Fumar triplica o risco de câncer de bexiga, alerta urologista

Estimativa do INCA de cerca de 11,3 mil novos diagnósticos anuais de câncer de bexiga no Brasil no triênio 2023-2025, com diagnóstico tardio em cerca de 25% dos casos.
O corpo pode levar de 10 a 20 anos para eliminar as substâncias
O urologista explica por que o risco cresce com o tempo de consumo de cigarro.
Mark

Por que o cigarro afeta a bexiga, se a gente pensa primeiro no pulmão?

Mimi

Porque as substâncias passam pelo sangue e são eliminadas pelos rins. Na urina, elas agridem a parede da bexiga, segundo o urologista Gustavo Cardoso Guimarães.

Luke

Vale notar que o "três vezes mais risco" é atribuído ao alerta do IUCR. A reportagem não cita o estudo de origem desse número.

Mark

E o tempo de fumo pesa?

Mimi

Pesa. O médico diz que o corpo pode levar de 10 a 20 anos para eliminar os carcinógenos, então quanto mais tempo de consumo, maior o risco.

Luke

Esse prazo também é a explicação do especialista, sem referência a pesquisa no texto.

Mark

Qual o tamanho do problema no Brasil?

Mimi

O Inca estima pouco mais de 11,3 mil diagnósticos por ano entre 2023 e 2025: 7.800 homens e 3.500 mulheres.

Luke

São estimativas, não casos contados. Já os 25% de diagnóstico tardio e os 80% de sobrevivência precoce aparecem sem fonte explícita.

Mark

O que a pessoa deve observar?

Mimi

Sangue na urina é o primeiro sinal mais comum. Dor e urgência para urinar costumam vir em fases avançadas, e quem está em grupo de risco deve fazer exames periódicos.

  • O cigarro lança substâncias cancerígenas pelo corpo inteiro, e elas chegam à bexiga por meio dos rins.
  • Fumantes correm risco até três vezes maior de câncer de bexiga, e esse perigo se acumula ano após ano.
  • O sangue na urina costuma ser o primeiro grito do tumor, mas muitas vezes passa despercebido ou é ignorado.
  • Cerca de um quarto dos diagnósticos chega tarde, quando o tumor já pressiona a bexiga ou obstrui a urina.
  • Os médicos apostam na detecção precoce: com diagnóstico cedo, a sobrevivência gira em torno de 80%.

Um alerta vindo do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica lembra que o cigarro não age apenas sobre os pulmões: suas substâncias passam pelos rins, atingem a parede da bexiga e permanecem no corpo por anos. Quem fuma tem risco até três vezes maior de desenvolver esse tumor, e esse risco cresce com o tempo de hábito. No Brasil, onde o Inca estima mais de 11 mil novos casos por ano no triênio 2023-2025, a mensagem é antiga, mas ganha peso quando se percebe que o sinal de alerta pode ser discreto e tardio.

O alerta partiu do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica, cujo diretor, o urologista Gustavo Cardoso Guimarães, explicou em entrevista à Folha de S. Paulo como a fumaça do cigarro chega até a bexiga. Ao respirar a fumaça, a pessoa põe em circulação substâncias que atravessam pulmão e sangue e são eliminadas pelos rins, machucando a parede da bexiga no caminho. Entre as centenas de produtos químicos do tabaco, pelo menos 40 são comprovadamente cancerígenos, e o tabaco industrializado concentra ainda mais essas substâncias.

O efeito é lento para desaparecer. O organismo pode levar de 10 a 20 anos para se livrar desses agentes, e por isso o risco cresce com cada ano de fumo. O câncer de bexiga, décimo em incidência no mundo, costuma surgir a partir dos 55 anos e atinge sobretudo homens. Só no Brasil, o Inca estima cerca de 11,3 mil diagnósticos anuais no triênio 2023-2025.

O problema é que os sintomas iniciais são discretos e, por isso, o diagnóstico tardio ocorre em cerca de 25% dos casos, sobretudo entre mulheres. O sinal mais comum é o sangue na urina, às vezes visível a olho nu, acompanhado por dor e vontade frequente de urinar. Quando a doença é encontrada cedo, a sobrevivência chega a cerca de 80%, por isso o Inca recomenda exames periódicos para quem pertence a grupos de risco, mesmo sem sintomas.

O alerta vem do IUCR, o Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica: quem fuma tem três vezes mais risco de desenvolver câncer de bexiga do que quem não fuma. A afirmação foi detalhada pelo urologista Gustavo Cardoso Guimarães, diretor da instituição, em entrevista à Folha de S. Paulo.

O mecanismo, explica ele, passa pelos rins. As substâncias da fumaça do cigarro são eliminadas por eles e, no caminho, agridem a parede da bexiga. Segundo Guimarães, o fumo carrega centenas de produtos químicos, e pelo menos 40 deles são comprovadamente cancerígenos. O tabaco in natura já faz mal, diz o médico, mas o processado pela indústria é pior, porque concentra mais esses carcinógenos. Eles entram pela respiração, chegam ao pulmão e à corrente sanguínea e circulam pelo corpo inteiro.

O efeito também demora a ir embora. De acordo com o urologista, o organismo pode levar de 10 a 20 anos para eliminar as substâncias cancerígenas. Por isso, quanto mais tempo a pessoa fuma, maior o risco de desenvolver a doença.

O cenário geral é conhecido. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o uso do tabaco é fator de risco para doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, câncer e diabetes. A estimativa é que 12% da mortalidade mundial seja atribuída ao tabaco.

O câncer de bexiga ocupa a décima posição em incidência no mundo. É mais comum a partir dos 55 anos, com pico entre os 60 e os 70. Para o triênio 2023-2025, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima pouco mais de 11,3 mil diagnósticos por ano no Brasil: 7.800 em homens e 3.500 em mulheres.

Os sintomas podem ser leves, o que leva a diagnóstico tardio em cerca de 25% dos casos, especialmente entre mulheres. Quando a doença é detectada cedo, a sobrevivência é de aproximadamente 80%.

O primeiro sinal costuma ser sangue na urina, às vezes visível a olho nu, e só a avaliação médica confirma se há câncer. Dor e vontade frequente de urinar, sem conseguir esvaziar a bexiga por completo, também aparecem. Esses sintomas surgem sobretudo em estágios avançados, quando o tumor pressiona a bexiga ou obstrui o fluxo da urina, o que pode causar acúmulo de urina nos rins.

Segundo o Inca, a detecção precoce pode ser feita com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos em quem apresenta sinais sugestivos. Pessoas de grupos de risco, mesmo sem sintomas, devem fazer exames periódicos.

O fumo tem centenas de produtos químicos ligados a ele. Pelo menos 40 são comprovadamente cancerígenos.
— Gustavo Cardoso Guimarães, urologista e diretor do IUCR, à Folha de S. Paulo
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