeu 300 mil cópias e trouxe sucessos como "Num Corpo Só" e "Tá Perdoado". A mudança, porém, não era vista por ela como permanente. Na época, em entrevista ao Correio Braziliense, Maria Rita expressou dúvida sobre sua identidade como sambista. "Não posso dizer que sou sambista... Sou de São Paulo, de classe média, não nasci ouvindo samba, nem no morro. Há elementos do imaginário coletivo que eu realmente não tenho. Talvez eu seja só uma sambista temporária", disse. O "talvez" se dissolveu com o tempo. A dedicação ao samba se aprofundou, e o gênero se tornou central em sua obra.
Durante a pandemia de Covid-19, Maria Rita descobriu um novo caminho: a composição. Em 2022, lançou o EP "Desse Jeito", que traz duas canções de sua autoria. Uma delas, "Canção da Erê Dela", conta com a participação de Teresa Cristina. A outra, "Por Vezes", traz Thiaguinho — o mesmo cantor que a acompanhará no palco Ponte em janeiro. Essa faixa deve estar no setlist do show, fechando um círculo entre o trabalho recente de Maria Rita e sua apresentação no festival.
Citations marquantes
Sempre quis ser cantora, mas fingia que não. Fui estagiária de gravadora e até bibliotecária— Maria Rita, em entrevista de 2004 à revista Oi
Talvez eu seja só uma sambista temporária— Maria Rita, em entrevista ao Correio Braziliense na época do lançamento de 'Samba Meu'