Frio quebra recordes: Consumo de eletricidade atinge 192,3 GWh em Portugal

Três recordes consecutivos numa semana de frio
Portugal atingiu máximos históricos de consumo diário de eletricidade em 6, 7 e 8 de janeiro.
Mark

Porque é que estes recordes de consumo importam? Não é apenas frio — isso acontece todos os invernos.

Mimi

Porque nunca tínhamos visto três recordes consecutivos. E porque o recorde anterior tinha cinco anos. Isto sugere que o consumo está a crescer de forma estrutural, não apenas sazonal.

Luke

Mas a REN ajustou os números para temperatura e dias úteis. Quando fazem isso, o crescimento cai para 2,3%. Portanto, parte do aumento é realmente apenas frio.

Mimi

Verdade. Mas mesmo assim, 53,1 terawatt-hora em 2025 é o máximo de sempre. Frio ou não, o país está a consumir mais.

Mark

E conseguem abastecer tudo isto? Especialmente com aquelas restrições que mencionam após o apagão de abril?

Mimi

Conseguiram desta vez. A produção renovável atingiu 37 terawatt-hora, 68% do total. Mas Luke tem razão em questionar — as restrições técnicas existem por uma razão.

Luke

Exatamente. A REN não explica o que são essas restrições ou como afetam a capacidade real do sistema. Sabemos que existem, sabemos que foram impostas para segurança, mas não sabemos se o sistema está verdadeiramente seguro ou apenas a funcionar à beira do limite.

Mark

Portanto, o frio foi um teste?

Mimi

Sim. E o sistema passou. Mas Luke está certo — não sabemos se passou com margem de segurança ou por pouco.

  • Três dias seguidos, três recordes quebrados — uma sequência sem precedentes que expôs a pressão extrema sobre a rede elétrica nacional durante o pico do frio de janeiro.
  • Nove distritos sob aviso amarelo do IPMA forçaram famílias e empresas a ligar aquecimentos em simultâneo, criando uma procura que o sistema nunca tinha enfrentado em tão curto espaço de tempo.
  • A REN geriu a carga crescente sem colapso, mas o episódio reacendeu preocupações sobre a estabilidade de uma rede que ainda carrega as marcas do apagão de 28 de abril.
  • O consumo anual de 2025 atingiu 53,1 TWh — o valor mais alto de sempre — sinalizando que a procura energética portuguesa está em expansão estrutural, não apenas conjuntural.
  • A resposta renovável manteve-se robusta: 37 TWh de produção limpa em 2025 cobriram 68% do consumo total, mostrando que o crescimento da procura não apagou os ganhos da transição energética.

Na primeira semana de janeiro de 2026, uma vaga de frio invulgarmente intensa empurrou Portugal para território desconhecido: três recordes consecutivos de consumo diário de eletricidade, culminando em 192,3 GWh na quinta-feira, dia 8. A REN confirmou os números como máximos históricos absolutos, reflexo de um país que aquece mais, consome mais e, ao mesmo tempo, produz energia renovável como nunca antes. Neste cruzamento entre necessidade humana e capacidade técnica, Portugal revela tanto a sua vulnerabilidade ao clima como a sua crescente resiliência energética.

A primeira semana de janeiro ficará gravada na história energética de Portugal. Entre os dias 6 e 8, o país quebrou três vezes consecutivas o seu próprio recorde de consumo diário de eletricidade, atingindo o pico histórico de 192,3 GWh na quinta-feira — números confirmados pela REN, gestora das redes nacionais.

O gatilho foi o frio intenso que varreu o território. O IPMA havia colocado nove distritos sob aviso amarelo, e a resposta foi imediata: aquecedores ligados em simultâneo em lares e empresas, pressionando toda a infraestrutura elétrica. O anterior máximo, registado em janeiro de 2021 com 185,1 GWh, foi ultrapassado logo na terça-feira e voltou a cair nos dois dias seguintes — uma sequência sem paralelo na história do setor.

O episódio insere-se numa tendência mais ampla. Em 2025, o consumo total abastecido pela rede pública chegou a 53,1 TWh, o valor mais elevado de sempre, com um crescimento de 3,2% face ao ano anterior. Portugal consome mais energia do que em qualquer outro momento da sua história.

A outra face desta história é renovável. A produção de fontes limpas atingiu 37 TWh em 2025 — também um máximo histórico —, cobrindo 68% do consumo nacional. Um resultado notável, especialmente considerando que o sistema operou com restrições técnicas impostas após o apagão de 28 de abril, que deixou marcas profundas na infraestrutura energética do país.

Os recordes de janeiro contam, assim, duas histórias em simultâneo: a de um país cuja procura de energia cresce de forma sustentada, e a de uma rede que, apesar dos desafios de estabilidade, continua a expandir a sua capacidade de responder com fontes limpas.

A onda de frio que varreu Portugal na primeira semana de janeiro deixou uma marca indelével no consumo nacional de energia. Na quinta-feira, dia 8, o país atingiu um pico histórico de consumo diário de eletricidade: 192,3 gigawatt-hora. A cifra, divulgada pela REN, a empresa gestora das redes nacionais, representava não apenas um recorde absoluto, mas o terceiro em sequência num período de apenas três dias.

Tudo começou na terça-feira, 6 de janeiro, quando o consumo diário saltou para 186,2 gigawatt-hora, ultrapassando o anterior máximo registado em 13 de janeiro de 2021, que se fixara em 185,1 gigawatt-hora. A barreira tinha caído. Na quarta-feira, o padrão repetiu-se: novo recorde, desta vez em 188,1 gigawatt-hora. E na quinta-feira, o sistema elétrico nacional alcançou o pico de 192,3 gigawatt-hora. Três dias, três recordes consecutivos — uma sequência sem precedentes na história do consumo português de energia.

O fenómeno não era aleatório. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera havia colocado nove distritos de Portugal continental sob aviso amarelo devido ao frio intenso no fim de semana anterior. As temperaturas muito baixas forçaram famílias e empresas a aumentar o consumo de aquecimento, pressionando toda a rede elétrica nacional. Embora os avisos meteorológicos tivessem sido posteriormente retirados, o impacto no consumo de energia permanecia visível nos números.

O contexto mais amplo revelava uma tendência de crescimento sustentado. Em 2025, o consumo total de energia elétrica abastecido pela rede pública atingiu 53,1 terawatt-hora, o valor mais elevado de sempre no Sistema Elétrico Nacional. Isto representava um aumento de 3,2% em relação a 2024, ou 2,3% quando ajustado para os efeitos da temperatura e do número de dias úteis. Portugal consumia mais energia do que nunca.

Mas havia também uma história de sucesso renovável entrelaçada nestes números. A produção de energia a partir de fontes renováveis atingiu 37 terawatt-hora em 2025, igualmente um máximo histórico. Isto significava que 68% de todo o consumo nacional foi abastecido por energia renovável, mantendo-se praticamente em linha com os 70% do ano anterior, apesar das restrições técnicas que tinham sido impostas sobre a produção de eletricidade para salvaguardar a segurança de abastecimento do sistema nacional. Essas restrições tinham sido implementadas no período imediatamente após o apagão de 28 de abril, um evento que deixara marcas profundas na infraestrutura energética portuguesa.

Os recordes de consumo da primeira semana de janeiro, portanto, não contavam apenas uma história de frio e aquecimento. Contavam também a história de um país cuja procura de energia continuava a crescer, mas cuja capacidade de a satisfazer através de fontes limpas também se expandia. A rede elétrica portuguesa tinha resistido à pressão do frio extremo, e os dados sugeriam que o sistema estava a evoluir, mesmo que ainda enfrentasse desafios de segurança e estabilidade que exigiam vigilância contínua.

Sequência inédita de recordes consecutivos de consumo diário de energia elétrica em Portugal, numa altura em que o país tem registado temperaturas muito baixas
— REN
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