Em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro transformou uma crítica ao ministro Alexandre de Moraes em peça central de sua estratégia eleitoral para 2026, acusando o magistrado de atuar como articulador político do presidente Lula ao promover encontros em sua residência com figuras do poder. O que começou como uma disputa institucional entre poderes ganhou a textura de campanha: o impeachment de Moraes tornou-se palavra de ordem entre candidatos ao Senado apoiados pelo PL, revelando que a fronteira entre o Judiciário e a arena eleitoral raramente é tão nítida quanto as instituições gostariam de su
Flávio acusa Moraes de ser 'grande articulador político' de Lula
Alexandre de Moraes virou o grande articulador político do Lula
Por que Flávio escolheu este momento, especificamente, para amplificar essas acusações contra Moraes?
Porque o tema já estava na rua — aquele jantar com Lula e Alcolumbre deu a ele o gancho concreto. Mas mais importante: ele está construindo uma narrativa para a campanha. Se conseguir fazer do impeachment de Moraes uma questão eleitoral central, força os candidatos ao Senado a se posicionar, e isso o beneficia.
Os candidatos gritaram "Fora, Moraes" em uníssono. Isso é genuíno ou encenação?
Provavelmente ambos. Há uma base real de desconforto com Moraes entre a direita. Mas quando você reúne candidatos apoiados por um mesmo padrinho político e faz a pergunta de forma que convida a resposta que você quer, a espontaneidade fica comprometida.
Flávio fala em "alvos predeterminados" no inquérito das fake news. Ele está dizendo que Moraes escolhe quem investigar?
Sim. É uma acusação de parcialidade — que o inquérito não segue critérios objetivos, mas sim conveniências políticas. Flávio vê a si mesmo e seus aliados como vítimas dessa seleção.
E quanto às propostas penais que ele quer aprovar? Redução da maioridade, pena mínima para roubo de celular — isso é agenda de campanha ou convicção?
Provavelmente ambas de novo. Essas propostas têm apelo eleitoral real, especialmente em contextos de insegurança. Mas Flávio também precisa de uma maioria no Senado para qualquer coisa que faça. Então ele está recrutando candidatos que compartilhem dessa visão.
Ele mencionou "operações contra os nossos pré-candidatos". A que se refere?
Provavelmente a investigações ou ações judiciais que afetaram candidatos da direita. Para Flávio, isso é evidência de que o Judiciário — especialmente Moraes — está sendo usado como arma política contra seu grupo.
No fundo, o que Flávio está tentando fazer?
Está tentando transformar Moraes em um problema político que só ele pode resolver. Se conseguir eleger uma maioria que o apoie, terá legitimidade para pressionar por impeachment ou mudanças institucionais. É uma estratégia de poder, não apenas de crítica.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro acusa Moraes de cruzar a linha entre o Judiciário e a política ao reunir Lula e aliados em sua própria residência, tornando a crítica pessoal e pública.
- Gritos de 'Fora, Moraes' e 'o 1º é o Moraes' explodiram na sala quando Flávio consultou candidatos ao Senado sobre o impeachment do ministro, sinalizando que o tema inflamou a base.
- O inquérito das fake news conduzido por Moraes é atacado por Flávio como instrumento de perseguição seletiva, ampliando o front de conflito para além das reuniões privadas.
- Com 47 candidatos apoiados em todo o país e Michelle Bolsonaro gravando vídeos de campanha, Flávio monta uma operação nacional para renovar o Senado e garantir maioria centro-direita em 2027.
- A agenda legislativa prometida — redução da maioridade penal, classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas e pena mínima para roubo de celulares — depende diretamente do resultado eleitoral de outubro de 2026.
Em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro transformou uma crítica ao ministro Alexandre de Moraes em peça central de sua estratégia eleitoral para 2026, acusando o magistrado de atuar como articulador político do presidente Lula ao promover encontros em sua residência com figuras do poder. O que começou como uma disputa institucional entre poderes ganhou a textura de campanha: o impeachment de Moraes tornou-se palavra de ordem entre candidatos ao Senado apoiados pelo PL, revelando que a fronteira entre o Judiciário e a arena eleitoral raramente é tão nítida quanto as instituições gostariam de supor.
Nesta terça-feira em Brasília, Flávio Bolsonaro reuniu candidatos ao Senado apoiados pelo PL e aproveitou o encontro para elevar o tom contra o ministro Alexandre de Moraes. O senador e pré-candidato à Presidência acusou Moraes de ter se convertido no principal articulador político do presidente Lula, citando como evidência os jantares que o ministro tem promovido em sua residência — incluindo um encontro no início de agosto com Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Para Flávio, ao ingressar na 'seara política', Moraes abriu-se à resposta política. A lógica foi rapidamente encampada pelos candidatos presentes: quando Flávio perguntou se apoiavam o impeachment do ministro, a resposta foi unânime, com gritos de 'Fora, Moraes' ecoando pela sala. O senador interpretou o momento como confirmação de que o tema deixou de ser uma questão jurídica para se tornar pauta eleitoral concreta. Flávio também retomou críticas ao inquérito das fake news, descrevendo-o como uma investigação com 'alvos predeterminados' moldados por conveniências políticas.
O encontro revelou, porém, uma ambição mais estruturada. Flávio apoia 47 candidatos ao Senado em todo o país e conta com Michelle Bolsonaro em gravações de campanha. Seu objetivo é que a renovação de dois terços da Casa em 2026 produza uma bancada centro-direita capaz de aprovar mudanças constitucionais e penais a partir de 2027: redução da maioridade penal, obrigação de presos trabalharem para indenizar vítimas, endurecimento de penas, classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e pena mínima de oito anos para roubo de celulares. 'Vou declarar guerra aos narcoterroristas e vou precisar muito do Congresso', afirmou. A crítica a Moraes, portanto, não foi um fim em si mesma — foi o ponto de partida visível de uma estratégia eleitoral mais ampla.
Flávio Bolsonaro, o senador que concorre à Presidência, subiu o tom contra o ministro Alexandre de Moraes nesta terça-feira em Brasília. Após reunir-se com candidatos ao Senado apoiados pelo seu partido, Flávio acusou Moraes de ter se transformado no principal articulador político do presidente Lula — uma crítica que vai muito além do usual atrito entre poderes e toca diretamente na campanha eleitoral de 2026.
O alvo específico de Flávio foi a série de encontros que Moraes tem promovido em sua residência com políticos de diferentes matizes. O senador vê nessas reuniões uma violação da separação entre o Judiciário e a política. "Você vê o Alexandre de Moraes hoje, ele virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontros dentro da casa dele com outros políticos", disse Flávio. A fala faz referência a um jantar que Moraes mediou no início de agosto, quando Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estiveram presentes. Para Flávio, o ministro cruzou uma linha: ao entrar na "seara política", Moraes abriu-se à resposta política — e isso inclui críticas e pressões eleitorais.
O que começou como uma acusação de conduta imprópria rapidamente ganhou contornos de campanha. Quando Flávio perguntou aos candidatos presentes se apoiavam o impeachment de Moraes, a resposta foi unânime e ruidosa. Gritos de "Fora, Moraes" e "o 1º é o Moraes" ecoaram na sala. Flávio vê isso como sinal de que o tema virou central na disputa por cadeiras no Senado. Os eleitores, afirmou, vão cobrar dos candidatos sua posição sobre o impeachment do ministro. Não é mais apenas uma questão jurídica ou institucional — é pauta de campanha.
Flávio também retomou críticas ao inquérito das fake news conduzido por Moraes, argumentando que a investigação funciona com "alvos predeterminados". Segundo o senador, a operação permite escolher quem será investigado de acordo com conveniências políticas. "Isso virou uma pauta de campanha. Não queria que tivesse chegado nesse ponto, mas virou uma realidade", afirmou.
O encontro de terça-feira revelou também as ambições maiores de Flávio para o Senado. Ele espera que a renovação de dois terços da Casa nas eleições de 2026 resulte em uma bancada ainda mais alinhada ao centro-direita a partir de 2027. Flávio apoia 47 candidatos ao Senado em todo o país e conta com a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em gravações de campanha com esses nomes.
Com uma maioria renovada, Flávio pretende aprovar mudanças constitucionais e na legislação penal. Entre suas propostas estão a redução da maioridade penal, a obrigação de presos trabalharem para indenizar vítimas e custear sua permanência no sistema, e o endurecimento do cumprimento de penas. Ele também defende classificar o PCC, o Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas — uma medida que, segundo Flávio, será essencial para sua "guerra aos narcoterroristas" a partir de janeiro de 2027. Outra proposta é estabelecer pena mínima de oito anos de prisão para roubo de celulares.
Flávio deixou claro que precisará de um Congresso alinhado para executar essa agenda. "A partir de janeiro do ano que vem, eu vou declarar guerra aos narcoterroristas. Vou precisar muito do Congresso Nacional para poder libertar a população que hoje vive sob esse poder paralelo deles", declarou. O que começou como crítica a Moraes revelou-se, portanto, parte de uma estratégia eleitoral mais ampla: construir uma maioria legislativa que permita mudanças profundas na política criminal e constitucional do país.
Citazioni salienti
Você vê o Alexandre de Moraes hoje, ele virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontros dentro da casa dele com outros políticos— Flávio Bolsonaro
A partir de janeiro do ano que vem, eu vou declarar guerra aos narcoterroristas. Vou precisar muito do Congresso Nacional para poder libertar a população que hoje vive sob esse poder paralelo deles— Flávio Bolsonaro