Uma campanha construída para se aproximar sem conseguir reproduzir o básico
Em tempos em que a imagem política se constrói tanto com pixels quanto com palavras, o senador Flávio Bolsonaro lançou um vídeo de inteligência artificial buscando associar sua figura ao prestígio de Neymar — mas a peça revelou uma lacuna entre a intenção e o conhecimento: a IA calçou o jogador com chuteiras Nike, marca que ele abandonou há seis anos em meio a controvérsias, quando se tornou o principal embaixador global da Puma. O erro, pequeno nos pixels mas grande na simbologia, lembrou que aproximar-se de um ídolo exige, antes de tudo, conhecê-lo.
- O PL vinha construindo há semanas uma estratégia deliberada para vincular Flávio Bolsonaro à imagem de Neymar, com camisas, vídeos e legendas como 'Flávio é Neymar, Neymar é Flávio'.
- O vídeo de IA chegou num momento politicamente calculado, dias após declarações do presidente Lula sobre o jogador, tornando a disputa pela imagem do craque um campo de batalha simbólico.
- A inteligência artificial equipou Neymar com chuteiras Nike — marca que encerrou sua parceria com o atleta em 2020, justamente em meio a acusações de assédio sexual, substituída pela Puma com um dos maiores contratos individuais do futebol mundial.
- O erro ganhou ainda mais visibilidade porque a Puma havia acabado de lançar uma chuteira exclusiva para Neymar na Copa de 2026, desenvolvida com o designer KidSuper e estampada com uma fênix — símbolo de renascimento que o próprio jogador ajudou a conceber.
- Nas redes sociais, o deslize foi rapidamente apontado como 'burrada', transformando uma campanha pensada para gerar admiração em motivo de troça e expondo a falta de pesquisa básica por trás da peça.
Na quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo gerado por inteligência artificial em que aparecia como piloto de um jato em missão fictícia de resgate — e o resgatado era Neymar. "Missão de hoje: o resgate do menino Ney. Porque os heróis brasileiros não devem ser deixados para trás", escreveu ao compartilhar a peça. O timing não era casual: a publicação chegava dias após declarações do presidente Lula sobre o jogador e integrava uma estratégia mais ampla do PL para associar a imagem do pré-candidato ao maior nome do futebol brasileiro.
Mas o vídeo carregava um erro que não passou despercebido. A IA havia calçado Neymar com chuteiras Nike — detalhe incorreto para qualquer pessoa minimamente familiarizada com a carreira recente do atacante. Desde agosto de 2020, Neymar é patrocinado pela Puma, após o encerramento de uma parceria de 15 anos com a Nike em meio a acusações de assédio sexual. Hoje, ele é o principal embaixador global da marca alemã, recebendo cerca de 26 milhões de euros por ano.
O erro pesava ainda mais porque a Puma havia acabado de lançar uma chuteira exclusiva para Neymar na Copa do Mundo de 2026. Batizada de "Future" e desenvolvida com o designer KidSuper, a peça predominantemente amarela trazia detalhes em verde e uma fênix estampada — símbolo de resiliência e renascimento, segundo a empresa. O jogador havia recebido o modelo no fim de semana anterior e poderia estreá-lo justamente contra a Escócia.
A estratégia de aproximação vinha sendo construída há semanas: no sábado anterior, Flávio havia aparecido em evento político usando camisa da Seleção com o nome do atacante; em maio, outro vídeo de IA afirmava que "Flávio é Neymar, Neymar é Flávio". Cada movimento parecia calculado para transferir o prestígio do jogador para o político. O erro da chuteira, porém, expôs uma falha fundamental: quem criou a peça não havia feito a pesquisa básica sobre o homem que pretendia homenagear. Em uma era em que a inteligência artificial é usada como ferramenta política, a lacuna revelou algo mais incômodo do que um pixel errado — revelou descuido.
Na quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro lançou um vídeo gerado por inteligência artificial que o retratava como piloto de um jato em missão de resgate. O alvo da operação fictícia era Neymar, atacante da Seleção Brasileira. "Missão de hoje: o resgate do menino Ney. Porque os heróis brasileiros não devem ser deixados para trás", escreveu Bolsonaro ao compartilhar a peça nas redes sociais. O timing não era casual — a publicação chegava poucos dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazer declarações sobre o jogador, e integrava uma estratégia mais ampla do PL para vincular a imagem do pré-candidato à Presidência ao principal nome do futebol brasileiro.
Mas o vídeo carregava um erro que não passou despercebido. A inteligência artificial havia equipado Neymar com chuteiras Nike — um detalhe que qualquer pessoa minimamente familiarizada com a carreira recente do jogador reconheceria como incorreto. Desde agosto de 2020, Neymar é patrocinado pela Puma. Aquela parceria de 15 anos com a Nike havia terminado em meio a acusações de assédio sexual, e o atacante se tornou o principal embaixador global da marca alemã, assinando um dos maiores contratos individuais de patrocínio do futebol mundial.
O erro ganhava ainda mais peso porque a Puma havia acabado de lançar uma chuteira exclusiva para Neymar durante a Copa do Mundo de 2026. Batizada de "Future", a peça foi desenvolvida em parceria com o designer KidSuper e concebida especificamente para marcar o retorno do camisa 10 à Seleção. O calçado predominantemente amarelo — cor escolhida pelo próprio atleta — trazia detalhes em verde e uma fênix estampada, símbolo que, conforme a empresa, representa "resiliência, fé e renascimento". Neymar havia recebido o modelo no fim de semana anterior e poderia estreá-lo justamente na partida contra a Escócia. Segundo a Puma, o jogador participou do desenvolvimento do conceito desde as etapas iniciais, e atualmente recebe cerca de 26 milhões de euros por ano para atuar como garoto-propaganda da marca.
A estratégia de aproximação entre Bolsonaro e Neymar vinha sendo construída há semanas. No sábado anterior, durante um evento político em São Paulo, o senador havia aparecido usando uma camisa da Seleção com o nome do atacante. Em maio, o PL havia divulgado outra peça de inteligência artificial mostrando Flávio como jogador da seleção, com a legenda afirmando: "Flávio é Neymar. Neymar é Flávio". Cada movimento parecia calculado para transferir o prestígio do jogador para o político.
O erro da chuteira, porém, expôs uma falha fundamental na execução. Nas redes sociais, usuários apontaram o que chamaram de "burrada" — uma campanha construída para se aproximar da imagem de Neymar sem conseguir reproduzir um dos aspectos mais conhecidos de sua trajetória recente: o dinheiro. A escolha errada de marca não era apenas um detalhe técnico; era uma demonstração de que quem havia criado a peça não havia feito o trabalho básico de pesquisa sobre o jogador que pretendia homenagear. E em uma era em que a inteligência artificial é usada como ferramenta política, a falha revelava algo mais incômodo: a falta de atenção aos detalhes que poderiam ter feito a diferença entre uma campanha competente e uma que virou motivo de troça.
Notable Quotes
Missão de hoje: o resgate do menino Ney. Porque os heróis brasileiros não devem ser deixados para trás— Flávio Bolsonaro, ao compartilhar o vídeo
A fênix representa resiliência, fé e renascimento— Puma, sobre o design da chuteira Future
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um senador pré-candidato à Presidência gastaria tempo e recursos para fazer um vídeo de IA com Neymar?
Porque Neymar é talvez o ativo de imagem mais valioso do Brasil neste momento. Associar-se a ele é tentar herdar um pouco daquele prestígio, daquele apelo popular que atravessa classes sociais.
Mas por que o erro da chuteira importa tanto? Não é só um detalhe técnico?
Não. É a prova de que ninguém na equipe conhecia bem o suficiente o assunto que estava tentando explorar. Neymar e Puma é uma história de seis anos, de um contrato de dezenas de milhões de euros. Errar isso é errar o básico.
A Puma acabava de lançar uma chuteira exclusiva para ele, certo?
Exatamente. Lançada dias antes, com um design especial, cores escolhidas pelo próprio Neymar, uma fênix como símbolo. E o vídeo o mostra com Nike. É como tentar homenagear alguém e ignorar completamente o que ele está fazendo agora.
Isso prejudica a campanha de Bolsonaro?
Prejudica a credibilidade. Mostra que a estratégia de aproximação foi feita de forma superficial, sem pesquisa real. Nas redes sociais, as pessoas não deixaram passar. Virou motivo de crítica, não de admiração.
Qual é o risco maior aqui?
Que em uma era em que a inteligência artificial é usada como ferramenta política, um erro assim expõe a falta de rigor. Se você não consegue acertar os detalhes sobre Neymar, por que alguém confiaria em outras coisas que você produz?