Em tempos de campanha, a memória dos fatos torna-se terreno disputado. Em Aracaju, o senador Flávio Bolsonaro voltou a chamar Lula de 'pai do Tigrinho', atribuindo ao presidente a liberalização das apostas online — uma acusação que a história legislativa do Brasil contradiz: foi no governo Bolsonaro que o setor cresceu sem regras, e foi Lula quem, em 2023, sancionou a lei que o regulamentou. O episódio revela como narrativas eleitorais podem inverter a ordem dos acontecimentos, transformando a solução num problema e o problema numa herança invisível.
Flávio Bolsonaro repete acusação infundada contra Lula sobre regulação de bets
Flávio mentiu afirmando que Lula liberou o Tigrinho
Por que Flávio insiste em chamar Lula de "pai do Tigrinho" se a história das bets é mais complexa?
Porque é uma frase que gruda. Funciona politicamente — associa o adversário a algo que muita gente vê como problema social, mesmo que os fatos não sustentem a acusação.
Mas espera: as bets foram legalizadas em 2018, no governo Temer. Bolsonaro deixou o setor crescer sem regulação. Lula regulamentou. Como isso vira culpa de Lula?
Exatamente. Flávio está invertendo a narrativa. Ele pega um problema que cresceu na gestão anterior, que seu pai não resolveu, e coloca na conta de Lula.
E quanto ao vídeo que Flávio mencionou? Lula realmente foi à Justiça?
A reportagem não confirma isso. Flávio afirmou, mas não há verificação. É uma acusação sem comprovação no texto.
O que importa é que a regulamentação de 2023 foi uma resposta a um vácuo que durou anos. Lula não criou o problema; tentou ordená-lo.
Então por que a acusação persiste na campanha?
Porque funciona com o eleitor que não acompanha os detalhes. A frase é pegajosa, e repetição é estratégia.
E porque ninguém está obrigado a ser honesto em campanha, infelizmente.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro repetiu, diante de aliados reunidos em Aracaju, a acusação de que Lula 'liberou o Tigrinho' — uma afirmação desmentida pelo próprio histórico legislativo do país.
- O candidato foi além: alegou que Lula teria recorrido à Justiça para suprimir um vídeo que o associaria às plataformas de apostas, acrescentando uma camada de denúncia sem evidências à narrativa.
- A tensão factual é clara — as apostas de quota fixa foram legalizadas em 2018, sob Temer, e prosperaram sem regulamentação durante todo o governo Jair Bolsonaro.
- Foi o Ministério da Fazenda de Haddad que identificou o caos do setor e propôs ao Congresso uma estrutura de regras; Lula sancionou a lei em dezembro de 2023.
- A campanha segue em ritmo acelerado — de Aracaju a Goiânia — carregando propostas de redução de impostos e endurecimento penal, mas também acusações que a documentação pública contradiz.
Em tempos de campanha, a memória dos fatos torna-se terreno disputado. Em Aracaju, o senador Flávio Bolsonaro voltou a chamar Lula de 'pai do Tigrinho', atribuindo ao presidente a liberalização das apostas online — uma acusação que a história legislativa do Brasil contradiz: foi no governo Bolsonaro que o setor cresceu sem regras, e foi Lula quem, em 2023, sancionou a lei que o regulamentou. O episódio revela como narrativas eleitorais podem inverter a ordem dos acontecimentos, transformando a solução num problema e o problema numa herança invisível.
Flávio Bolsonaro, senador e candidato presidencial pelo PL, usou uma moto-carreata em Aracaju, no domingo 27 de setembro, para repetir o ataque que vem fazendo ao presidente Lula: chamou-o de 'pai do Tigrinho', acusando-o de ter liberado as apostas online e os cassinos digitais no Brasil. Acrescentou ainda que Lula teria acionado a Justiça para retirar do ar um vídeo que o ligaria às plataformas de bets. Ao seu lado estavam aliados locais e Alfredo Gaspar, seu vice na chapa presidencial.
Além dos ataques, Flávio apresentou propostas: corte de impostos, redução da tributação sobre a folha de pagamento, diminuição da maioridade penal, castração química para estupradores e incentivos ao empreendedorismo.
O problema é que a cronologia dos fatos conta outra história. As apostas de quota fixa foram legalizadas em 2018, no governo Temer. Durante os quatro anos de Jair Bolsonaro, o setor cresceu sem regulamentação, sem critérios de autorização e sem sistema claro de arrecadação — um vácuo que permitiu a proliferação descontrolada de casas de apostas. Foi o Ministério da Fazenda de Fernando Haddad que, ao identificar esse mercado em desordem, enviou ao Congresso uma proposta de regulamentação. Em dezembro de 2023, Lula sancionou a lei, estabelecendo regras de tributação, requisitos operacionais e sanções para irregularidades.
Após Aracaju, a campanha seguiu para Goiânia, com nova moto-carreata e comício programados. A agenda avança pelos estados nordestinos — e as acusações continuam, mesmo diante do que os registros públicos documentam.
Flávio Bolsonaro, senador e candidato presidencial pelo PL, voltou a acusar o presidente Lula de ser o "pai do Tigrinho" durante uma moto-carreata em Aracaju no domingo 27 de setembro. O ataque, dirigido contra a regulamentação das apostas online, repetiu afirmações que não encontram sustentação nos fatos: Bolsonaro alegou que Lula "liberou o Tigrinho" e os cassinos online, e acrescentou que o presidente teria recorrido à Justiça para remover um vídeo que o associaria às plataformas de apostas.
O evento em Sergipe reuniu aliados do candidato. Ao seu lado estavam o deputado federal Rodrigo Valadares, concorrendo ao Senado, o vice-prefeito de Aracaju Ricardo Marques, na disputa pelo governo estadual, e Alfredo Gaspar, seu vice na chapa presidencial. Além de atacar Lula, Flávio apresentou propostas de campanha: redução de impostos e da tributação sobre folha de pagamento, diminuição da maioridade penal, castração química para estupradores e programas de empreendedorismo.
A história das apostas online no Brasil, porém, conta outra narrativa. As apostas de quota fixa foram legalizadas em 2018, durante o governo de Michel Temer. Quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência, o setor operou sem regulamentação específica, sem modelo definido de autorização e sem sistema claro de cobrança de impostos. Essa ausência de regras permitiu que dezenas de casas de apostas se proliferassem sem controle.
Quando Lula retornou ao Palácio do Planalto, o Ministério da Fazenda, sob comando de Fernando Haddad, identificou um mercado desorganizado e enviou ao Congresso uma proposta para regulamentá-lo. Haddad foi direto ao ponto na época, afirmando que a gestão anterior havia simplesmente ignorado o problema, sentando "em cima" dele como se não existisse. Em dezembro de 2023, após aprovação do Congresso, Lula sancionou a lei que estabeleceu regras de tributação, requisitos para as empresas operarem no país, diretrizes para distribuição da arrecadação e sanções para irregularidades.
Após a agenda em Aracaju, Flávio seguiu para Goiânia, onde realizou outra moto-carreata programada para as 15h30, com concentração no Estádio Serra Dourada e encerramento previsto no Parque Flamboyant, onde um comício estava marcado para as 16h30. A campanha continua pelos estados nordestinos, repetindo acusações que a documentação pública desmente.
Citazioni salienti
A gestão anterior havia sentado em cima do problema, como se ele não existisse— Fernando Haddad, Ministério da Fazenda, sobre o setor de apostas antes da regulamentação