Flávio Bolsonaro gravou propaganda em frente a loja fechada das Casas Bahia em Brasília, usando a crise do varejo como argumento contra o governo Lula. Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões e fechará quase 300 lojas, demitindo cerca de 3.000 funcionários.
Flávio Bolsonaro grava campanha em loja fechada das Casas Bahia para atacar Lula
Quem não cuida das contas não cuida das pessoas
Por que escolher exatamente uma loja das Casas Bahia para gravar? Havia algo especial naquele local?
Taguatinga é uma região de grande movimento, perto do centro administrativo mas não tão central que parecesse encenação. A loja fechada era o argumento visual — portas fechadas falam mais que palavras.
A empresa diz que o problema vem de investimentos em tecnologia desde 2019 e da pandemia. Como isso se encaixa na narrativa de irresponsabilidade fiscal do governo?
Não se encaixa bem, na verdade. Mas a campanha não precisa que se encaixe perfeitamente. Precisa que as pessoas vejam uma loja fechada e associem isso ao governo atual.
Três mil pessoas vão perder o emprego. Isso é apenas um número para a campanha, ou há algo mais profundo acontecendo?
É um número real com rostos reais. A campanha o usa como ferramenta, mas as demissões existem independentemente de quem as explora politicamente. O tribunal suspendeu os efeitos provisórios, mas a incerteza permanece.
Por que incluir Fernanda Bolsonaro nas gravações?
Porque rejeição é um problema. A presença dela humaniza Flávio, torna-o menos agressivo, mais doméstico. É cálculo de campanha puro.
Quando começam a veicular esses vídeos?
No dia vinte e oito de agosto, quando o horário eleitoral gratuito começa. Até lá, circulam nas redes sociais, onde o alcance é menos previsível mas potencialmente maior.
E se a Casas Bahia conseguir se recuperar? A narrativa desmorona?
Talvez. Mas a campanha aposta que não conseguirá, ou que qualquer recuperação chegará tarde demais para mudar a percepção que foi plantada.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro gravou vídeos em loja fechada das Casas Bahia em Taguatinga, Brasília, na quarta-feira 19 de agosto
- Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões e fechará quase 300 lojas
- Aproximadamente 3.000 funcionários enfrentam demissão com os fechamentos
- Horário eleitoral gratuito começa em 28 de agosto
Flávio Bolsonaro gravou propaganda em frente a loja fechada das Casas Bahia em Brasília, usando a crise do varejo como argumento contra o governo Lula. Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões e fechará quase 300 lojas, demitindo cerca de 3.000 funcionários.
Candidato do PL grava vídeos de campanha em loja fechada das Casas Bahia para criticar gestão econômica do governo Lula, explorando crise do varejo e demissões em massa.
Na quarta-feira à tarde, em Taguatinga, a cerca de vinte quilômetros do centro do poder em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro posicionou-se diante de uma loja das Casas Bahia com as portas inteiramente fechadas. Ele estava ali para gravar vídeos de campanha — imagens que seriam usadas para atacar a gestão econômica do governo Lula. A loja, uma das três unidades que encerraram operações na capital federal, já estava sendo desmontada, funcionando apenas para a retirada de mercadorias compradas online. O local, no coração de uma das principais regiões administrativas do Distrito Federal, oferecia o cenário perfeito para a mensagem que Flávio pretendia transmitir.
O Grupo Casas Bahia — que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto Frio — havia pedido recuperação judicial no domingo anterior, comunicando o fechamento de quase trezentas lojas em todo o país. A empresa declarou uma dívida de dezessete bilhões e trezentos milhões de reais. Com o encerramento das operações, aproximadamente três mil funcionários enfrentariam demissão. O tribunal regional do trabalho havia suspendido, na terça-feira, os efeitos provisórios das demissões coletivas realizadas entre treze e dezessete de agosto, mas a situação permanecia crítica.
A estratégia de campanha era clara: usar a crise do varejo como arma contra o governo petista. Flávio e seus aliados argumentavam que a irresponsabilidade fiscal do governo — expressa em juros altos, inflação elevada e perda do poder de compra — havia levado a empresa ao colapso. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da campanha de Flávio, havia publicado um vídeo nas redes sociais dias antes, questionando por que um ícone do varejo brasileiro estava fechando lojas e demitindo milhares de pessoas. "Quem não cuida das contas não cuida das pessoas", havia dito ela, resumindo o argumento central.
O próprio Grupo Casas Bahia, em seu pedido de recuperação judicial, apontava causas diferentes: pesados investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, somados aos choques da pandemia, que paralisaram as operações físicas. Mas essa narrativa não interessava à campanha de Flávio. O que importava era a imagem de uma loja fechada, de empregos perdidos, de um negócio que não resistiu.
Naquele dia em Brasília, Flávio tirou fotos com apoiadores que passavam em frente à loja — o local tinha grande movimento de pedestres. Conversou rapidamente com as pessoas, comprou um refrigerante em uma banca de revistas. Tudo era material para as redes sociais e para o horário eleitoral gratuito, que começaria a ser veiculado em rádio e televisão a partir do dia vinte e oito de agosto. De acordo com aliados, o senador também gravou com a mulher, Fernanda Bolsonaro, em casa. A presença dela na campanha era estratégica: a imagem de Fernanda vinha sendo explorada para tentar diminuir a rejeição de Flávio junto ao eleitorado feminino.
O que se desenrolava era um episódio típico da política eleitoral brasileira: a apropriação de uma crise econômica real para fins de campanha. Os três mil empregos em risco eram reais. A dívida de dezessete bilhões era real. Mas a explicação para o colapso — e a solução implícita na crítica — permanecia contestada. Enquanto a campanha de Flávio apontava para a gestão macroeconômica do governo, a empresa apontava para decisões de investimento tomadas anos antes, em contexto de pandemia. A verdade, como costuma acontecer, era provavelmente mais complexa que qualquer slogan de campanha conseguisse capturar.
Citazioni salienti
Casas Bahia, um ícone, fechando quase 300 lojas, vai demitir até 3.000 pessoas. Por que isso? Por uma coisa muito simples: quem não cuida das contas não cuida das pessoas— Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da campanha de Flávio