Foo Fighters retoma energia com novo baterista e raridades no Rock in Rio

Um coro monstruoso que só o Rock in Rio é capaz de produzir
Dezenas de milhares de vozes cantaram juntas o refrão de "My Hero" no palco Mundo.
Mark

Por que esse show foi tão diferente do que tocaram três anos atrás no The Town?

Mimi

Ilan Rubin trouxe uma energia completamente diferente. Ele é dinâmico, vigoroso, e o estilo dele é mais próximo ao de Taylor Hawkins. Além disso, cortaram as jams alongadas que tornavam tudo monótono.

Luke

Mas como você mede "revigorado"? É uma impressão do crítico ou há algo concreto que mudou?

Mimi

O setlist é concreto. Eles tocaram raridades que nunca tinham tocado no Brasil, como "Exhausted", de 1995. E o novo álbum quase não apareceu.

Mark

Então a banda escolheu deliberadamente não promover o novo trabalho?

Mimi

Sim. Só tocaram "Window" e "The Sky is a Neighborhood". O foco foi nos clássicos dos anos 1990 e 2000, e em "Wasting Light", de 2011.

Luke

E como você sabe que o público respondeu melhor? O texto diz que o público do Rock in Rio prefere brindes a shows.

Mimi

Verdade, mas no final as pessoas ainda pulavam e cantavam nas performances finais. Para os padrões do festival, isso é bastante.

Mark

Ilan Rubin parecia confortável no palco?

Mimi

Não totalmente. Ele parecia tímido com os novos companheiros, mas tecnicamente estava seguro.

Luke

Ele assumiu os backing vocals também, certo? Isso é uma mudança significativa na dinâmica da banda.

Mimi

Exatamente. Era uma função de Taylor Hawkins, então há uma continuidade ali, mesmo que Rubin seja um músico diferente.

  • A sombra de Taylor Hawkins ainda pairava sobre a banda, mas Ilan Rubin chegou ao palco Mundo não para apagar essa memória, e sim para reacendê-la com energia própria.
  • O show do The Town três anos antes havia deixado um gosto amargo de improvisações intermináveis — desta vez, a banda cortou o excesso e deixou as músicas respirarem por conta própria.
  • Dezenas de milhares de vozes cantando 'My Hero' em uníssono criaram um daqueles momentos que só festivais desta escala conseguem fabricar, e que nenhum estúdio jamais reproduz.
  • Raridades como 'Exhausted' e 'Marigold' funcionaram como presentes para os fãs de longa data, enquanto a única música do novo álbum caiu no silêncio relativo de quem ainda não aprendeu a letra.
  • O público do Rock in Rio — conhecido por dividir a atenção entre shows e ativações de marca — ficou plantado até a madrugada, pulando e cantando até o acorde final de 'Everlong'.

Há bandas que carregam o peso de suas próprias lendas como um fardo, e há aquelas que aprendem a transformá-lo em combustível. No primeiro dia do Rock in Rio 2026, o Foo Fighters escolheu o segundo caminho: com um novo baterista que trouxe vida onde havia apenas precisão, e um repertório que honrou décadas de história sem se render ao óbvio do presente, a banda americana lembrou ao Parque Olímpico — e a si mesma — por que certas músicas atravessam gerações inteiras de vozes.

Dave Grohl já estava encharcado de suor na terceira música. Na sexta-feira que abriu o Rock in Rio 2026, o Foo Fighters tomou o palco Mundo diante de uma multidão que se estendia até o horizonte no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro — e entregou algo que poucos esperavam de uma banda com mais de 15 apresentações no Brasil: um show genuinamente revigorado.

A diferença começou na bateria. Josh Freese, que havia substituído o saudoso Taylor Hawkins após sua morte em 2022, era correto e preciso, mas pouco mais que isso. Ilan Rubin — ex-Paramore, ex-Nine Inch Nails — trouxe dinamismo e vigor ao posto, com um estilo mais próximo ao de Hawkins, assumindo inclusive parte dos backing vocals que eram do antecessor. As improvisações, que haviam tornado o show do The Town quase tedioso, foram reduzidas a respiros entre as músicas, não mais demonstrações de virtuosismo.

O repertório também foi mais bem calibrado. Com um álbum novo na bagagem, o 'Your Favourite Toy', a banda optou por privilegiar o que tem de melhor: os clássicos dos anos 1990 e 2000 e o celebrado 'Wasting Light'. A abertura com 'All My Life', 'The Pretender' e 'Times Like These' deu o tom, e o coro monstruoso em 'My Hero' — Grohl pedindo que quem não soubesse a letra olhasse para o vizinho de 50 anos e cantasse junto — foi o pico emocional da noite.

Os fãs mais antigos foram contemplados com raridades: 'Marigold', composta antes da primeira visita de Grohl ao Brasil em 1993, quando ainda era baterista do Nirvana; 'Stacked Actors', 'Monkey Wrench', 'Aurora' — dedicada a Hawkins — e 'Exhausted', de 1995, nunca antes tocada em solo brasileiro. Do novo disco, apenas 'Window' ganhou espaço, e o silêncio relativo da plateia disse tudo.

Com quase duas horas de duração — curto para os padrões da banda — o show encerrou com 'Best of You' e 'Everlong', mantendo o público em movimento até a madrugada. Para um festival onde a concorrência de brindes patrocinados costuma ser feroz, foi uma vitória e tanto.

Dave Grohl estava encharcado de suor quando terminou de cantar a terceira música. O vocalista do Foo Fighters conduzia a banda americana através de um show dedicado, repleto de sucessos, diante de uma multidão que se estendia até o horizonte no palco Mundo, o maior do festival. Era sexta-feira, 4 de setembro, primeiro dos sete dias do Rock in Rio 2026, que segue até o dia 13 no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro.

O Foo Fighters não era novidade por aqui. Já haviam tocado mais de 15 vezes no Brasil, incluindo apresentações nas edições de 2001 e 2019 do Rock in Rio. Tinham até data marcada para voltar: no ano seguinte, com shows em estádios de São Paulo e Belo Horizonte. Uma carreira repleta de apresentações dessa magnitude poderia sugerir um show automático, burocrático. Mas o Foo Fighters de 2026 soava revigorado e mais interessante do que em sua última passagem pelo Brasil—um show que beirou o tedioso, com improvisações alongadas, no The Town, três anos antes.

Muito disso tinha a ver com o novo baterista. Na época anterior, a banda tinha Josh Freese no posto, veterano que havia substituído Taylor Hawkins, morto em 2022 e um dos símbolos da banda. Agora, quem tocava era Ilan Rubin, que já havia passado pelo Paramore e estava no Nine Inch Nails. Se Freese era apenas correto e preciso, Rubin soou dinâmico e vigoroso no palco, ainda que parecesse tímido com os novos companheiros. Seu estilo tinha mais proximidade com o de Hawkins e ele inclusive assumiu parte dos backing vocals, função que era do ex-baterista. As improvisações também ficaram mais curtas—ainda que as performances fossem alongadas, a banda gastava menos tempo inserindo sessões de improviso no meio das músicas. Agora elas soavam como respiros, não como demonstrações de virtuosismo.

O repertório foi mais bem escolhido. Apesar de trazer na bagagem um disco recém-lançado, "Your Favourite Toy", o Foo Fighters dedicou sua atenção ao que tinha de melhor: os discos dos anos 1990 e 2000, além do celebrado álbum "Wasting Light", de 2011. Começou com uma sequência de sucessos—"All My Life", "The Pretender" e "Times Like These"—e não parou de vir outra—"My Hero" e "Learn to Fly". Poucas bandas de rock em atividade têm um arsenal de hits como o do Foo Fighters. Isso ficou evidente quando dezenas de milhares de vozes no Parque Olímpico cantaram juntas o refrão de "My Hero", um coro monstruoso que só o Rock in Rio é capaz de produzir, especialmente raro naquela sexta-feira. Grohl pediu que cantassem com ele, sugerindo que quem não soubesse a letra olhasse para o cara de 50 anos ao lado e cantasse o que ele estivesse cantando.

Depois puxou três baladas—"These Days", "Walk" e "Wheels"—que deram algum fôlego à turma que estava mantendo as rodas de bate-cabeça perto do palco. Emendou depois uma raridade, "Marigold", que ele disse ter composto antes da primeira vez que veio ao Brasil, em 1993, quando era baterista do Nirvana. O Foo Fighters tratou bem os fãs "old school", como Grohl os saudou repetidamente ao longo da apresentação. Além de "Marigold", tocaram "Stacked Actors", "Monkey Wrench", "Breakout" e "Aurora"—esta, uma homenagem a Taylor Hawkins, que segundo o vocalista adorava tocá-la—e a mais rara de todas, "Exhausted", de 1995, nunca antes tocada no Brasil.

Do novo álbum, o grupo só puxou "Window", que Grohl introduziu ensinando um coro timidamente repetido pela plateia. Foi, naturalmente, o momento mais caído do show, que teve também a insossa "The Sky is a Neighborhood", lançada em 2017. O encerramento incluiu os sucessos "Best of You" e "Everlong", no que foi de longe o melhor e mais animado show deste primeiro dia do Rock in Rio. Não tão longo para os padrões do Foo Fighters, beirando as duas horas de duração. O público não arredou pé na madrugada de sábado e ainda pulou e cantou nas performances finais—o que é bastante para os padrões de plateia do Rock in Rio, majoritariamente frequentado por gente que, entre um show e um brinde de marca, costuma preferir o segundo.

Amo quando vocês cantam comigo. Se não souber a letra, olhe para o cara de 50 anos do seu lado e cante o que ele estiver cantando.
— Dave Grohl, vocalista do Foo Fighters
"Aurora" é uma homenagem a Taylor Hawkins, que adorava tocá-la.
— Dave Grohl, sobre a raridade tocada no show
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