Fotógrafo italiano capta dois fenómenos atmosféricos raros simultaneamente

Um disco voador vermelho envolvendo tentáculos luminosos
Como aparece a combinação rara de um ELVE e um sprite na fotografia de Valter Binotto perto de Veneza.
Mark

Como é que um fotógrafo consegue captar algo que dura milissegundos? Parece impossível.

Mimi

A câmara está sempre ligada, a fotografar o céu noturno. Binotto usa equipamento muito sensível à luz infravermelha, o que aumenta as chances. Mas sim, é sorte combinada com técnica.

Luke

Quanto tempo levou ele a conseguir isto? Dez anos de fotografar sprites e apenas três ELVEs? Isso significa que a probabilidade é extremamente baixa.

Mimi

Exatamente. Por isso é que esta imagem é tão rara. Ele fotografou centenas de sprites, mas ELVEs são muito mais difíceis de captar.

Mark

E o que é que isto nos diz sobre as tempestades? Porque é que isto importa?

Mimi

Mostra como o pulso eletromagnético de um raio consegue viajar centenas de quilómetros e criar efeitos na ionosfera. Fenómenos que os cientistas ainda não compreendem bem.

Luke

Mas temos a certeza de que foi um único evento? Ou podia ser dois eventos separados que aconteceram a aparecer na mesma fotografia?

Mimi

A descrição de Binotto é clara — é uma formação dupla, o sprite e o ELVE a ocorrer quase instantaneamente. Mas tens razão em questionar — a ciência por trás disto ainda está em desenvolvimento.

Mark

Porque é que a imagem é vermelha?

Mimi

O nitrogénio na alta atmosfera interage com o pulso eletromagnético e emite essa cor vermelha.

Luke

E isto é reproduzível? Conseguem os cientistas estudar isto de forma sistemática, ou é sempre uma questão de sorte?

Mimi

Por enquanto, é principalmente sorte. Imagens como esta são documentos científicos valiosos precisamente porque são tão raras.

  • Dois fenómenos atmosféricos que duram milissegundos e raramente são vistos do solo apareceram juntos na mesma fotografia — uma coincidência que a maioria dos astrofotógrafos nunca testemunha.
  • O ELVE, um anel de luz que se expande na base da ionosfera a 80-100 km de altitude, e o sprite vermelho em forma de medusa, entre 40-90 km, são tão efémeros que o olho humano dificilmente os deteta sem equipamento especializado.
  • Binotto fotografa sprites há mais de dez anos e acumulou centenas de imagens, mas capturou apenas três ELVEs em toda a carreira — tornando este registo duplo excecionalmente raro.
  • A imagem revela como um único pulso eletromagnético pode propagar-se por centenas de quilómetros e criar simultaneamente dois efeitos distintos na atmosfera superior, um processo que os cientistas ainda não compreendem completamente.

Acima das tempestades que os humanos conhecem existe uma outra camada de fenómenos — brevíssimos, silenciosos e quase invisíveis — que a ciência ainda tenta compreender. Perto de Veneza, o fotógrafo italiano Valter Binotto capturou numa única imagem dois desses eventos raros: um ELVE e um sprite vermelho, ambos gerados pelo pulso eletromagnético de uma descarga elétrica que viajou centenas de quilómetros até à ionosfera. A fotografia, obtida com uma câmara adaptada para astrofotografia, é ao mesmo tempo um documento científico e um lembrete de que a atmosfera guarda dinâmicas que mal começámos a decifrar.

Valter Binotto fotografava o céu noturno perto de Veneza quando a sua câmara registou algo que parece saído de um filme de ficção científica: um disco vermelho difuso rodeado por tentáculos luminosos. A imagem é inteiramente real — e cientificamente rara.

O disco é um ELVE, um clarão brevíssimo que surge na base da ionosfera, entre 80 e 100 quilómetros de altitude, acima de grandes tempestades. Os tentáculos vermelhos são um sprite, outro evento luminoso transitório que aparece entre 40 e 90 quilómetros, geralmente após um raio particularmente energético. Ambos duram apenas milissegundos. A cor vermelha resulta da interação do pulso eletromagnético com moléculas de nitrogénio na alta atmosfera.

O que tornou possível a captura foi o equipamento: uma câmara adaptada para astrofotografia, muito mais sensível à luz infravermelha do que uma câmara convencional. Sem essa sensibilidade, os flashes seriam praticamente imperceptíveis. Binotto fotografa sprites há mais de dez anos, mas tinha capturado apenas três ELVEs em toda a carreira até este momento.

O evento começou com uma descarga elétrica que gerou um pulso eletromagnético propagado por centenas de quilómetros até à ionosfera, criando os dois fenómenos quase instantaneamente. Em declarações ao IFLScience, Binotto identificou com precisão os dois elementos na imagem. Para os cientistas, a fotografia é uma oportunidade rara de estudar como estes fenómenos se relacionam — e mais um documento que ajuda a desvendar os mistérios ainda por compreender da dinâmica atmosférica.

Valter Binotto estava a fotografar o céu noturno perto de Veneza quando capturou algo que a maioria dos astrofotógrafos nunca vê: dois fenómenos atmosféricos raros a acontecer no mesmo instante, na mesma imagem. O que aparece na fotografia parece saído de um filme de ficção científica — um disco vermelho difuso rodeado por tentáculos luminosos que se estendem para baixo — mas é inteiramente real.

O disco é um ELVE, sigla para Emissões de Luz e Perturbações de Frequência Muito Baixa Devidas a Fontes de Impulsos Eletromagnéticos. Trata-se de um tipo de evento luminoso transitório, um clarão brevíssimo que surge na base da ionosfera, a cerca de 80 a 100 quilómetros de altitude, acima de grandes tempestades. O anel expande-se com velocidade extraordinária, mas dura apenas milissegundos. Os tentáculos vermelhos no centro da imagem são um sprite, outro fenómeno luminoso transitório ainda mais efémero. Os sprites aparecem na alta atmosfera, entre 40 e 90 quilómetros, geralmente após um raio particularmente energético, e têm uma estrutura que lembra uma medusa ou uma cenoura. São tão breves e tão raros que dificilmente se conseguem observar a partir do solo.

O que tornou possível esta captura foi o equipamento de Binotto. O fotógrafo italiano utiliza uma câmara adaptada para astrofotografia, muito mais sensível à luz infravermelha do que uma câmara convencional. Esta sensibilidade aumenta significativamente as probabilidades de registar estes flashes que, de outro modo, seriam praticamente imperceptíveis ao olho humano. A cor vermelha que domina a imagem resulta da interação do pulso eletromagnético com as moléculas de nitrogénio presentes na alta atmosfera.

O evento começou quando uma descarga elétrica gerou um pulso eletromagnético que se propagou por centenas de quilómetros até atingir a ionosfera. Este pulso criou os dois eventos luminosos quase instantaneamente — o ELVE e o sprite — num fenómeno duplo que os cientistas ainda compreendem de forma incompleta. Binotto, que fotografa sprites há mais de dez anos e acumulou centenas de imagens deste tipo de evento, tinha capturado apenas três ELVEs em toda a sua carreira até este momento. Este registo perto de Veneza é particularmente valioso porque mostra os dois fenómenos a ocorrer em conjunto, algo que raramente se documenta.

Em declarações ao IFLScience, o fotógrafo descreveu a rara formação dupla com precisão: o sprite é o objeto vermelho em forma de tentáculo no centro da imagem, enquanto o disco vermelho que o envolve é o ELVE. A combinação dos dois eventos numa única fotografia oferece aos cientistas uma oportunidade rara de estudar como estes fenómenos se relacionam e como o pulso eletromagnético de uma tempestade consegue propagar-se tão longe e criar efeitos tão distintos na atmosfera superior. Imagens como esta, embora pareçam ficção, são documentos científicos que ajudam a desvendar os mistérios ainda por compreender da dinâmica atmosférica.

Desde que comecei, há mais de dez anos, fotografei centenas de sprites. Já os ELVEs, apenas três, incluindo este, que é um evento duplo.
— Valter Binotto, fotógrafo italiano
Esta é uma rara formação em dupla de Sprite e ELVE. Sprite é o objeto vermelho em forma de tentáculo no centro. O 'disco voador' vermelho ao redor deles é o ELVE.
— Valter Binotto
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