São Paulo voltou a se dividir entre duas geografias políticas no primeiro turno de 5 de outubro: Flávio Bolsonaro conquistou o estado com 51,93% dos votos, enquanto Lula segurou a capital com 46,58%. O padrão repete o de 2022, mas com margens em movimento — o interior cada vez mais bolsonarista, a capital cada vez mais disputada. Ambos seguem para o segundo turno em 25 de outubro, quando a região metropolitana, campo de batalha histórico, poderá decidir quem governa o estado mais populoso do Brasil.
Flávio Bolsonaro vence em SP, mas Lula prevalece na capital paulista
O interior continua bolsonarista. A capital continua petista.
Como assim Flávio vence o estado inteiro mas perde a capital? Isso não é contraditório?
Não é contraditório, é geográfico. O interior de São Paulo é muito maior em população do que a capital. Flávio ganhou em quase todas as cidades do interior com margens grandes. Lula ganhou a capital, mas não com margem suficiente para compensar as perdas no resto do estado.
Mas qual é a margem real? Flávio tem 51,93% no estado e Lula 38,20%. Isso é uma diferença de quase 14 pontos. Na capital é só 4 pontos. Então a pergunta é: Lula consegue virar isso no segundo turno?
E consegue?
Ninguém sabe ainda. O que a gente vê é que em 2022 Bolsonaro venceu o estado com 47,71% e Lula ganhou a capital com 47,54%. Agora Flávio está mais forte no estado e Lula está mais fraco na capital. Isso sugere movimento para a direita.
Mas espera — a gente está comparando eleição presidencial de 2022 com eleição estadual de 2026. São contextos diferentes. Não dá para dizer com certeza que é movimento para a direita só por isso.
Então o que mudou de verdade?
O PT perdeu em cidades que tinha tradição de esquerda, como Araraquara. Perdeu em municípios metropolitanos grandes como Osasco e Guarulhos. Manteve São Bernardo, que é sua base histórica, mas perdeu Santo André e São Caetano do Sul, que ficam perto.
Tudo bem, mas a gente não sabe por quê. Pode ser voto útil, pode ser rejeição ao PT, pode ser que Flávio tenha feito campanha melhor. Os números mostram o resultado, não a causa.
E a capital? Lula mantém força lá?
Mantém, mas enfraquecida. Ele ganha nas periferias, nos bairros pobres, nas zonas sul e leste. Perde nos bairros ricos, no centro-sul. É o padrão que sempre foi, mas as margens estão mais apertadas.
Le Pouls
- Flávio Bolsonaro varreu o interior paulista, vencendo em símbolos petistas como Araraquara e até no Guarujá, cidade de infância de Lula.
- Lula perdeu terreno na região metropolitana, sendo derrotado em Osasco e Guarulhos — cidades populosas que pesam no cômputo final.
- A margem de Lula na capital encolheu quatro pontos percentuais em relação a 2022, sinalizando erosão mesmo em seu território mais forte.
- O ABC paulista se fragmentou: Lula segurou São Bernardo do Campo, mas perdeu Santo André e São Caetano do Sul na mesma região.
- O segundo turno em 25 de outubro concentrará a disputa nas cidades metropolitanas ainda em jogo, as mesmas que historicamente definem eleições paulistas.
São Paulo voltou a se dividir entre duas geografias políticas no primeiro turno de 5 de outubro: Flávio Bolsonaro conquistou o estado com 51,93% dos votos, enquanto Lula segurou a capital com 46,58%. O padrão repete o de 2022, mas com margens em movimento — o interior cada vez mais bolsonarista, a capital cada vez mais disputada. Ambos seguem para o segundo turno em 25 de outubro, quando a região metropolitana, campo de batalha histórico, poderá decidir quem governa o estado mais populoso do Brasil.
No domingo de 5 de outubro, São Paulo se partiu em duas geografias. Flávio Bolsonaro venceu o estado com 51,93% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou a capital com 46,58%. Os dois seguem para o segundo turno em 25 de outubro.
O padrão não é novo: em 2022, Jair Bolsonaro já dominava o interior enquanto Lula ganhava a cidade. Mas as margens se moveram. A vantagem de Lula na capital encolheu quatro pontos percentuais, e Flávio ampliou sua folga no estado. O interior continua bolsonarista. A capital continua petista. O que muda é a intensidade.
No interior, Flávio foi categórico. Venceu em São José dos Campos, Ribeirão Preto e Campinas. Ganhou até em Araraquara, cidade de tradição de esquerda e reduto simbólico do PT. Na Baixada Santista, levou quase todos os municípios — inclusive o Guarujá, cidade para onde Lula se mudou quando criança.
O PT resistiu em São Bernardo do Campo, berço político do presidente, mas perdeu Santo André e São Caetano do Sul. Nas periferias metropolitanas de Osasco e Guarulhos, Flávio também venceu — derrotas que pesam fora da capital.
Dentro de São Paulo, a divisão é geográfica e de classe. Lula dominou as periferias das zonas sul e leste, com sua melhor marca na zona eleitoral da Bela Vista: 60,58%. Flávio venceu nos bairros de classe média e alta — Jardim Paulista, Indianópolis, Santo Amaro. É o mapa que a esquerda conhece: forte nas margens, fraca no centro abastado.
No segundo turno, a região metropolitana será o campo decisivo. Quem avançar naquelas cidades ainda em jogo — as mesmas que definiram eleições anteriores — levará São Paulo.
No domingo que passou, São Paulo se dividiu em duas geografias políticas. Flávio Bolsonaro venceu o estado inteiro com folga — 51,93% dos votos válidos contra 38,20% de Lula no primeiro turno. Mas na capital, a história foi outra. O presidente conquistou a cidade com 46,58%, deixando o rival do PL em segundo lugar com 42,13%. Ambos seguem para o segundo turno marcado para 25 de outubro, quando o resultado de domingo será testado novamente.
O padrão que emergiu no domingo não é novo. Repete, em linhas gerais, o que aconteceu em 2022, quando Jair Bolsonaro também dominou o interior paulista com 47,71% dos votos enquanto Lula ganhava a capital com 47,54%. A diferença agora é que a margem de Lula na cidade encolheu — quatro pontos percentuais a menos — enquanto Flávio ampliou sua vantagem no estado. O interior continua bolsonarista. A capital continua petista. Mas as margens se movem.
No interior, Flávio varreu. Venceu em quase todas as principais cidades: São José dos Campos, Ribeirão Preto, Campinas. Ganhou também em Araraquara, uma derrota simbólica para o PT porque a cidade tem tradição de esquerda e já teve como prefeito Edinho Silva, atual presidente do partido. Na Baixada Santista, o senador venceu em quase todos os municípios, com exceção de Cubatão. Até no Guarujá, cidade para onde Lula se mudou com a família quando criança, saindo de Pernambuco, Flávio levou.
Mas o PT não desapareceu da região metropolitana. Lula manteve sua base em São Bernardo do Campo, o principal município do ABC paulista e berço político do presidente. Perdeu, porém, em Santo André e São Caetano do Sul, na mesma região. Nas cidades mais populosas da periferia metropolitana — Osasco e Guarulhos — Flávio também venceu. São derrotas que pesam para o PT fora da capital.
Dentro de São Paulo, a geografia é clara. Lula dominou as periferias das zonas sul e leste, partes do centro e distritos do extremo-norte como Perus e Brasilândia. Sua melhor votação na capital veio da zona eleitoral da Bela Vista, onde alcançou 60,58% dos votos válidos. Flávio, por sua vez, ganhou em bairros de classe média e alta: Indianópolis, Santo Amaro, Saúde, Jardim Paulista, além de partes das zonas leste e norte. É o mapa que a esquerda conhece bem — força nas periferias, fraqueza nas áreas mais abastadas.
O que esses números dizem é que São Paulo segue polarizado não apenas entre dois candidatos, mas entre duas geografias. O interior vota em Bolsonaro. A capital vota em Lula. A região metropolitana é o campo de batalha. No segundo turno, essa dinâmica será testada novamente, e a margem de vitória de um ou outro dependerá de quem conseguir avançar naquelas cidades que ainda estão em jogo — as mesmas que decidiram eleições anteriores e que, aparentemente, continuam indecisos.
Citations marquantes
O padrão que emergiu no domingo não é novo. Repete, em linhas gerais, o que aconteceu em 2022, quando Jair Bolsonaro também dominou o interior paulista enquanto Lula ganhava a capital.— Análise dos resultados eleitorais