Flávio consolida apoios na direita e centrão; Lula intensifica críticas ao STF

Estamos carregando nas costas a promiscuidade da Suprema Corte
Lula intensifica críticas ao STF durante reunião com aliados para reorganizar campanha antes do segundo turno.
Mark

Por que Flávio está recebendo tanto apoio agora, se já tinha 47% dos votos?

Mimi

Porque na política, momentum é tudo. Ele chegou na frente, e isso muda o cálculo de quem ainda está decidindo. Governadores, senadores, líderes do centrão — todos querem estar do lado que parece estar vencendo.

Luke

Mas precisamos ser claros: alguns desses apoios são condicionais. O PP e a União Brasil sinalizaram apoio nacional, mas toleraram que diretórios estaduais apoiassem Lula. Não é um bloco monolítico.

Mark

E quanto a Lula? Ele parece estar em pânico?

Mimi

Não pânico, mas claramente em modo de correção. Ele reuniu seus principais aliados para entender o que deu errado. A abstenção de 33 milhões de pessoas é um número que assusta qualquer campanha.

Luke

Aqui temos que notar: Lula está culpando várias pessoas — a equipe de marketing, a primeira-dama, até a proibição das bets — mas também está culpando eleitores por não votarem. Isso é um sinal de que ele ainda não tem uma estratégia clara para o segundo turno.

Mark

A crítica ao STF é uma aposta arriscada, não é?

Mimi

Muito. O Supremo está desgastado pelo escândalo do Banco Master, então há espaço político para isso. Mas atacar a corte enquanto está em campanha é sempre perigoso — pode parecer que você está tentando interferir na instituição.

Luke

E vale notar que essa crítica veio durante uma reunião fechada, não em pronunciamento público. Lula está testando o tom com seus aliados antes de levar para a campanha.

Mark

Qual é o maior risco para Lula agora?

Mimi

Que seus próprios apoiadores se desanimem. Se prefeitos e líderes regionais acharem que ele vai perder, eles podem mudar de lado. Isso criaria um efeito cascata.

Luke

Mas historicamente, nenhum candidato que chegou na frente no primeiro turno foi derrotado no segundo no Brasil. Então, apesar de tudo, Flávio ainda tem a vantagem estrutural.

  • Flávio Bolsonaro terminou primeiro turno com 47% dos votos válidos, dois pontos à frente de Lula
  • Abstenção recorde de mais de 33 milhões de pessoas no primeiro turno
  • Flávio recebeu apoios de Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Michel Temer e líderes do centrão
  • Lula reuniu aliados em Brasília para reorganizar campanha e corrigir erros da disputa

Flávio Bolsonaro consolidou apoios de Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e deve ter adesão de Ronaldo Caiado, além de respaldo de Michel Temer e líderes do centrão. Lula reuniu aliados para corrigir erros da campanha, incluindo críticas ao STF e planos para atrair eleitores que se abstiveram, com recorde de 33 milhões de ausências.

Flávio Bolsonaro recebe apoios de direita e centrão após liderar primeiro turno com 47%, enquanto Lula reúne aliados para reorganizar campanha e mirar abstenções recorde de 33 milhões.

A votação de domingo deixou o cenário da disputa presidencial reconfigurado. Flávio Bolsonaro, candidato do PL, terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, dois pontos à frente do presidente Lula, que ficou com 45%. Na segunda-feira, enquanto o petista reunia seus aliados para reorganizar a máquina de campanha, Flávio recebia sinais de apoio de figuras importantes da direita e do centrão — uma sequência de abraços políticos que sinalizava momentum.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi um dos primeiros a se apresentar. Em entrevista, Tarcísio afirmou que ajudaria a organizar eventos e estruturar o estado para receber Flávio no que chamou de maior colégio eleitoral do Brasil. Romeu Zema, do Novo, já havia dado seu respaldo. Ronaldo Caiado, do PSD, estava marcado para encontro em Goiânia na terça-feira, apesar de seu partido ter se declarado neutro. Michel Temer, ex-presidente, divulgou um vídeo de apoio. A federação de União Brasil e PP sinalizou apoio nacional, e Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, defendeu "apoio total e irrestrito" ao candidato do PL, dizendo ter votado nele e lealdade ao presidente Bolsonaro.

A campanha de Flávio tinha estrutura montada para consolidar esses apoios nas três semanas seguintes. Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha, afirmou que pretendia converter candidatos e partidos que não apoiaram Flávio no primeiro turno. Governadores eleitos pelo PL viajariam a Brasília para encontros com o presidenciável. Nomes como o deputado Nikolas Ferreira e o vice Alfredo Gaspar deviam viajar de forma independente pelo Brasil, multiplicando os estados visitados. Duda Lima, marqueteiro, e conselheiros econômicos como Daniella Marques e Adolfo Sachsida participavam das reuniões de estratégia.

No lado de Lula, a segunda-feira foi de balanço de danos e replanejamento. O presidente reuniu dezenas de aliados — governadores reeleitos como Jerênimo Rodrigues e Rafael Fonteles, senadores eleitos como Rui Costa e Jaques Wagner, candidatos derrotados como Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva — em um hotel próximo à Esplanada dos Ministérios. A reunião foi planejada para identificar o que havia dado errado e como corrigir.

Um dos números que preocupava era a abstenção recorde: mais de 33 milhões de pessoas não foram votar. Lula questionou publicamente o que havia acontecido com essas pessoas. Eles perderam o sentido de responsabilidade? Não foram convencidos? Não gostavam dos candidatos? Se fosse assim, disse, teria surgido uma terceira via, e não surgiu. Atrair esses eleitores ausentes virou objetivo central para o segundo turno.

Outra estratégia era aumentar a rejeição a Flávio Bolsonaro — algo que a campanha havia tentado no primeiro turno sem sucesso. Lula indicou que intensificaria as críticas ao Supremo Tribunal Federal até o segundo turno. A corte estava com a imagem desgastada pelo escândalo do Banco Master. "Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias", disse o presidente durante a reunião.

Mas havia também críticas internas severas. Os aliados cobravam mais pulso do coordenador de campanha, Edinho Silva. O publicitário Raul Rabelo e o ministro Sidônio Palmeira, responsáveis pelo marketing político, eram alvo de cobrança por terem demorado a imprimir na campanha o tom de embate que a eleição exigia. A equipe havia estado rachada ao longo de toda a disputa, com até quatro núcleos diferentes de comunicação atuando de forma desarticulada. Faltaram santinhos e bandeiras no início da propaganda eleitoral. Havia também críticas à primeira-dama, Janja Lula da Silva, que havia se referido a Nikolas Ferreira, o mais votado do país, como "piá de bosta". Alguns aliados apontavam que a proibição das apostas online, decisão do próprio Lula, havia prejudicado a votação do petista, gerando reação forte de clubes de futebol, influenciadores digitais e empresas de mídia.

No plano político, petistas apontavam como principal erro a insistência de Lula em tentar lançar Rodrigo Pacheco como governador de Minas Gerais — algo que deu errado e deixou o presidente sem palanque no estado até improvisar a candidatura de Patrus Ananias. Havia também temor de que o resultado desanimasse apoiadores de Lula nos estados, reduzindo o volume de campanha. Em conversas reservadas, aliados do presidente relatavam medo de que líderes regionais, como prefeitos de partidos de centro que apoiaram Lula no primeiro turno, migrassem para o lado adversário. Historicamente, porém, nenhum candidato que chegou na frente no primeiro turno foi derrotado no segundo no Brasil.

Vamos ajudar a organizar os eventos e estruturar o estado para receber o Flávio no maior colégio eleitoral do Brasil
— Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo
Votei no Flávio, tenho uma lealdade enorme ao presidente Bolsonaro
— Ciro Nogueira, presidente nacional do PP
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