Flávio afirma que PT e membros da CNBB espalharam fake news sobre intenção de remover título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida como sinal de desespero da campanha adversária. CNBB negou acusação em nota, afirmando não ter produzido, autorizado ou participado de disseminação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
Flávio Bolsonaro acusa CNBB de colaborar com PT na disseminação de fake news
A mentira não se combate com outra mentira
Por que Flávio Bolsonaro acusa especificamente a CNBB de estar envolvida nessa disseminação?
Ele diz que membros da CNBB colaboraram com o PT para amplificar o boato. O timing importa: a história começou a circular na semana anterior, e Bolsonaro vê isso como coordenação deliberada entre a instituição religiosa e a campanha petista.
Mas a CNBB negou categoricamente. E Bolsonaro ofereceu provas dessa colaboração?
Não explicitamente no relato. Ele fala em "gente de dentro da CNBB", mas não nomeia pessoas ou apresenta evidências documentadas.
E quanto à decisão do ministro Dino? Por que isso importa tanto?
Dino anulou a ordem que havia removido a publicação de Tabet. Bolsonaro vê isso como o STF protegendo a desinformação petista, enquanto Dino argumenta que a publicação não mencionava o senador pelo nome.
Então temos duas interpretações legítimas da mesma decisão judicial. Uma sobre proteção à liberdade de expressão, outra sobre conivência com fake news.
Qual é o risco real aqui para Bolsonaro?
O boato virou munição para adversários e abriu uma disputa religiosa. Numa eleição acirrada, onde ele e Lula estão em empate técnico, isso pode custar votos.
Mas também vale notar: Bolsonaro promete responsabilizar envolvidos por crimes eleitorais. Isso depende de ele vencer e ter poder para investigar.
E a CNBB? Como ela sai dessa?
Negando participação e reafirmando sua independência política. Mas o dano reputacional já está feito, independentemente de culpa.
O Pulso
- Boato circulou a partir de 24 de setembro sobre intenção de remover Nossa Senhora Aparecida como padroeira
- Ministro André Mendonça ordenou remoção da publicação de Tabet; ministro Flávio Dino anulou a ordem
- Flávio e Lula aparecem em empate técnico nas pesquisas; primeiro turno em 4 de outubro
- CNBB negou participação em desinformação em nota oficial
Flávio afirma que PT e membros da CNBB espalharam fake news sobre intenção de remover título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida como sinal de desespero da campanha adversária. CNBB negou acusação em nota, afirmando não ter produzido, autorizado ou participado de disseminação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
Senador Flávio Bolsonaro acusa integrantes da CNBB de colaborarem com PT na disseminação de boato sobre retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. CNBB nega participação em desinformação.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pela legenda do PL, saiu de uma carreata em Goiânia no domingo 27 de setembro com uma acusação contundente: membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil haviam se associado ao PT para amplificar uma mentira sobre suas intenções religiosas. Segundo Bolsonaro, a campanha petista vinha tentando há dias disseminar a falsa narrativa de que ele pretendia remover de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, e conseguiu êxito apenas com o auxílio de pessoas dentro da estrutura da CNBB.
O boato havia começado a circular na semana anterior. Na quinta-feira, 24 de setembro, o humorista Antonio Tabet publicou no X uma imagem da santa com a legenda "a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida". A publicação atribuía a grupos evangélicos ligados a Flávio a intenção de tirar o título da santa. No dia seguinte, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, acolheu representação da campanha de Bolsonaro e mandou remover o post, vetando novas publicações de conteúdo similar sob pena de multa de trinta mil reais, embora preservasse críticas, sátiras e opiniões legítimas.
Mas a ordem não durou. O ministro Flávio Dino do STF derrubou a decisão de Mendonça, argumentando que a publicação de Tabet não mencionava o senador nem seus familiares pelo nome. Para Bolsonaro, essa anulação representava uma capitulação do Judiciário à máquina de desinformação petista. Ele acusou Dino de autorizar que a "liga da mentira do PT" operasse livremente, descrevendo uma suposta rede de perfis falsos e pagos com dinheiro público orquestrada para disseminar desinformação. "Só que, para o desespero deles, já identificamos toda a rede e vou pedir que as pessoas sejam responsabilizadas por crimes eleitorais", afirmou.
A CNBB respondeu rapidamente com uma nota oficial negando qualquer envolvimento. A entidade afirmou não ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. Reforçou que não integra estrutura político-partidária alguma e que atribuir-lhe participação em desinformação sem provas a atingia injustamente, prejudicando a serenidade do pleito. "A mentira não se combate com outra mentira", escreveu a CNBB, sem citar Bolsonaro nominalmente.
Para a campanha do senador, o episódio confirmava seu diagnóstico sobre o estado da disputa: o desespero do lado adversário. Bolsonaro interpretou o boato como sinal de que sua vitória no primeiro turno era iminente, e que o PT estava recorrendo a táticas cada vez mais extremas. O coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho do PL de Rio Grande do Norte, escalou a tensão ao cobrar do presidente do STF, Edson Fachin, ação para impedir que a corte se transformasse em um "tribunal de exceção eleitoral".
O episódio abriu uma disputa religiosa entre as campanhas. Desde que a notícia falsa viralizou, a equipe de Bolsonaro trabalhou para conter danos, mas o boato já havia se tornado munição para adversários. Nos levantamentos mais recentes, Flávio e Lula, que tenta a reeleição, aparecem em empate técnico, alternando-se na liderança das simulações de segundo turno. O primeiro turno estava marcado para o domingo seguinte, 4 de outubro, deixando pouco tempo para que qualquer uma das campanhas recuperasse o terreno perdido nessa batalha pela narrativa.
Citações Notáveis
O PT conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB disseminar essa fake news— Flávio Bolsonaro, em carreata em Goiânia
A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral— Nota oficial da CNBB