Em um ciclo eleitoral marcado por profundas reconfigurações, o Brasil chegou ao primeiro turno de 2026 com um mapa político transformado: Flávio Bolsonaro superou Lula por 2,2 milhões de votos, revertendo a vantagem de 6,1 milhões que o presidente detinha em 2022. O que se observa não é apenas uma disputa entre candidatos, mas o deslocamento silencioso de forças regionais que redesenham o peso de estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul na balança do poder nacional. O segundo turno se anuncia como um teste sobre a capacidade de cada campo de alcançar os 33 milhões de brasileiros que, nest
Flávio supera Lula por 2,2 milhões de votos; Sul e Minas Gerais são desafios para PT
Rio Grande do Sul registrou o maior avanço bolsonarista, com Flávio alcançando 55,6% dos votos
Como é possível Flávio ter mais votos que Lula se o PT venceu em 12 estados? Isso não parece contraditório?
Não, porque alguns estados têm muito mais eleitores que outros. Flávio venceu em estados grandes como São Paulo e Minas Gerais com margens significativas, o que compensa numericamente estados menores onde Lula ganhou.
Mas precisamos ser claros: com 99,8% das urnas apuradas, esses números são praticamente finais. A questão real é o que explica essa mudança tão brusca em relação a 2022.
E o que explica? Lula tinha 6,1 milhões de votos de vantagem há quatro anos.
Vários fatores. Rio Grande do Sul é o mais dramático: Flávio foi de 48,9% para 55,6%, um crescimento de quase 7 pontos. Em Minas, que é crucial, Lula perdeu terreno significativo.
Mas o texto não explica por quê. Sabemos que aconteceu, mas as razões — desgaste do governo, rejeição, mobilização bolsonarista — não estão documentadas aqui. Temos números, não causas.
E esses 33 milhões que se abstiveram? Isso é um problema para quem?
Potencialmente para ambos, mas a abstenção recorde sugere desengajamento geral. Dos que votaram em alguém, 6 milhões escolheram o centro, principalmente Augusto Cury. Isso pode ser voto de protesto contra os dois polos.
Exatamente. E aqui está o ponto: não sabemos se esses 33 milhões vão votar no segundo turno ou se vão se abster novamente. Isso é completamente aberto.
Então o segundo turno é imprevisível?
Menos imprevisível do que parece. Flávio tem vantagem numérica e regional, mas precisa convencer eleitores do centro e da direita menor que votaram em Cury, Zema e Caiado.
E Lula precisa recuperar terreno em Minas e Rio Grande do Sul, o que parece muito difícil dado o tamanho da derrota. Mas temos apenas números de primeiro turno. Campanhas mudam coisas.
Der Puls
- Flávio Bolsonaro encerrou o primeiro turno à frente de Lula com 47% contra 45%, revertendo em um único ciclo eleitoral uma desvantagem de mais de seis milhões de votos.
- O avanço bolsonarista foi mais contundente no Rio Grande do Sul, onde Flávio obteve 55,6% dos votos — crescimento de 6,7 pontos em relação ao desempenho de seu pai em 2022 — e em Minas Gerais, estado historicamente decisivo, onde Lula perdeu terreno significativo.
- A abstenção recorde de 21% e os 9,2 milhões de votos dispersos em candidatos do centro e da direita alternativa revelam um eleitorado fragmentado e insatisfeito, cujo destino no segundo turno é imprevisível.
- Lula mantém hegemonia no Nordeste com margem de 11 milhões de votos, mas a erosão em Goiás — queda de 8,5 pontos percentuais — e a debandada no Sul e no Norte expõem vulnerabilidades estruturais em sua base.
- O segundo turno se configura como uma corrida pela mobilização de eleitores ausentes e pela conquista dos votos que migraram para Augusto Cury, Ronaldo Caiado e outros candidatos que não avançaram.
Em um ciclo eleitoral marcado por profundas reconfigurações, o Brasil chegou ao primeiro turno de 2026 com um mapa político transformado: Flávio Bolsonaro superou Lula por 2,2 milhões de votos, revertendo a vantagem de 6,1 milhões que o presidente detinha em 2022. O que se observa não é apenas uma disputa entre candidatos, mas o deslocamento silencioso de forças regionais que redesenham o peso de estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul na balança do poder nacional. O segundo turno se anuncia como um teste sobre a capacidade de cada campo de alcançar os 33 milhões de brasileiros que, neste domingo, escolheram o silêncio das urnas vazias.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições de 2026 à frente de Lula por 2,2 milhões de votos — 47% contra 45% —, revertendo a diferença de 6,1 milhões de votos e cinco pontos percentuais com que o presidente havia vencido Jair Bolsonaro em 2022. Em apenas um ciclo eleitoral, o mapa político nacional se reconfigurou de forma acentuada.
Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula manteve 12 unidades federativas. Os avanços mais expressivos do campo bolsonarista ocorreram em dois colégios eleitorais de peso. No Rio Grande do Sul, Flávio obteve 55,6% dos votos contra 35,7% de Lula, crescimento de 6,7 pontos em relação ao desempenho de seu pai em 2022. Em Minas Gerais, estado historicamente disputado e decisivo, Flávio alcançou 48,2% contra 43,3% do petista. Em Goiás, Lula registrou sua maior queda: de 39,5% em 2022 para 31,1%, perda de 8,5 pontos percentuais.
Por regiões, Flávio superou Lula no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte. Lula manteve sua hegemonia no Nordeste, vencendo com margem de 11 milhões de votos — base que segue sendo seu principal escudo eleitoral.
A abstenção atingiu recorde histórico de 21%, com 33 milhões de eleitores ausentes. Outros 9,2 milhões que compareceram não votaram em nenhum dos dois finalistas: cerca de 6 milhões foram para candidatos do centro, com Augusto Cury liderando com 3,4 milhões de votos, seguido por Ronaldo Caiado com 2,6 milhões. Outros 3 milhões distribuíram-se entre candidatos de direita fora do eixo Bolsonaro.
O segundo turno se desenha como uma disputa pela mobilização desse eleitorado disperso e pela consolidação das forças regionais. Para Lula, o desafio é conter o avanço bolsonarista em estados que historicamente integravam sua base de sustentação.
O senador Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições de 2026 com uma vantagem numérica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 2,2 milhões de votos a mais, traduzindo-se em 47% contra 45% do petista. A margem é significativamente menor do que a que Lula desfrutava quatro anos antes, quando venceu Jair Bolsonaro com uma diferença de 6,1 milhões de votos e uma vantagem percentual de cinco pontos. O cenário político se reconfigurou de forma acentuada em apenas um ciclo eleitoral.
Flávio conquistou 14 estados e o Distrito Federal, deixando 12 unidades federativas nas mãos de Lula. Essa distribuição representa uma inversão clara da força regional que seu pai havia construído em 2022. O avanço bolsonarista foi particularmente pronunciado em dois colégios eleitorais de peso: Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em Minas, Flávio alcançou 48,2% dos votos válidos contra 43,3% de Lula, uma transformação notável considerando que o estado é historicamente disputado e crucial para qualquer candidato presidencial. No Rio Grande do Sul, o resultado foi ainda mais expressivo. Flávio obteve 55,6% dos votos enquanto Lula ficou com apenas 35,7%, um crescimento de 6,7 pontos percentuais em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022, quando o pai havia conquistado 48,9% no estado.
Outros estados também registraram movimentos significativos. Em Tocantins, Flávio marcou 50,4% contra 43,4% de Lula, mantendo praticamente o mesmo patamar que seu pai havia alcançado quatro anos antes. Goiás, por sua vez, apresentou a maior queda de votação para o petista: Lula caiu de 39,5% em 2022 para 31,1% em 2026, uma perda de 8,5 pontos percentuais. Nos extremos do espectro, Roraima mostrou-se território bolsonarista praticamente inconteste, com Flávio conquistando 71,1% dos votos contra apenas 22,9% de Lula. No Piauí, a situação se inverteu completamente: Lula dominou com 71% dos votos válidos, deixando Flávio com 24,1%.
Quando observados os resultados por região geográfica, emerge um padrão que redefine o mapa político nacional. Flávio superou Lula em quatro regiões: Sudeste (diferença de 5,6 milhões de votos), Sul (5 milhões), Centro-Oeste (2,1 milhões) e Norte (462 mil). Lula manteve sua hegemonia no Nordeste, onde venceu com uma margem de 11 milhões de votos, e também no exterior, onde a diferença foi mínima, apenas 13 mil votos. Comparado com 2022, quando Bolsonaro havia vencido em três regiões (Sul, Sudeste e Centro-Oeste), o resultado de Flávio representa uma consolidação e expansão dessa força, particularmente no Norte.
A abstenção atingiu um patamar recorde de 21%, correspondendo a 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Desse contingente, 9,2 milhões de pessoas que votaram não escolheram nem Flávio nem Lula. A maior parte desse eleitorado disperso, aproximadamente 6 milhões de votos, dirigiu-se para candidatos do centro político, sendo Augusto Cury o principal beneficiário dessa categoria com 3,4 milhões de votos, seguido por Ronaldo Caiado com 2,6 milhões. Outros 3 milhões de eleitores optaram por candidatos de direita fora do eixo Bolsonaro, distribuindo-se entre Renan (2,6 milhões), Zema (326 mil), Clariana Barão (40 mil) e Wilson Grassi (16,8 mil). Os partidos de esquerda, representados por PSTU, PCB e UP, somaram apenas 186.762 votos no conjunto.
O segundo turno deverá concentrar esforços nos estados que geraram o maior volume de votos neste domingo e na tentativa de mobilizar o eleitorado que se absteve ou votou em candidatos que não avançaram. A reconfiguração do mapa eleitoral, especialmente a perda de força do petista em estados historicamente importantes como Minas Gerais e a debandada no Rio Grande do Sul, estabelece novos desafios para a campanha de Lula nas semanas que se seguem.
Bemerkenswerte Zitate
A disputa no segundo turno deve expandir aposta nos estados campeões de votos deste domingo e na tentativa de convencer as pessoas a irem às urnas— Análise da Folha de S.Paulo