Fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA fortalece Lula e o STF e expõe fragilidade do bolsonarismo

Quem pretendia liderar o Brasil abandonou o terreno da liderança
O texto de opinião avalia a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA após a intimação para entregar os passaportes.
Mark

Qual é o fato central aqui?

Mimi

Flávio Bolsonaro chegou aos EUA na quarta, 28, depois de intimado na segunda a entregar os passaportes e proibido de sair do país.

Mark

E ele havia dito o quê?

Mimi

Que não pretendia deixar o Brasil e que organizaria a oposição.

Luke

Vale lembrar que o texto é opinião. Palavras como covardia e tiro no pé são julgamento do autor, não fato apurado.

Mark

E os vistos? Isso é asilo?

Mimi

Não. O governo Trump confirmou vistos, o que não equivale a asilo político formal. Democratas americanos criticaram a postura.

Luke

Exato. E a pesquisa citada mede intenção de voto para o Congresso americano entre eleitores prováveis. Não prevê o Senado nem as disputas estaduais.

Mark

E os 34.393 votos após as 17 horas?

Mimi

É o número do TSE, mas não são necessariamente votos da prorrogação, porque quem estava na fila podia votar.

Luke

Então o número não prova nada sozinho. E que a ausência reduza a influência de Flávio no Congresso é projeção do autor, ainda não aconteceu.

  • O senador viajou na quarta-feira, 28, mesmo após ser intimado pelo STF a entregar o passaporte e permanecer no país.
  • Vistos concedidos pelo governo Trump foram tratados como proteção, mas não equivalem a asilo político, e democratas americanos já cobram explicações.
  • Pesquisa NPR/PBS/Marist mostra democratas à frente para o Congresso americano, com 59% de desaprovação a Trump entre eleitores prováveis, sinal de risco para quem aposta em padrinhos desgastados.
  • No Brasil, Lula recebe Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Alvorada e costura a base parlamentar enquanto Flávio fica a distância das negociações.
  • Bolsonaristas radicalizam nas redes com boicotes e defesas de demissões de eleitores do PT, enquanto a disputa sobre a prorrogação da votação segue sem prova de fraude.

Num fim de outubro em que o país ainda digere as urnas, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil para os Estados Unidos justamente no momento em que a Justiça exigia seus passaportes. Para o autor deste texto de opinião, o gesto oferece ao bolsonarismo menos um abrigo do que uma derrota silenciosa, pois reforça a tese de que decisões judiciais precisam ser cumpridas. Enquanto isso, Lula consolida sua posição com uma vitória mais ampla que a de 2022 e busca construir maioria no Congresso, onde a ausência de Flávio pode pesar nas negociações que definirão as próximas alianças.

Na quarta-feira, 28 de outubro, Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos. Dois dias antes, o senador fora intimado a entregar os passaportes e proibido de deixar o país. Ele havia prometido ficar no Brasil para organizar a oposição, e a viagem, na leitura deste texto de opinião, custou caro ao bolsonarismo.

Ao cobrar a entrega dos passaportes, Alexandre de Moraes encontrou uma resposta de Flávio que dizia não pretender sair do país. Ao partir, o senador deu argumento concreto à tese de que as decisões judiciais devem ser cumpridas, e enfraqueceu a narrativa de perseguição que vinha sustentando.

O refúgio americano também não traz a legitimidade que aliados desejavam. O governo Trump confirmou a emissão de vistos, mas isso não é asilo político. Democratas, como o deputado Joaquin Castro, cobraram explicações sobre o papel de Trump na saída.

No cenário interno, Lula sai fortalecido. Venceu com 64.256.232 votos, mais que em 2022, e recebeu no Alvorada Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que reafirmaram o diálogo institucional. Sobre a prorrogação da votação, o texto reconhece irregularidades pontuais, como 34.393 votos registrados após as 17 horas, mas afirma que isso não comprova fraude. Já o ressentimento nas redes, com boicotes e pedidos de demissão de eleitores do PT, cobra seu preço fora da bolha.

De longe, Flávio ainda poderá gravar vídeos e participar de reuniões remotas, mas terá mais dificuldade para estar nas conversas em que se negociam apoios no Congresso. O que se observa agora é como essa distância vai pesar na reorganização das alianças.

Na quarta-feira, 28 de outubro, Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos. Dois dias antes, na segunda-feira, o senador havia sido intimado a entregar seus passaportes e estava proibido de deixar o país. Ele tinha prometido ficar no Brasil e organizar a oposição. A leitura do Diário do Centro do Mundo, em texto de opinião, é que a viagem custou caro ao bolsonarismo.

Quando Alexandre de Moraes exigiu a entrega dos passaportes, Flávio reagiu dizendo que não pretendia deixar o Brasil. A saída, segundo o texto, dá um argumento concreto a favor da cautela que o senador chamara de perseguição sem fundamento, e reforça a ideia de que decisões judiciais precisam ser cumpridas.

O artigo sustenta que o refúgio americano não traz a legitimidade internacional que aliados queriam anunciar. O governo Trump confirmou a emissão de vistos, mas isso não equivale à concessão formal de asilo político. O deputado democrata Joaquin Castro criticou a iniciativa e cobrou de Trump explicações sobre seu papel na saída do senador. Os democratas da Comissão de Relações Exteriores da Câmara americana também atacaram o tratamento dado a Flávio.

O texto lembra ainda uma pesquisa NPR/PBS News/Marist, divulgada em 27 de outubro. Entre eleitores prováveis, os democratas tinham 52% das preferências para o Congresso, contra 44% dos republicanos. Nesse grupo, 59% desaprovavam Trump e 40% o aprovavam. O levantamento não define as disputas estaduais e distritais nem antecipa quem controlará o Senado, mas indica o risco de apostar num protetor desgastado.

No plano interno, o artigo trata Lula como o beneficiado. Ele venceu com 64.256.232 votos, resultado mais amplo que o de 2022. A tentativa de desqualificar a eleição pela prorrogação do horário de votação esbarra, diz o texto, no fato de que as duas campanhas pediram mais tempo. Segundo o TSE, 34.393 votos foram registrados após as 17 horas no segundo turno. O número não corresponde necessariamente a votos gerados pela prorrogação, já que quem estava na fila também tinha direito de votar. Ainda assim, são dezenas de milhares diante de uma diferença de milhões. A decisão tardia de Cristiano Zanin, que gerou confusão com o encerramento já em curso, pode ser criticada, afirma o autor, mas isso não prova fraude.

O artigo também aponta o ressentimento nas redes. A Folha registrou bolsonaristas promovendo boicotes e defendendo a demissão de trabalhadores identificados como eleitores do PT. O vereador Guilherme Kilter, eleito deputado federal pelo Paraná, divulgou a frase “Demitir petista, gostoso demais”. Para o autor, esse sectarismo rende aplausos na bolha, mas cobra preço fora dela.

Enquanto isso, Lula monta sua base parlamentar. Na segunda-feira, recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, no Palácio da Alvorada, e os dois reafirmaram o compromisso com o diálogo institucional. O apoio de Lula à permanência da dupla no comando do Congresso já era discutido antes da eleição. A fuga fortalece essa articulação, mas não garante a reeleição de ambos.

De fora, Flávio poderá gravar vídeos e fazer reuniões remotas, mas terá mais dificuldade para participar das conversas em que se negociam apoios e maiorias no Congresso. O ponto a observar é como essa distância pesa na reorganização de alianças que começa agora.

O governo Trump confirmou a emissão de vistos, mas isso não equivale à concessão formal de asilo político.
— Diário do Centro do Mundo (texto de opinião)
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