No domingo, o Brasil encerrou seu primeiro turno presidencial com uma margem que mal cabe entre os dedos: Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do presidente Lula, do PT — uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual que convida o país inteiro a refletir sobre o que une e o que divide seus cidadãos. O mapa eleitoral que emergiu das urnas não é apenas um retrato de preferências políticas, mas de geografias históricas, lealdades sedimentadas e um eleitorado que, em número crescente, optou pelo silêncio das abstenções. Em 25 de outubro, os dois finalist
Flávio Bolsonaro lidera Lula por 1,87 ponto no 1º turno; disputa vai a segundo turno
Flávio conquistou 714 municípios que Lula havia vencido em 2022
Como um avanço de 1,87 ponto percentual no primeiro turno se traduz em chances reais para o segundo turno?
É uma margem que permite qualquer resultado. Flávio sai na frente, mas Lula tem tempo para recuperar votos. O que importa agora é quem consegue mobilizar melhor seus apoiadores e atrair os indecisos.
Mas precisamos ser claros: essa margem é calculada sobre votos válidos, não sobre o eleitorado total. Com 33,4 milhões de abstenções e 4,77% de brancos e nulos, estamos falando de uma disputa entre dois candidatos que juntos recebem menos de 93% dos votos válidos.
Por que Flávio conseguiu conquistar 714 municípios que Lula havia vencido em 2022?
Há uma reconfiguração do voto. Flávio não apenas manteve o eleitorado bolsonarista — ele expandiu para áreas que eram petistas. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná foram especialmente importantes nessa mudança.
Mas é importante notar que Lula não conquistou nenhum município que Bolsonaro havia vencido em 2022. Isso não é simetria. Pode indicar que o eleitorado de Bolsonaro é mais volátil ou que Flávio conseguiu fazer uma ponte para eleitores que não eram necessariamente bolsonaristas, mas estavam insatisfeitos com Lula.
O Nordeste continua sendo o reduto de Lula, certo?
Sim, com 63,8% dos votos válidos. É uma região onde Lula tem raízes profundas, e Flávio ficou com apenas 30,9%. Mas mesmo lá, Lula perdeu votos em relação a 2022.
Exato. Lula avançou apenas no Distrito Federal, com 1,3 ponto percentual. Em todos os outros lugares, recuou. Isso é um padrão preocupante para ele, mesmo em suas áreas tradicionais de força.
São Paulo e Bahia realmente definem tudo?
Eles têm peso desproporcional. Flávio tem 3,4 milhões de votos a mais em São Paulo, e Lula compensa com 3,2 milhões a mais na Bahia. São os dois maiores colégios eleitorais em disputa.
Mas dentro de São Paulo, a capital votou em Lula. Isso mostra que não é monolítico. Flávio venceu no interior e na Grande São Paulo, mas perdeu na capital. Esses padrões urbano-rurais podem mudar no segundo turno dependendo de como cada candidato se posiciona.
Le Pouls
- Com apenas 1,87 ponto percentual de diferença, o resultado do primeiro turno é tão apertado que qualquer descuido de campanha pode inverter o placar no segundo turno.
- O país se revelou partido ao meio: Flávio domina Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, enquanto Lula mantém sua fortaleza nordestina com 63,8% dos votos válidos na região.
- A abstenção histórica de 21,08% — 33,4 milhões de eleitores ausentes — sinaliza um desengajamento que pode ser o fator decisivo mais imprevisível da disputa.
- Flávio conquistou 714 municípios que Lula havia vencido em 2022, redesenhando o mapa eleitoral e sugerindo um deslocamento real do eleitorado, não apenas polarização estática.
- As campanhas entram agora em sua fase mais intensa, disputando abstencionistas, eleitores indecisos e os 4,77% que votaram em branco ou nulo — votos que podem definir a presidência.
No domingo, o Brasil encerrou seu primeiro turno presidencial com uma margem que mal cabe entre os dedos: Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do presidente Lula, do PT — uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual que convida o país inteiro a refletir sobre o que une e o que divide seus cidadãos. O mapa eleitoral que emergiu das urnas não é apenas um retrato de preferências políticas, mas de geografias históricas, lealdades sedimentadas e um eleitorado que, em número crescente, optou pelo silêncio das abstenções. Em 25 de outubro, os dois finalistas retornam às urnas para decidir quem governará o Brasil nos próximos quatro anos — e a resposta permanece genuinamente em aberto.
No último domingo, o Brasil elegeu seus dois finalistas para a presidência. Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, deixando o presidente Lula, do PT, com 45,16%. A margem de 1,87 ponto percentual mantém tudo em aberto para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O mapa eleitoral expõe uma nação dividida por história e geografia. Flávio venceu em quatro das cinco regiões, com destaque para o Sul, onde obteve 60,1%, e o Sudeste, com 51,4%. Lula, por sua vez, preservou sua fortaleza nordestina com 63,8% dos votos válidos na região — vantagem construída ao longo de décadas de enraizamento político. Em nível estadual, Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal; Lula, em 12.
Dois estados ilustram como o tamanho do eleitorado transforma vitórias regionais em vantagens nacionais. Em São Paulo, Flávio acumulou 3,4 milhões de votos a mais que Lula — embora a capital paulistana tenha votado no presidente com 46,58%. Na Bahia, Lula superou seu adversário por mais de 3,2 milhões de votos, compensando parte da desvantagem nacional.
Flávio não apenas herdou o eleitorado de seu pai: ele o expandiu. Em comparação com o primeiro turno de 2022, o senador superou os percentuais de Jair Bolsonaro em 26 dos 27 estados. Ainda mais revelador é o movimento municipal: Flávio conquistou 714 municípios que Lula havia vencido quatro anos antes, enquanto o presidente não avançou em nenhum território anteriormente bolsonarista.
O desengajamento também deixou sua marca. A abstenção atingiu 21,08% — o maior índice em um primeiro turno presidencial —, com 33,4 milhões de eleitores ausentes. Votos brancos e nulos somaram 4,77%, acima dos 4,25% de 2022. Com menos de três semanas até a votação final, a disputa pelo voto dos indecisos, dos abstencionistas e dos que protestaram nas urnas pode ser tão decisiva quanto a mobilização dos já convencidos.
No domingo passado, o Brasil escolheu seus dois finalistas para a presidência. Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, deixando o presidente Lula, do PT, para trás com 45,16%. A margem é estreita — apenas 1,87 ponto percentual separa os dois — e ambos retornarão às urnas em 25 de outubro para definir quem governará o país nos próximos quatro anos.
O mapa eleitoral revela uma nação dividida por geografia e história política. Flávio venceu em quatro das cinco regiões: Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. Seu melhor desempenho regional foi no Sul, onde conquistou 60,1% dos votos, deixando Lula com apenas 31,3%. No Sudeste, que concentra o maior eleitorado do país, o candidato do PL obteve 51,4%, enquanto o presidente ficou com 39,7%. Lula, por sua vez, mantém sua fortaleza tradicional no Nordeste, onde recebeu 63,8% dos votos válidos contra 30,9% de Flávio — uma vantagem que reflete décadas de enraizamento político na região.
Em nível estadual, Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula prevaleceu em 12. O senador alcançou seu pico em Roraima, com 71,06% dos votos, enquanto o melhor resultado de Lula foi no Piauí, com 70,99%. A disputa ficou particularmente apertada no Amapá, onde Lula recebeu 45,71% e Flávio, 45,67% — uma diferença de apenas quatro décimos de ponto percentual.
Dois estados definem o peso da diferença nacional. Em São Paulo, Flávio acumulou 3,4 milhões de votos a mais que Lula. Na Bahia, o estado mais populoso do Nordeste, o presidente superou seu adversário por mais de 3,2 milhões de votos. Esses números ilustram como o tamanho do eleitorado transforma vitórias regionais em vantagens nacionais. Dentro de São Paulo, porém, a capital segue um caminho próprio: Lula manteve a liderança na cidade com 46,58% contra 42,13% de Flávio, embora o estado inteiro tenha votado no senador com 51,93%.
Flávio consolidou e expandiu o legado político de seu pai. Na comparação entre os primeiros turnos de 2022 e 2026, o senador obteve percentuais superiores aos do ex-presidente Jair Bolsonaro em 26 estados. O Distrito Federal foi a única exceção, onde ficou abaixo da votação anterior. O maior avanço ocorreu no Rio Grande do Sul, onde Flávio ganhou 6,8 pontos percentuais em relação ao desempenho de 2022. Para Lula, as maiores perdas aconteceram em Goiás, com queda de 8,5 pontos, e no Tocantins, com sete pontos a menos.
Um indicador particularmente significativo é a reconfiguração municipal. Flávio conquistou 714 municípios que Lula havia vencido no primeiro turno de 2022. Minas Gerais concentrou 178 dessas mudanças, seguida pelo Rio Grande do Sul com 134, Paraná com 91 e São Paulo com 90. Lula, por sua vez, não conquistou nenhum município que havia votado em Jair Bolsonaro quatro anos antes. Esse movimento sugere um deslocamento do eleitorado mais do que uma polarização fixa.
O comportamento do eleitorado também revela sinais de desengajamento. A abstenção atingiu 21,08%, com 33,4 milhões de eleitores ausentes — o maior índice registrado em um primeiro turno presidencial. Votos brancos e nulos somaram 4,77% dos votos depositados para a Presidência, acima dos 4,25% de 2022. Esses números indicam que, enquanto Flávio e Lula disputam uma eleição acirrada, uma parcela crescente do eleitorado escolhe não participar ou protesta através do voto em branco ou nulo.
O segundo turno será decidido não apenas pela mobilização dos eleitores que já escolheram seus candidatos, mas também pela capacidade de cada um atrair votos dos indecisos, dos abstencionistas e daqueles que votaram em branco ou nulo. Com menos de três semanas até a votação final, a campanha entra em sua fase mais intensa, e a margem de 1,87 ponto percentual deixa em aberto qualquer possibilidade de resultado.
Citations marquantes
Flávio obteve percentuais superiores aos do ex-presidente Jair Bolsonaro em 26 dos 27 estados— Folha de S.Paulo