Flávio usa cancelamento de debate para pedir 'voto de revolta' enquanto Lula mira indecisos

Me dê seu voto de revolta, me dê seu voto inteligente
Flávio Bolsonaro pede votos no primeiro turno usando o cancelamento do debate como símbolo de interferência judicial.
Mark

Por que esses 13% de indecisos espontâneos importam tanto se a pesquisa estimulada mostra apenas 2%?

Mimi

Porque quando você apresenta nomes, as pessoas respondem rápido. Mas quando pergunta sem sugestões, muita gente admite que realmente não decidiu. Esses 13% são o campo de batalha real.

Luke

Mas a pesquisa Datafolha é só uma. Há outras mostrando números diferentes?

Mark

Flávio está realmente pedindo voto de "revolta" ou isso é interpretação da campanha?

Mimi

Ele disse literalmente "me dê seu voto de revolta". Usou a palavra. A estratégia é transformar a frustração com as decisões judiciais em voto útil para ele.

Luke

E funciona? Tem evidência de que eleitores de Cury ou Caiado estão migrando para Flávio por causa disso?

Mark

Lula não foi ao debate. Por quê?

Mimi

Ele já havia decidido não comparecer antes de qualquer decisão judicial. Participou de uma entrevista em podcast no mesmo horário.

Luke

Então a narrativa de que Lula "fugiu" não é precisa. Ele escolheu não ir independentemente.

Mark

A preocupação com abstenção é real ou especulação?

Mimi

É real. A previsão de chuvas no Sudeste, a crise no STF, tudo isso pode gerar apatia. A campanha de Lula está mais preocupada com isso do que a de Flávio.

Luke

Mas não há dados sobre quantas pessoas podem abster. É um receio, não uma medição.

Mark

Qual é o maior risco para Lula agora?

Mimi

Segundo seus aliados, é perder indecisos para Flávio e sofrer abstenção. No segundo turno, há medo de que Flávio ganhe apoios de outros candidatos da direita.

Luke

E para Flávio? Qual é o cenário que o derrota?

Mimi

Não vencer no primeiro turno. Se for para o segundo, Lula parte com vantagem nos números atuais.

Mark

Os políticos do centrão estão com Lula ou com Flávio?

Mimi

Eles dizem que o cenário está aberto, mas veem tendência de Lula terminar na frente no primeiro turno. Não é um apoio explícito, é uma leitura do jogo.

Luke

Isso significa que o centrão está esperando para ver quem vence antes de se comprometer?

  • Pesquisa Datafolha: Lula 45%, Flávio 40% em votos válidos no primeiro turno
  • 13% de indecisos espontâneos contra 2% em levantamento estimulado
  • Debate da TV Globo cancelado após decisões do TSE e STF sobre participação de candidatos
  • Lula participou de entrevista em podcast Flow no horário do debate

Pesquisa Datafolha mostra Lula com 45% em votos válidos contra 40% de Flávio no primeiro turno, com empate técnico no segundo turno. Flávio acusa STF e Globo de censura após decisões que impediram sua participação no debate e determinaram inclusão de outro candidato.

Às vésperas do primeiro turno, campanha de Lula adota discurso otimista e mira indecisos, enquanto Flávio Bolsonaro usa cancelamento de debate para pedir 'voto de revolta' contra interferência judicial.

A uma semana do primeiro turno, a campanha de Lula respira aliviada com os números mais recentes. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrava o presidente petista com 45% das intenções de voto em votos válidos, contra 40% de seu principal rival, Flávio Bolsonaro. No segundo turno, porém, o quadro se aperta: 48% para Lula e 45% para o senador fluminense, tecnicamente empatados. Mas há um detalhe que move a estratégia de ambas as campanhas nesta reta final: enquanto apenas 2% dos eleitores se declaram indecisos quando apresentados com nomes de candidatos, esse número salta para 13% quando perguntados espontaneamente. São esses eleitores flutuantes que ambos os lados tentam conquistar nos últimos dias antes da votação.

A campanha petista adota tom de otimismo e confiança. José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, afirma que as ruas mostram uma onda de crescimento e que muitos eleitores que estavam indecisos estão finalmente tomando uma decisão. Ele aponta que a campanha deste ano foi marcada por questões políticas superficiais, com pouco debate sobre os problemas concretos do país, e que o protagonismo de escândalos pode ter atrasado a decisão do eleitor. Aliados de Lula reconhecem que há uma disputa intensa pelos últimos indecisos, mas também expressam preocupação com possível abstenção e com um eventual segundo turno. A previsão de chuvas no Sudeste para o domingo de votação intensifica essa preocupação.

Entre os petistas, há divergência sobre qual estratégia está funcionando. Uma ala acredita que a campanha encontrou seu eixo ao colocar luz sobre as suspeitas contra Flávio e sua ligação com milícias, e que esse esforço vai surtir efeito. Outra ala é mais cética, argumentando que a comunicação continua falha e que é difícil ter impacto substancial na última hora. Há também cálculos sobre ganhos e perdas: alguns aliados de Lula acreditam que o presidente pode ter ganhado eleitores ao proibir as bets, mas deve sofrer entre evangélicos e conservadores após a campanha de Flávio ter associado uma fala do presidente sobre "toque" em mulheres a abuso sexual.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro transformou o cancelamento do debate da TV Globo em arma de campanha. Tudo começou quando a ministra Ana Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a emissora não mostrasse o púlpito vazio de Lula, que havia decidido não comparecer. Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a participação de Renan Santos, candidato que Flávio também não queria enfrentar. Diante dessas decisões judiciais, Flávio anunciou que não participaria do debate. A Globo, então, cancelou o programa em cima da hora.

Flávio aproveitou o cancelamento para reforçar sua estratégia de voto útil, tentando desidratar as intenções de votos de seus adversários na direita, como Augusto Cury e Ronaldo Caiado, para tentar vencer no primeiro turno ou pelo menos ultrapassar Lula nesta etapa. Durante uma live que substituiu a transmissão do debate, o senador acusou o Supremo Tribunal Federal e a Globo de censura. "A censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos", disse. Flávio afirmou que Lula não apenas recusou o debate, mas usou "seus amigos no Judiciário" para impor censura à emissora.

O candidato do PL pediu explicitamente votos sob o argumento de proteger a democracia. "Me dê seu voto de revolta. Me dê seu voto inteligente já no primeiro turno", disse, argumentando que a única chance de o Brasil voltar a ter democracia seria com sua eleição. Ele pediu que eleitores que pensavam em não votar reconsiderassem, apontando a "gravidade" da situação. Seus aliados reforçaram a narrativa, afirmando que as atitudes dos ministros do STF demonstram medo de que Flávio ganhe a eleição. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, publicou que o Judiciário mostrou parcialidade e preferência por um candidato, concluindo que "a democracia está em risco, o sistema está com medo".

Para o segundo turno, Lula enfrenta outros desafios. Há temor de que Flávio ganhe novos apoios, como o de Cleitinho, favorito para o Governo de Minas Gerais. O avanço de Douglas Ruas, também do PL, no Rio de Janeiro é outro ponto crítico para a campanha petista. Políticos do centrão, ouvidos pela reportagem, afirmam que o cenário segue em aberto, mas veem tendência de que Lula termine na frente no primeiro turno. A reta final será decidida por quem conseguir mobilizar melhor esses eleitores indecisos e conter a abstenção.

A censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos
— Flávio Bolsonaro, durante live que substituiu o debate
Neste momento está tendo um processo de decisão de quem estava indeciso. A campanha deste ano foi apolítica
— José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula
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