Fotógrafo egípcio registra Copa do Mundo com câmera de 1930

Vinte fotos em dois jogos — cada uma era uma decisão deliberada
Kotb fotografou apenas vinte imagens na Copa do Mundo usando câmera de 1930, priorizando qualidade sobre quantidade.
Mark

Por que escolher uma câmera de 1930 para cobrir um evento moderno? Não é mais difícil?

Mimi

Muito mais difícil. Mas essa dificuldade era o ponto. Queria conectar o primeiro Mundial ao torneio de agora.

Mark

E como você aprendeu a usar uma máquina que ninguém mais usa?

Mimi

Meses de prática. Manuais antigos, testes, ajustes. Precisava entender cada movimento antes de levar para o estádio.

Mark

Vinte fotos em dois jogos parece pouco. Você se sentia limitado?

Mimi

Não era limitação, era intenção. Cada foto precisava contar algo. Sem a possibilidade de disparar centenas de vezes, você pensa diferente.

Mark

A câmera já havia coberto outras Copas?

Mimi

Sim. Berlim em 1936, Suíça em 1954. Estava carregando décadas de história nos ombros.

Mark

O que você espera que as pessoas vejam nessas imagens?

Mimi

Que a fotografia esportiva tem raízes, que há uma conversa entre o passado e o presente. Que tecnologia antiga ainda pode contar histórias verdadeiras.

  • Uma câmera de quase cem anos foi levada a um dos maiores eventos esportivos do planeta — e funcionou.
  • Kotb passou meses decifrando manuais antigos e fazendo testes antes de se sentir seguro o suficiente para entrar em um estádio lotado com o equipamento.
  • Em dois jogos — Portugal contra Croácia em Toronto e Colômbia contra Suíça em Vancouver — ele disparou com extrema parcimônia, produzindo apenas vinte imagens intencionais.
  • O projeto provoca uma tensão real com o ritmo da fotografia moderna, onde centenas de disparos por minuto são a norma e a escassez é quase um ato político.
  • As imagens resultantes carregam uma história dupla: a dos atletas em campo e a da própria câmera, que segue vendo o mundo quase um século após sua fabricação.

Em meio à velocidade e abundância da fotografia digital contemporânea, o fotógrafo egípcio Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo de 2026 carregando uma Zeiss Ikon Ideal fabricada em 1930 — o mesmo ano do primeiro Mundial. Encontrada em uma loja de antiguidades do Cairo, a câmera já havia testemunhado os Jogos Olímpicos de Berlim e a Copa de 1954, e agora era convocada novamente para estabelecer um diálogo silencioso entre gerações de fotógrafos esportivos. Com apenas vinte imagens produzidas em dois jogos no Canadá, Kotb nos lembra que a intenção e a deliberação podem ser, por si sós, uma forma de resistência ao efêmero.

Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo com uma câmera que nasceu no mesmo ano que o torneio. A Zeiss Ikon Ideal de 1930 não era apenas um objeto antigo — era uma máquina com currículo: havia documentado os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 e a Copa do Mundo na Suíça em 1954, antes de desaparecer em uma loja de antiguidades do Cairo, onde o fotógrafo egípcio a encontrou.

Sua intenção não era nostálgica. Kotb queria traçar um fio invisível entre o primeiro Mundial e o torneio atual, reconhecendo que a fotografia esportiva tem uma linhagem — e que os fotógrafos que vieram antes dele enfrentaram desafios similares com tecnologia ainda mais primitiva. Para isso, passou meses estudando manuais antigos, praticando o foco e ajustando exposições até dominar o equipamento.

Quando chegou ao Canadá, fotografou apenas dois jogos. De tudo o que capturou, apenas vinte imagens saíram como pretendia — um número ínfimo para qualquer profissional acostumado a disparar centenas de vezes por minuto, mas que para Kotb representava decisões deliberadas e profundamente conscientes.

Em um momento em que a fotografia digital é instantânea e infinita, Kotb escolheu o caminho oposto: lento, escasso, finito. Suas imagens contam uma história dupla — a dos jogadores em campo e a da própria câmera, que continuava funcionando e registrando o mundo quase um século depois de ter sido fabricada.

Fareed Kotb chegou à Copa do Mundo com uma câmera que nasceu no mesmo ano que o torneio. A Zeiss Ikon Ideal, fabricada em 1930, pesava nos seus ombros não apenas pelo metal e vidro, mas pela história que carregava — uma máquina que havia documentado os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 e a Copa do Mundo na Suíça em 1954, antes de desaparecer em uma loja de antiguidades do Cairo, onde Kotb a encontrou.

O fotógrafo egípcio não estava ali para quebrar recordes de velocidade ou quantidade. Sua intenção era outra: estabelecer um fio invisível entre o primeiro Mundial, disputado em 1930, e o torneio que se desenrolava agora. Para isso, precisava dominar uma máquina que a maioria dos fotógrafos modernos nunca havia tocado. Passou meses aprendendo como a câmera funcionava, estudando manuais antigos, praticando o foco, ajustando a exposição, fazendo fotos de teste até que se sentisse seguro o suficiente para levar o equipamento para um estádio lotado.

Quando finalmente chegou ao Canadá, Kotb fotografou apenas dois jogos. O primeiro foi entre Portugal e Croácia, em Toronto. O segundo, Colômbia contra Suíça, em Vancouver. Do total de momentos que capturou nessas duas partidas, apenas vinte imagens saíram como pretendia. Vinte fotos em dois jogos — um número que parece minúsculo para qualquer fotógrafo contemporâneo, acostumado a disparar centenas de vezes por minuto. Mas para Kotb, cada uma delas era o resultado de uma decisão deliberada, de um entendimento profundo do que aquela câmera podia fazer e do que ele queria contar.

A escolha de usar um equipamento centenário em um evento global não era nostalgia vazia. Era uma forma de diálogo entre épocas, de reconhecer que a fotografia esportiva tem uma linhagem, que os fotógrafos que vieram antes dele enfrentaram desafios similares com tecnologia ainda mais primitiva. Aquela câmera havia visto Berlim em 1936, havia documentado a Copa de 1954 — momentos históricos capturados com a mesma engenhosidade que Kotb agora empregava.

O trabalho de Kotb ressurge agora não como uma curiosidade folclórica, mas como um projeto que resgata a história da fotografia esportiva. Suas imagens, compartilhadas com a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, contam uma história dupla: a dos jogadores em campo e a da própria câmera, que continuava funcionando, continuava vendo, continuava registrando o mundo quase um século depois de sua fabricação. Em um momento em que a fotografia digital é instantânea e infinita, Kotb escolheu o caminho oposto — lento, deliberado, finito. Vinte fotos. Duas partidas. Uma câmera que não deveria estar ali, mas estava.

Kotb adquiriu a câmera em lojas de artigos antigos no Cairo e descobriu que ela havia sido usada por outro fotógrafo que cobriu eventos históricos
— Relato à Business Insider
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