Fundo imobiliário oferece solução de arrendamento estável após despejo controverso de mulher de 87 anos que vivia no apartamento há mais de 70 anos. Caso gerou protestos massivos com 400 pessoas, debate nacional sobre vulnerabilidade de idosos e direito à habitação em Espanha.
Fundo imobiliário propõe regresso de Maricarmen ao apartamento em Madrid
Nem mais uma Maricarmen — o lema que resume a luta por habitação segura
Porque é que a Urbagestión apresenta esta proposta agora, depois de ter despejado Maricarmen?
A empresa diz que quer coordenar com a câmara uma solução estável. Mas o timing é suspeito — vem depois da pressão pública massiva e dos protestos.
Espera. A proposta foi feita no mesmo dia do despejo? Isso é importante. Significa que a empresa estava a preparar isto antes, ou é uma reação de danos?
O comunicado foi divulgado após o despejo, mas não sabemos quando foi realmente apresentado à câmara.
E a câmara e o Sindicato não foram informados?
Exatamente. O Sindicato dos Inquilinos, que tem estado ao lado de Maricarmen, diz que não recebeu qualquer informação prévia.
Isso levanta uma questão: se a proposta é genuína, porque não foi comunicada aos atores principais antes?
A Urbagestión está a tentar recuperar a sua imagem?
Pode ser. A empresa comprou o apartamento por 247 mil euros e rejeitou propostas de compra. Agora oferece arrendamento acessível.
Mas arrendamento não é propriedade. Maricarmen teria segurança habitacional, mas não seria dona da sua casa.
E o que é que o Sindicato quer fazer agora?
Mantém a manifestação de sábado. O lema é claro: "Nem mais uma Maricarmen". Querem mudanças estruturais, não apenas soluções caso a caso.
The Pulse
- Maricarmen Abascal, 87 anos, despejada da casa onde vivia há mais de 70 anos
- Fundo Urbagestión comprou o apartamento por 247 mil euros
- Cerca de 400 pessoas tentaram impedir o despejo; houve carga policial
- Manifestação marcada para sábado em Madrid com lema 'Nem mais uma Maricarmen'
- Sindicato dos Inquilinos não foi informado da proposta de arrendamento acessível
Fundo imobiliário oferece solução de arrendamento estável após despejo controverso de mulher de 87 anos que vivia no apartamento há mais de 70 anos. Caso gerou protestos massivos com 400 pessoas, debate nacional sobre vulnerabilidade de idosos e direito à habitação em Espanha.
A Urbagestión propõe integrar o apartamento de Maricarmen, idosa de 87 anos despejada em Madrid, num programa municipal de arrendamento acessível, gerando polémica sobre direitos habitacionais.
A Urbagestión, o fundo imobiliário responsável pelo despejo de Maricarmen, apresentou uma proposta à câmara municipal de Madrid na quarta-feira, 23 de setembro — o mesmo dia em que a mulher de 87 anos foi removida do apartamento onde havia vivido durante mais de sete décadas. A empresa sugere integrar o imóvel num programa municipal de arrendamento estável e acessível, oferecendo uma solução habitacional que, segundo o comunicado divulgado aos jornais El País e El Economista, permitiria à idosa regressar à sua casa.
Maricarmen Abascal, com mobilidade reduzida, foi despejada após múltiplas tentativas legais. O despejo foi marcado por tensão: cerca de 400 pessoas reuniram-se no edifício da rua Alcalde Sainz de Baranda, no bairro de Retiro, uma das zonas mais caras de Madrid, tentando impedir a entrada das forças de segurança. A carga policial dispersou os manifestantes, transformando o caso numa questão nacional sobre vulnerabilidade de idosos e direito à habitação em Espanha.
A Urbagestión adquiriu o apartamento por 247 mil euros ao antigo proprietário de Maricarmen. A empresa esclarece que é proprietária apenas daquele imóvel específico, não de todo o edifício número 46. No comunicado, a Urbagestión afirma estar à disposição da Empresa Municipal de Habitação e Terrenos e dos Serviços Sociais municipais para resolver a situação "no mais curto prazo possível". A empresa diz agir "com urgência".
No entanto, a proposta não foi comunicada previamente ao Sindicato dos Inquilinos, a organização que tem apoiado Maricarmen e liderado a contestação contra o despejo. Nem a câmara municipal recebeu informação antecipada sobre o plano. A Urbagestión garante que não recebeu qualquer proposta de compra do imóvel por parte de entidades do Estado. A única proposta formal veio da advogada do Sindicato dos Inquilinos, que sugeriu a venda a uma cooperativa da organização. O pianista britânico James Rhodes, ativista radicado em Espanha, também manifestou interesse, mas apenas como "intenção de compra" sem indicar um valor. A Urbagestión rejeitou ambas as propostas.
O Sindicato dos Inquilinos mantém uma manifestação marcada para o sábado seguinte no centro de Madrid, com o lema "Nem mais uma Maricarmen". O protesto começará na Porta do Sol e terminará em frente ao edifício do Congresso dos Deputados. A organização continua a questionar a proposta da Urbagestión e a exigir soluções mais robustas para proteger idosos vulneráveis de despejos. O caso de Maricarmen transformou-se num símbolo do debate mais amplo sobre o direito à habitação em Espanha, onde a vulnerabilidade de populações envelhecidas e de baixa renda permanece uma questão política central.
Notable Quotes
A Urbagestión coloca-se à disposição da Empresa Municipal de Habitação e Terrenos e dos Serviços Sociais municipais para que a proposta possa ser resolvida no mais curto prazo possível— Comunicado da Urbagestión