Por onze anos, crianças surdas confiadas a uma instituição católica em Mendoza foram submetidas a abusos que a própria Igreja tardou em reconhecer e punir. A condenação da freira Kumiko Kosaka a vinte anos de prisão — após uma absolvição revertida pela Suprema Corte — representa não apenas um veredicto judicial, mas o lento e doloroso acerto de contas de uma sociedade com o silêncio institucional. O caso do Instituto Antonio Próvolo permanece como um espelho incômodo diante das estruturas de poder que deveriam proteger os mais vulneráveis.
Freira condenada a 20 anos por abusos contra crianças surdas na Argentina
Um acusado continuou sendo padre apesar das acusações
Por que a absolvição anterior foi anulada? Havia novas evidências?
A Suprema Corte de Mendoza simplesmente anulou a decisão e ordenou um novo julgamento. O texto não especifica se houve novas provas ou se foi uma questão de interpretação legal da primeira sentença.
Isso é importante. Não sabemos se a corte encontrou erro processual, se havia evidência que não foi considerada antes, ou se foi uma questão de padrão de prova. A diferença entre absolvição e condenação merecia mais clareza.
E quanto aos padres — por que as penas deles foram tão mais altas?
Corradi recebeu quarenta e dois anos, Corbacho quarenta e cinco. Talvez porque havia mais vítimas, ou porque a duração dos abusos foi mais longa, ou porque ocupavam posições de maior autoridade.
Mas não sabemos. As sentenças podem refletir diferentes números de vítimas, diferentes tipos de abuso, ou diferentes papéis na instituição. Sem esses detalhes, é difícil entender por que Kosaka recebeu vinte anos enquanto os padres receberam mais.
O que mais preocupa você nessa história?
O fato de que Corradi nunca foi destituído do estado clerical, apesar de acusações na Itália. Ele foi notificado ao Papa, mas continuou sendo padre.
E continuou trabalhando com crianças surdas na Argentina. O Vaticano iniciou um processo canônico, mas não o removeu. Não sabemos por que esse processo não avançou ou por que levou tanto tempo.
As crianças — há algo sobre como estão agora?
O texto não menciona. Sabemos que cinco crianças surdas foram abusadas entre 2005 e 2016, mas não há informação sobre seu estado atual ou apoio que possam ter recebido.
Essa é uma lacuna real. A história se concentra na condenação, não nas vítimas. Não sabemos se receberam indenização, apoio psicológico, ou como suas vidas foram afetadas.
El Pulso
- Cinco crianças surdas foram abusadas sexualmente por mais de uma década dentro de um instituto católico que existia para educá-las e protegê-las.
- A primeira absolvição de Kosaka, em 2023, gerou indignação e foi anulada pela Suprema Corte de Mendoza, que ordenou um novo julgamento — desta vez com resultado oposto.
- Dois padres já haviam sido condenados a penas de 42 e 45 anos pelos mesmos crimes, as mais severas já aplicadas a sacerdotes católicos na Argentina.
- Um dos condenados, o padre italiano Nicola Corradi, havia sido acusado de crimes similares na Itália e mesmo assim nunca foi impedido de trabalhar com crianças na Argentina.
- O Vaticano foi alertado por ex-alunos surdos sobre Corradi antes de sua condenação, abriu processo canônico, mas jamais o destituiu do estado clerical.
- Kosaka permanece em liberdade enquanto o processo segue seu curso, mantendo viva a tensão entre o veredicto formal e a sensação concreta de justiça.
Por onze anos, crianças surdas confiadas a uma instituição católica em Mendoza foram submetidas a abusos que a própria Igreja tardou em reconhecer e punir. A condenação da freira Kumiko Kosaka a vinte anos de prisão — após uma absolvição revertida pela Suprema Corte — representa não apenas um veredicto judicial, mas o lento e doloroso acerto de contas de uma sociedade com o silêncio institucional. O caso do Instituto Antonio Próvolo permanece como um espelho incômodo diante das estruturas de poder que deveriam proteger os mais vulneráveis.
Kumiko Kosaka foi condenada a vinte anos de prisão por abuso sexual contra cinco crianças surdas no Instituto Antonio Próvolo, em Mendoza, Argentina. Os crimes se estenderam por onze anos, entre 2005 e 2016, dentro de uma instituição católica que deveria oferecer educação e acolhimento. A sentença também a proíbe de trabalhar com menores por dez anos. Por ora, ela permanece em liberdade.
A condenação não chegou sem resistência. Em 2023, Kosaka havia sido absolvida em um primeiro julgamento. A Suprema Corte de Mendoza anulou essa decisão em agosto deste ano e determinou um novo processo — que desta vez resultou em condenação, após reavaliação das evidências e dos depoimentos das vítimas.
O Instituto Próvolo já havia sido fechado, mas o rastro de danos é extenso. Dois padres foram condenados pelos mesmos abusos no mesmo local: o italiano Nicola Corradi, a 42 anos em 2019, e o argentino Horacio Corbacho, a 45 anos — as penas mais severas já impostas a sacerdotes católicos na Argentina por crimes dessa natureza. Corradi morreu em 2021 cumprindo prisão domiciliar.
A história de Corradi revela uma falha mais profunda. Ele havia sido acusado de crimes similares no Instituto Próvolo de Verona, na Itália, mas nunca foi julgado por isso. Ex-alunos surdos da instituição italiana chegaram a notificar o Papa Francisco de que Corradi dirigia um centro semelhante na Argentina. O Vaticano abriu um processo canônico, mas nunca o destituiu do estado clerical — ele morreu formalmente como padre da Igreja Católica.
A condenação de Kosaka encerra um capítulo, mas deixa em aberto perguntas que transcendem o caso: como instituições religiosas respondem a acusações de abuso? E o que falhou para que um homem acusado em um país continuasse a ter acesso a crianças em outro?
Kumiko Kosaka, uma freira, foi condenada a vinte anos de prisão por abuso sexual contra cinco crianças surdas no Instituto Antonio Próvolo, um estabelecimento católico em Mendoza, Argentina. Os crimes ocorreram ao longo de onze anos, entre 2005 e 2016, dentro das paredes de uma instituição que deveria ter oferecido educação e proteção. A sentença também a proíbe de trabalhar com menores durante dez anos. Por enquanto, ela permanece em liberdade enquanto o processo segue seu curso.
O caminho até essa condenação não foi direto. Em 2023, Kosaka havia sido absolvida em um primeiro julgamento. A Suprema Corte de Mendoza anulou essa decisão em agosto deste ano, determinando que um novo julgamento fosse realizado. Dessa vez, a corte chegou a uma conclusão diferente, pesando as evidências e os depoimentos das vítimas de forma que resultou na condenação.
O Instituto Antonio Próvolo já havia sido fechado, mas não antes de deixar um rastro de danos que se estende além de Kosaka. Dois padres também foram condenados pelos mesmos abusos no mesmo local. Nicola Corradi, um italiano, recebeu uma sentença de quarenta e dois anos em 2019. Horacio Corbacho, argentino, foi condenado a quarenta e cinco anos. Essas são as penas mais severas já impostas a padres católicos na Argentina por crimes dessa natureza.
Corradi morreu em 2021 enquanto cumpria prisão domiciliar. Sua história, porém, revela uma falha mais ampla na responsabilização eclesiástica. Ele havia sido acusado de crimes semelhantes no Instituto Antonio Próvolo de Verona, na Itália, mas nunca foi julgado por esses crimes. Antes de sua condenação na Argentina, o Papa Francisco havia sido notificado por ex-alunos surdos da instituição italiana sobre o fato de que Corradi dirigia um centro similar na Argentina. O Vaticano iniciou um processo canônico contra ele, mas Corradi nunca foi destituído do estado clerical — permaneceu formalmente um padre da Igreja Católica apesar das acusações documentadas.
O Papa Francisco, que recebeu essa notificação, faleceu em 2025. A questão de por que um homem acusado de abuso em um país não foi impedido de trabalhar com crianças em outro permanece sem resposta clara. O caso do Instituto Próvolo expõe não apenas os crimes cometidos contra crianças vulneráveis, mas também os mecanismos — ou a falta deles — que permitiram que um acusado continuasse em posição de autoridade sobre menores. A condenação de Kosaka fecha um capítulo, mas deixa em aberto questões sobre como instituições religiosas lidam com acusações de abuso e como protegem crianças quando há sinais de perigo.
Citas Notables
Kumiko Kosaka também não poderá cuidar de menores por dez anos— Sentença da corte