Fujimori se aproxima da vitória presidencial no Peru com 50,11% dos votos

Não há possibilidade de que o resultado mude
Analista de dados avalia a distribuição dos votos ainda a apurar e conclui que Fujimori mantém vantagem insurmontável.

No Peru, uma nação acostumada a ver Keiko Fujimori chegar perto do poder e recuar, a quarta tentativa da filha do ex-presidente Alberto Fujimori parece finalmente convergir para uma vitória histórica. Com mais de 99% dos votos apurados e uma vantagem de cerca de 39 mil votos, ela está às portas de se tornar a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência peruana — um limiar que, desta vez, a matemática eleitoral dificilmente deixará de cruzar. A disputa, porém, não termina nos números: o rival Roberto Sánchez convoca protestos e aciona a Justiça, lembrando ao país que as transições de poder raramente são apenas aritméticas.

  • Keiko Fujimori acumula 50,11% dos votos válidos e uma vantagem de 39.115 votos com apenas 0,6% da apuração restante — uma margem que analistas consideram praticamente irreversível.
  • Roberto Sánchez recusa aceitar o resultado, alega irregularidades eleitorais e convoca protestos em Lima para a sexta-feira, transformando a contagem em uma disputa institucional.
  • Cerca de 140 mil votos contestados ainda aguardam revisão, mas 60% deles vêm de Lima e do exterior — justamente as regiões de maior força eleitoral de Fujimori.
  • O analista Gonzalo Márquez, da consultoria Caleidos, descarta qualquer possibilidade de reversão, indicando que os votos pendentes tendem a ampliar, e não reduzir, a vantagem de Fujimori.
  • O Peru permanece em suspense desde o segundo turno de 7 de junho, e uma eventual confirmação da vitória encerraria três décadas de tentativas da família Fujimori de reconquistar a Presidência.

Na noite de 18 de junho, o Peru vivia a lentidão angustiante de uma apuração que parecia se recusar a encerrar. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente falecido Alberto Fujimori, estava a um passo de conquistar a Presidência pela quarta vez que tentava — e pela primeira que parecia realmente conseguir. Com 50,11% dos votos válidos e uma vantagem de 39.115 votos sobre o rival de esquerda Roberto Sánchez, apenas 0,6% da votação ainda aguardava contagem.

Era uma trajetória carregada de história. Três vezes Fujimori havia chegado ao segundo turno e três vezes havia perdido, a última delas em 2021, derrotada por apenas 44.200 votos por Pedro Castillo. Desta vez, a apuração apontava em outra direção — lenta, mas constante.

A possibilidade de reversão, porém, ainda existia no papel. Cerca de 140 mil votos contestados permaneciam pendentes de revisão. Sánchez, vendo a vitória se afastar, alegou irregularidades e convocou protestos em Lima, enquanto seu partido entrou com recursos judiciais para anular votos favoráveis à rival.

Os números, contudo, trabalhavam contra ele. Cerca de 60% dos votos contestados vinham de Lima e de peruanos no exterior — as bases mais sólidas de Fujimori. O analista Gonzalo Márquez, da consultoria Caleidos, foi categórico: essas eram regiões onde Fujimori deveria ampliar sua vantagem. 'Não há possibilidade de que o resultado mude', afirmou.

Se confirmada, a vitória quebraria uma barreira histórica, tornando Fujimori a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência peruana. Se contestada com sucesso, o país enfrentaria meses de turbulência institucional. O Peru, suspenso desde o segundo turno de 7 de junho, aguardava.

Na noite de quinta-feira, 18 de junho, o Peru aguardava o desfecho de uma disputa presidencial que se desenrolava com agonizante lentidão. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente falecido Alberto Fujimori, estava a poucos passos de conquistar o cargo mais alto do país — uma vitória que a tornaria a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência peruana. Com 50,11% dos votos válidos contabilizados, ela mantinha uma vantagem de 39.115 votos sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, enquanto apenas 0,6% da votação ainda aguardava apuração.

Era a quarta tentativa de Fujimori de chegar à Presidência. Três vezes antes ela havia chegado ao segundo turno e três vezes havia perdido. A derrota mais recente, em 2021, havia sido particularmente amarga: derrotada por apenas 44.200 votos pelo candidato de esquerda Pedro Castillo. Desta vez, porém, a trajetória parecia diferente. A apuração lenta mas constante apontava em sua direção.

Mas a possibilidade de uma reversão ainda pairava sobre o processo. Cerca de 140 mil votos permaneciam contestados e pendentes de revisão na manhã de quinta-feira — uma quantidade teoricamente capaz de alterar o resultado. Sánchez, vendo a possibilidade de vitória se afastar, alegou irregularidades cometidas pela autoridade eleitoral e convocou protestos em Lima para a sexta-feira. Seu partido também entrou com recursos judiciais buscando anular votos favoráveis a Fujimori, transformando o que deveria ser um processo de contagem em uma batalha institucional.

Os votos contestados, porém, não estavam distribuídos uniformemente. Cerca de 60% deles vinham de Lima e de peruanos vivendo no exterior — exatamente as áreas onde Fujimori havia conquistado seu apoio mais forte. Gonzalo Márquez, diretor da consultoria de dados Caleidos, foi direto ao ponto: essas eram regiões onde Fujimori deveria ampliar sua vantagem, não perdê-la. "Não há possibilidade, digamos, de que o resultado mude", afirmou.

A matemática, portanto, apontava para um desfecho. Enquanto a revisão lenta dos votos contestados prosseguia — mantendo o Peru em suspense desde o segundo turno realizado uma semana antes, em 7 de junho — a trajetória da apuração sugeria que Fujimori estava a caminho de uma vitória por margem estreita mas crescente. Se confirmada, ela quebraria uma barreira histórica no Peru. Se contestada, o país enfrentaria meses de turbulência institucional.

Essas são áreas em que Keiko Fujimori deve ter uma vantagem. Portanto, não há possibilidade de que o resultado mude.
— Gonzalo Márquez, diretor da consultoria Caleidos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que essa margem de 39 mil votos importa tanto em um país de milhões de eleitores?

Model

Porque em 2021, Fujimori perdeu por 44 mil votos. As pessoas aqui vivem essas eleições como ciclos de quase-vitória. Uma diferença dessa magnitude é suficiente para mudar tudo — ou para deixar tudo em dúvida.

Inventor

E esses votos contestados — por que Sánchez acredita que pode reverter o resultado?

Model

Ele não acredita, na verdade. Mas os números ainda estão sendo contados, e em eleições apertadas, você tenta tudo. Os votos pendentes são suficientes em quantidade para teoricamente mudar o resultado, então ele está usando a incerteza como arma.

Inventor

Mas os analistas dizem que esses votos vêm de áreas onde Fujimori é forte.

Model

Exatamente. Lima e o exterior — onde peruanos com mais recursos votam — historicamente favorecem candidatos de direita. Sánchez sabe disso. Por isso os protestos, por isso as alegações de irregularidades. Ele está tentando criar pressão política onde a matemática não o ajuda.

Inventor

Qual é o significado real de uma mulher vencer dessa forma?

Model

É quebrar um padrão de 200 anos. Mas há uma ironia: Fujimori é filha de um dos presidentes mais controversos do Peru, alguém que foi preso por crimes contra a humanidade. Sua vitória não é apenas sobre gênero — é sobre qual tipo de poder as mulheres herdam neste país.

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