No limiar de uma eleição, o Supremo Tribunal Federal tornou-se palco de uma disputa que vai além de uma notícia falsa sobre a padroeira do Brasil: trata-se de uma tensão profunda sobre quem detém a palavra final dentro da própria corte. O ministro Luiz Fux reverteu a decisão de Flávio Dino, suspendendo novamente publicações sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida, e devolveu ao plenário a responsabilidade de arbitrar — não apenas o caso, mas o próprio método de decidir. É um momento em que as instituições se olham no espelho e perguntam se ainda reconhecem a si mesmas.
Fux suspende novamente publicações sobre Nossa Senhora Aparecida, contrariando Dino
Suspende-lhe os efeitos externos até a deliberação do colegiado
Por que um ministro do Supremo pode simplesmente reverter a ordem de outro ministro assim, sem passar pelo plenário primeiro?
Tecnicamente, Fux não cassou a decisão de Dino — apenas suspendeu seus efeitos enquanto aguarda a análise do plenário. É uma manobra processual que explora a urgência eleitoral.
Mas a questão é: quem define o que é urgente o suficiente para justificar essa suspensão? Fux citou a proximidade das eleições, mas Dino também tinha razões para sua decisão.
E essa notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida — ela realmente virou viral?
Sim, circulou bastante nas redes nos últimos dias. A campanha de Flávio Bolsonaro se sentiu prejudicada o suficiente para recorrer ao Supremo.
O que não sabemos é o alcance real dessa desinformação ou se a suspensão de publicações é a melhor forma de lidar com ela. Mendonça classificou como "notoriamente inverídica", mas quem verifica essa classificação?
Qual é o papel de Edson Fachin nessa história?
Ele é o presidente do STF e sinalizou que vai levar o caso ao plenário na quarta-feira. Ele também já havia alertado sobre conflitos processuais dentro da corte.
Mas Fachin também tem suas próprias posições nessas disputas. Não é um árbitro neutro — ele está tentando gerenciar uma crise institucional que envolve vários ministros em lados diferentes.
Isso tudo parece muito político para uma corte suprema.
É. O caso de Nossa Senhora Aparecida é apenas a superfície. Por baixo, há disputas sobre quem controla qual processo, como as decisões são tomadas e quem tem poder sobre o que.
E o que realmente está em jogo é a confiança nas instituições. Se o público vê ministros revertendo uns aos outros constantemente, fica difícil entender qual é a autoridade final.
El Pulso
- Uma notícia falsa afirmando que Flávio Bolsonaro retiraria o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida viralizou e sacudiu sua campanha eleitoral nos dias que antecederam o pleito.
- André Mendonça, pelo TSE, ordenou a remoção do conteúdo por considerá-lo 'notoriamente inverídico'; Flávio Dino, pelo STF, reverteu a ordem — e Fux reverteu Dino em menos de 24 horas.
- A campanha de Bolsonaro argumentou que, em tempo eleitoral, desinformação em escala pode contaminar o processo antes que qualquer correção chegue a tempo.
- Fux sustentou que sua decisão não cassava a de Dino, mas apenas suspendia seus efeitos até o plenário se pronunciar — uma distinção técnica carregada de peso político.
- Nos bastidores, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, prepara reação formal contra o que descreve como manipulações na designação de relatores no Supremo.
- O presidente do STF, Edson Fachin, deve convocar deliberação do plenário nesta quarta-feira, em meio ao que ele próprio já chamou de 'grave lesão à ordem pública' por conflitos entre ministros.
No limiar de uma eleição, o Supremo Tribunal Federal tornou-se palco de uma disputa que vai além de uma notícia falsa sobre a padroeira do Brasil: trata-se de uma tensão profunda sobre quem detém a palavra final dentro da própria corte. O ministro Luiz Fux reverteu a decisão de Flávio Dino, suspendendo novamente publicações sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida, e devolveu ao plenário a responsabilidade de arbitrar — não apenas o caso, mas o próprio método de decidir. É um momento em que as instituições se olham no espelho e perguntam se ainda reconhecem a si mesmas.
Na segunda-feira, o ministro Luiz Fux desfez em um dia o que seu colega Flávio Dino havia decidido no domingo: determinou a suspensão de publicações sobre uma notícia falsa que afirmava que Flávio Bolsonaro, se eleito, retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A história havia se espalhado rapidamente pelas redes sociais e preocupado a campanha do senador.
A sequência de decisões revelou um tribunal em conflito consigo mesmo. Na sexta-feira anterior, André Mendonça, atuando como ministro do TSE, já havia ordenado a remoção do conteúdo, classificando-o como 'notoriamente inverídico'. Dino liberou as publicações no domingo. A campanha de Bolsonaro recorreu então a Fux — relator do Marco Civil da Internet e aliado de Mendonça na corte —, argumentando que desinformação em escala eleitoral pode causar danos irreversíveis antes que qualquer correção tenha efeito útil.
Fux acolheu o argumento e justificou sua decisão pela proximidade das eleições: se o plenário só se reunisse após o pleito, a tutela de urgência teria perdido seu sentido. Cuidou de deixar claro, porém, que não cassava a decisão de Dino — apenas suspendia seus efeitos externos até a deliberação coletiva.
O episódio expõe fraturas mais profundas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, começou a articular uma resposta formal ao movimento de Dino, incluindo um ofício a Fachin sobre o que descreve como manipulações na escolha de relatores no Supremo. Fachin, que já havia invocado a expressão 'grave lesão à ordem pública' ao tentar conter conflitos anteriores entre ministros, deve levar o caso ao plenário nesta quarta-feira. O que começou como uma notícia falsa sobre uma santa tornou-se um teste sobre a coesão da mais alta corte do país.
Na segunda-feira, o ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal tomou uma decisão que reverteu a ordem de seu colega Flávio Dino apenas um dia antes. Fux determinou que publicações sobre Nossa Senhora Aparecida fossem suspensas novamente, dando 24 horas para que a medida fosse cumprida e pedindo que o plenário da corte analisasse o caso.
O conflito começou com uma notícia falsa que circulava nas redes sociais: a afirmação de que Flávio Bolsonaro, se eleito, retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A história virou viral nos últimos dias e preocupou a campanha do senador. No domingo anterior, Dino havia liberado as publicações sobre o tema. Mas na sexta-feira anterior a isso, André Mendonça, na condição de ministro do Tribunal Superior Eleitoral, havia ordenado que as redes sociais removessem o conteúdo, classificando-o como "notoriamente inverídico" e pedindo que os provedores agissem preventivamente contra a disseminação, inclusive sem esperar por novas ordens judiciais específicas.
A campanha de Flávio Bolsonaro recorreu a Fux após a decisão de Dino. Fux é relator da ação do Marco Civil da Internet e, atualmente, integra a ala de ministros que apoiam Mendonça no Supremo. Os advogados do candidato argumentaram que a questão era particularmente sensível no contexto eleitoral, já que informações falsas podem alcançar milhões de pessoas antes que qualquer correção posterior tenha efeito útil, comprometendo a legitimidade do processo eleitoral diante dos prazos apertados.
Em sua decisão, Fux justificou a medida citando a proximidade das eleições. Argumentou que o referendo da decisão de Dino havia sido designado para uma sessão presencial sem data marcada, e que se ocorresse após o pleito, teria perdido sua utilidade — um pressuposto essencial para qualquer tutela de urgência. O magistrado deixou claro que sua decisão não "cassava" a de Dino, apenas "suspendia seus efeitos externos até a deliberação do colegiado", referindo-se ao plenário do Supremo.
O presidente do STF, Edson Fachin, sinalizou que deve levar o caso a deliberação pelo pleno na quarta-feira. Nos bastidores, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, começou a preparar uma reação ao movimento de Dino. A estratégia incluiu conversar com Fachin e enviar um ofício formalizando pedidos de providências contra o que entende como manipulações na definição de relatores de processos no Supremo.
Este episódio reflete tensões maiores dentro da corte. Kassio mencionou em sua manifestação a decisão de Fachin para tentar frear uma crise anterior entre Alexandre de Moraes e Mendonça em torno do caso do Banco Master. Ao suspender medidas de colegas, Fachin havia afirmado haver um "quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública". O caso de Nossa Senhora Aparecida agora se soma a essas disputas institucionais, com ministros em posições divergentes sobre como a corte deve proceder.
Citas Notables
A questão se torna ainda mais sensível no ambiente eleitoral, em que a informação falsa pode alcançar milhões de pessoas antes que qualquer reparação posterior produza efeito útil— Advogados de Flávio Bolsonaro
Quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública— Edson Fachin, presidente do STF