Publicação acumula 250 mil visualizações e divide opiniões sobre a prática de personalizar ativos da empresa. Especialista em RH explica que empresas podem estabelecer regras claras sobre devolução de equipamentos desde a contratação.
Funcionária viraliza ao remover adesivos de notebook no último dia de trabalho
O notebook é um ativo da organização, mas as regras precisam estar claras desde o início
Por que um vídeo de alguém tirando adesivos de um notebook virou viral? Parece tão mundano.
Porque toca em algo que muita gente sente: a tensão entre personalizar um espaço onde você passa horas e depois ter que devolvê-lo como se nunca tivesse sido seu.
Mas a empresa realmente exigiu que os adesivos fossem removidos? O vídeo mostra isso acontecendo, mas não há confirmação de que foi uma ordem.
Ótima observação. O que sabemos é que ela estava removendo os adesivos no último dia. A razão exata — se foi exigência, se foi precaução, se foi interpretação dela — não está documentada.
E quanto à cultura da empresa que o designer mostrou no segundo vídeo, com todos os computadores cheios de adesivos?
Isso complica a narrativa. Se a empresa tolera adesivos no dia a dia, por que exigiria sua remoção na devolução? Sugere uma incoerência ou uma política não comunicada.
Ou sugere que a política existe, mas não foi transmitida claramente a todos. A especialista em RH deixa isso bem explícito: as regras precisam estar claras desde a contratação.
Então a culpa é de quem? Da empresa por não comunicar, ou do funcionário por não perguntar?
Provavelmente de ambos. Mas a especialista aponta que cabe ao RH estabelecer esse diálogo desde o início.
E se houve dano ao remover os adesivos? Quem paga?
Segundo Moreira, não é automático. Depende das circunstâncias e de quem foi responsável por orientar o funcionário.
Então o vídeo viral expôs um vazio real nas políticas corporativas?
Exatamente. Mostrou que muitas empresas não têm clareza sobre essas coisas até o momento em que um funcionário sai.
O Pulso
- Vídeo acumulou cerca de 250 mil visualizações no TikTok
- Funcionária removeu adesivos no último dia de trabalho após pedir demissão
- Segundo vídeo mostrou que a maioria dos computadores da empresa tinha adesivos coloridos
- Especialista em RH aponta que empresas podem estabelecer regras, mas precisam comunicá-las na contratação
Publicação acumula 250 mil visualizações e divide opiniões sobre a prática de personalizar ativos da empresa. Especialista em RH explica que empresas podem estabelecer regras claras sobre devolução de equipamentos desde a contratação.
Vídeo viral no TikTok mostra colaboradora removendo adesivos de notebook corporativo após pedir demissão, gerando debate sobre personalização de equipamentos e políticas empresariais.
Um vídeo postado no TikTok na última semana transformou um momento ordinário de encerramento de contrato em questão de debate público. O designer Giovane Alves gravou sua colega removendo, adesivo por adesivo, as etiquetas que decoravam o notebook corporativo no seu último dia de trabalho. A legenda era direta: "POV: você pediu demissão e no último dia precisa devolver o notebook sem adesivos". A postagem acumulou cerca de 250 mil visualizações, acompanhada por uma trilha sonora melancólica que amplificou o tom da cena.
O vídeo abriu uma fissura nas redes sociais. Alguns comentários questionavam por que alguém colaria adesivos em um equipamento que não lhe pertence. "Pra que colocar? Nunca entendi, o negócio não é de uso pessoal", escreveu uma seguidora. Outros, porém, viam a situação de forma diferente. Um usuário relatou sua própria experiência: "Eu devolvi cheio de adesivo. Eles me demitiram, eles que tirem". A divisão de opiniões revelava uma tensão subjacente sobre o que é justo esperar de um funcionário ao deixar uma empresa.
Alves respondeu às críticas em uma segunda publicação, agora removida, mostrando as bancadas de trabalho da empresa. A câmera percorria o espaço e revelava que a maioria dos computadores dos colaboradores estava repleta de adesivos coloridos — muitos deles com marcas da própria companhia. A intenção era clara: demonstrar que personalizar equipamentos fazia parte da cultura interna daquele ambiente corporativo. A empresa em questão foi procurada para comentar o assunto, mas optou por não se manifestar.
Joana Moreira, executiva de recursos humanos com atuação regional na América Latina, oferece uma perspectiva estruturada sobre a questão. Segundo ela, as organizações têm direito de estabelecer critérios para o uso dos ativos que fornecem aos colaboradores. "O notebook é um ativo da organização e, por isso, faz sentido existirem orientações sobre o que pode ou não ser feito nele", afirma. O ponto crucial, porém, é a transparência. Moreira enfatiza que as diretrizes sobre devolução devem estar claras desde o momento da contratação, não surgir como surpresa no último dia.
A questão se complica quando há danos. Se a remoção de um adesivo danificar o equipamento, Moreira adverte contra a culpabilização automática do funcionário. "É preciso entender as circunstâncias, as orientações que foram dadas e a responsabilidade de cada parte. Não se trata simplesmente de transferir qualquer custo para o colaborador", pontua. Ela identifica um desafio real para o setor de RH: equilibrar a autonomia dos colaboradores com diretrizes claras o suficiente para evitar conflitos quando os contratos terminam. Sem esse equilíbrio, momentos como o do vídeo viral tendem a se repetir — e a gerar mais perguntas do que respostas.
Citações Notáveis
O notebook é um ativo da organização e, por isso, faz sentido existirem orientações sobre o que pode ou não ser feito nele— Joana Moreira, executiva de recursos humanos
Na devolução, é razoável que a empresa espere receber o equipamento nas condições previstas em sua política de uso e conservação— Joana Moreira, executiva de recursos humanos