Em algum momento entre os séculos 3 e 4 d.C., mãos anônimas no Egito copiaram os versos de Homero sobre pergaminho — e esse gesto silencioso atravessou 1.700 anos até ser reconhecido, em 2024, por um pesquisador numa biblioteca holandesa. O que havia sido catalogado como um texto danificado e esquecido revelou-se um fragmento do Livro 12 da Odisseia, preservando o instante em que Hélio exige justiça por seus rebanhos profanados. A descoberta, divulgada em setembro de 2026, não é apenas arqueológica: é um lembrete de que a literatura sobrevive não por monumentos, mas por cópias humildes e atenç
Fragmento de 1.700 anos da 'Odisseia' é descoberto em biblioteca holandesa
Um pequeno pedaço de pergaminho permaneceu esquecido por décadas
Como um fragmento tão pequeno conseguiu passar despercebido por tanto tempo em uma instituição acadêmica?
Ele estava em uma coleção adquirida em meados do século 20, catalogado incorretamente como um texto do século 7. Ninguém havia feito uma análise detalhada até Kreij começar seu projeto de estudo de manuscritos antigos em 2024.
Mas isso levanta uma pergunta: quantos outros fragmentos podem estar mal catalogados em bibliotecas ao redor do mundo? A descoberta depende inteiramente de um pesquisador ter tempo e interesse em examinar cuidadosamente cada peça.
O que torna este fragmento especial em relação aos outros 30 conhecidos da Odisseia?
Não está claro se este é especialmente único em conteúdo. O que importa é que ele preserva um episódio específico e oferece evidência de como a obra era copiada e distribuída no Egito antigo.
Exatamente. A fonte não diz o que torna este fragmento diferente dos outros 30. Pode ser que seja apenas um entre muitos, mas a história da redescoberta é o que o torna notável.
Por que os pesquisadores acreditam que o códice foi produzido no Egito?
A coleção inteira veio de materiais ligados ao Egito, e a região do oásis de Faium é mencionada como a origem mais provável. O tamanho compacto sugere que era uma edição portátil, o que era comum em centros intelectuais egípcios.
Mas a fonte diz "provavelmente" e "origem mais provável". Não há certeza absoluta sobre a localização de produção ou o propósito exato do códice.
O fragmento nos diz algo novo sobre a Odisseia que não sabíamos antes?
Não exatamente algo novo sobre o conteúdo da obra, mas confirma que a Odisseia continuava sendo copiada e lida séculos após sua composição, e que circulava amplamente no Egito antigo.
Isso é importante para a história da transmissão textual, mas não muda nossa compreensão do poema em si. É mais uma evidência de como a obra foi preservada e disseminada.
Il Polso
- Um pergaminho do tamanho de um cartão de visita permaneceu décadas mal catalogado em Utrecht, confundido com um texto medieval sem importância.
- Em 2024, o pesquisador Mark de Kreij reconheceu nas letras desbotadas os versos inconfundíveis de Homero — um momento de identificação que reescreveu o valor do objeto.
- A datação entre os séculos 3 e 4 d.C. e a provável origem no oásis de Faium colocam o fragmento entre os cerca de 30 testemunhos físicos da Odisseia conhecidos no mundo.
- O trecho preservado narra a transgressão fatal dos companheiros de Odisseu — o abate do gado sagrado de Hélio — e o pedido de punição que sela o destino deles.
- A divulgação pública, quase dois anos após o achado, confirma a circulação da literatura grega no Egito antigo e reacende o debate sobre tesouros ainda não reconhecidos em coleções institucionais.
Em algum momento entre os séculos 3 e 4 d.C., mãos anônimas no Egito copiaram os versos de Homero sobre pergaminho — e esse gesto silencioso atravessou 1.700 anos até ser reconhecido, em 2024, por um pesquisador numa biblioteca holandesa. O que havia sido catalogado como um texto danificado e esquecido revelou-se um fragmento do Livro 12 da Odisseia, preservando o instante em que Hélio exige justiça por seus rebanhos profanados. A descoberta, divulgada em setembro de 2026, não é apenas arqueológica: é um lembrete de que a literatura sobrevive não por monumentos, mas por cópias humildes e atenção renovada.
Um fragmento de pergaminho de apenas 6,6 por 7,7 centímetros ficou esquecido na Universidade de Utrecht, na Holanda, por décadas. Desbotado e manchado, havia sido catalogado como um texto danificado do século 7 quando chegou à instituição em meados do século 20. Ninguém lhe prestou atenção especial até 2024, quando o pesquisador Mark de Kreij, da Radboud University, examinou a coleção de manuscritos antigos e reconheceu nas pequenas letras gregas palavras dos poemas de Homero.
O fragmento revelou-se muito mais antigo do que se supunha: parte de uma cópia da Odisseia produzida entre os séculos 3 e 4 d.C., há aproximadamente 1.700 anos. Kreij identificou que os versos pertenciam ao Livro 12 da epopeia. A descoberta só foi tornada pública em setembro de 2026, quase dois anos depois do achado. Existem atualmente cerca de 30 fragmentos semelhantes da Odisseia conhecidos no mundo, o que torna este particularmente significativo.
O pergaminho havia chegado à universidade como parte de uma coleção adquirida dos herdeiros de Carl Schmidt, estudioso alemão. Entre textos em copta, grego e outros materiais ligados ao Egito, o pequeno pedaço passara despercebido. Os pesquisadores acreditam que integrava um códice produzido no Egito por volta de 300 d.C., provavelmente na região do oásis de Faium, com dimensões semelhantes às de um leitor eletrônico moderno.
O conteúdo preservado captura um dos momentos mais decisivos da jornada de Odisseu: a chegada à ilha dos rebanhos sagrados de Hélio, a desobediência dos companheiros que matam parte do gado para se alimentar e o momento em que o deus do Sol pede a Zeus que puna os responsáveis. A consequência — uma tempestade que destrói a embarcação e mata todos, deixando Odisseu como único sobrevivente — aparece logo depois na narrativa.
Além de preservar versos que atravessaram mais de dois milênios, o fragmento oferece evidência concreta de que a Odisseia continuava sendo copiada e lida séculos após sua composição, e de que a literatura grega circulava amplamente no Egito antigo. O que passou décadas guardado como um pedaço de pergaminho danificado revelou-se um testemunho vivo de uma tradição literária que permanece presente até hoje.
Um pequeno pedaço de pergaminho, do tamanho de um cartão de visita, permaneceu esquecido em uma biblioteca holandesa por décadas. Medindo apenas 6,6 por 7,7 centímetros, desbotado e manchado pela água, o fragmento havia sido catalogado como um texto danificado do século 7 quando chegou à Universidade de Utrecht, na Holanda, em meados do século 20. Ninguém havia prestado atenção especial nele até 2024, quando o pesquisador Mark de Kreij, da Radboud University, estava examinando a coleção de manuscritos antigos da instituição e reconheceu nas pequenas letras gregas palavras que pertenciam aos poemas de Homero.
O fragmento revelou-se muito mais antigo do que se pensava. Ele é parte de uma cópia da Odisseia produzida entre os séculos 3 e 4 d.C., há aproximadamente 1.700 anos. Após comparar os versos com outras versões conhecidas da obra, Kreij identificou que o trecho pertencia ao Livro 12 da epopeia. A descoberta só foi divulgada publicamente em setembro de 2026, quase dois anos após o achado. Segundo a Universidade de Utrecht, existem atualmente cerca de 30 fragmentos semelhantes da Odisseia conhecidos em todo o mundo, o que torna este achado particularmente significativo para os estudiosos.
A coleção de manuscritos que continha o fragmento havia sido adquirida pela universidade holandesa dos herdeiros de Carl Schmidt, um estudioso alemão. Entre textos em copta, grego e outros materiais ligados ao Egito, estava este pequeno pedaço de pergaminho que havia passado despercebido. Os pesquisadores acreditam que o fragmento fez parte de um códice produzido no Egito por volta de 300 d.C., provavelmente uma edição compacta da Odisseia com dimensões semelhantes às de um leitor eletrônico moderno. A origem mais provável é a região do oásis de Faium. Como o trecho estava aproximadamente no meio do livro e possuía escrita nos dois lados, as páginas ao redor podem ter contribuído para protegê-lo ao longo dos séculos.
O conteúdo do fragmento captura um dos momentos mais decisivos da jornada de Odisseu. Os versos preservados registram a chegada do herói e seus companheiros à ilha onde ficam os rebanhos sagrados de Hélio, deus do Sol. O grupo havia sido alertado para não tocar nos animais, mas após ficar sem comida, os companheiros desobedecem e matam parte do gado para se alimentar. O fragmento preserva o instante em que Hélio descobre o que aconteceu e pede a Zeus que puna os responsáveis. A consequência aparece pouco depois na narrativa: uma tempestade destrói a embarcação e mata os companheiros de Odisseu, deixando o herói como único sobrevivente. Este episódio marca uma das últimas etapas de sua longa viagem antes do retorno a Ítaca.
Além de preservar versos de uma obra que atravessou mais de dois milênios, o fragmento oferece evidência concreta de como a Odisseia continuava sendo copiada e lida séculos depois de sua composição original. Para os pesquisadores, o achado também demonstra a circulação da literatura grega no Egito durante a Antiguidade, um período em que textos gregos eram amplamente reproduzidos e estudados nas comunidades intelectuais do mundo antigo. O que passou décadas guardado como um pequeno pedaço de pergaminho danificado revelou-se, assim, um testemunho vivo de uma tradição literária que permanece viva até hoje.
Citazioni salienti
O fragmento ajuda a mostrar que a Odisseia continuava sendo copiada e lida séculos depois de sua composição— Pesquisadores da Universidade de Utrecht