Fiocruz e Ministério da Saúde lançam curso gratuito sobre mudanças climáticas e atuação da APS

Eventos climáticos já fazem parte do cotidiano dos serviços de saúde
Eduardo Melo, da Ensp/Fiocruz, justifica a inclusão do clima na agenda da Atenção Primária.
Mark

Por que a Atenção Primária está no centro desse curso?

Mimi

Porque é a porta de entrada do SUS e está dentro do território. Os organizadores dizem que ela coordena o cuidado justamente nos momentos críticos, como desastres e eventos extremos.

Mark

O que o curso ensina, na prática?

Mimi

Começa pelos conceitos e avança por inundações, secas, ondas de calor e frio e queimadas. Em cada tipo de evento, mostra o que a APS faz antes, durante e depois.

Luke

Vale separar o que é fato do que é intenção. O que está confirmado é a existência do curso, a carga de 45 horas e a estrutura dos módulos.

Mimi

Sim. As falas sobre profissionais mais seguros e serviços mais resilientes são expectativas dos próprios organizadores.

Luke

E não há dado sobre quantas vagas existem nem sobre quem já se inscreveu. Também não se sabe como o resultado será medido.

Mark

Há algo que o texto traz de concreto sobre a realidade dos serviços?

Mimi

Vânia Rocha diz que eventos climáticos danificam unidades de saúde e interrompem atendimentos. E o curso inclui depoimentos de profissionais que viveram isso.

Luke

Mas esses relatos são descritos, não detalhados. Não sabemos quais localidades nem quais eventos aparecem neles.

Mark

Então o que dá para afirmar?

Mimi

Que há uma formação gratuita e aberta, fruto de cooperação entre Fiocruz e Ministério da Saúde. Se muda a prática dos serviços, só o tempo mostra.

  • Eventos climáticos extremos chegam a todas as regiões do país e já interrompem o atendimento em unidades de saúde.
  • Equipes da Atenção Primária precisam decidir, em meio ao caos, como proteger a população e manter os serviços funcionando.
  • Um curso online de cinco módulos, aberto a qualquer interessado, busca organizar a resposta antes, durante e depois das emergências.
  • A cooperação entre Ensp/Fiocruz e Saps/MS aposta na articulação entre cuidado, vigilância e Defesa Civil para ganhar força nos territórios.

Num tempo em que o clima deixa de ser pano de fundo e passa a bater à porta das unidades de saúde, a Fiocruz, por meio da Ensp, a Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde e o Campus Virtual Fiocruz abriram inscrições para um curso gratuito e autoinstrucional de 45 horas sobre mudanças climáticas e atuação da Atenção Primária à Saúde. A proposta nasce da percepção de que chuvas, secas, ondas de calor e queimadas interrompem o cuidado justamente onde ele é mais próximo da vida das pessoas, e busca preparar equipes para agir antes, durante e depois desses eventos. Ao reunir gestão, vigilância e territórios, a iniciativa tenta fortalecer a capacidade do SUS de se adaptar a um futuro cada vez mais incerto.

As inscrições estão abertas para um curso online, gratuito e autoinstrucional sobre mudanças climáticas e a atuação da Atenção Primária à Saúde. A formação é fruto de uma parceria entre a Ensp/Fiocruz, a Saps do Ministério da Saúde e o Campus Virtual Fiocruz, tem 45 horas de carga e foi pensada sobretudo para profissionais da APS, embora esteja aberta a qualquer pessoa interessada.

O objetivo é fortalecer a capacidade adaptativa dos territórios e aproximar cuidado, vigilância e gestão de riscos de desastres. O conteúdo percorre cinco módulos: o primeiro apresenta os efeitos das mudanças climáticas na saúde e o papel da APS; os seguintes tratam de desastres intensivos, desastres extensivos como inundações graduais e secas, ondas de calor e frio, e queimadas. Ao fim de cada módulo, há uma aula sobre como a APS atua nas etapas da gestão de riscos. O material reúne vídeos, mapas, infográficos e depoimentos de profissionais que viveram eventos extremos e contam como responderam.

A coordenação acadêmica, de Vânia Rocha e Carlos Machado de Freitas, parte de uma necessidade concreta: eventos climáticos danificam unidades e interrompem o atendimento. A proposta é que gestores e trabalhadores se sintam mais seguros para organizar os serviços diante dos efeitos de curto, médio e longo prazo. Para o vice-diretor da Ensp, Eduardo Melo, o clima já faz parte do cotidiano da APS, e fenômenos como o El Niño exigem preparo.

Do lado federal, a Saps se compromete a apoiar estados e municípios na reorganização dos processos de trabalho, ligando cuidado e vigilância, com atenção especial a quem está em maior vulnerabilidade. A inscrição é feita pelo Campus Virtual Fiocruz, e cada participante avança no próprio ritmo.

As inscrições estão abertas para um curso online, gratuito e autoinstrucional chamado Mudanças climáticas e a atuação da Atenção Primária à Saúde. A formação é oferecida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (Saps/MS) e pelo Campus Virtual Fiocruz. Tem carga horária de 45 horas e foi pensada sobretudo para profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), mas está aberta a qualquer pessoa interessada no tema.

O objetivo declarado é fortalecer a capacidade adaptativa dos territórios e aproximar o cuidado, a vigilância e a gestão de riscos de desastres e emergências em saúde pública. A atuação da APS atravessa todos os módulos. O conteúdo trata dos cuidados ligados a diferentes tipos de evento climático, dos impactos sobre a infraestrutura e os processos de trabalho, da saúde dos trabalhadores e da articulação com a Vigilância em Saúde, a Defesa Civil e outros setores que respondem nos territórios.

O curso é introdutório e se divide em cinco módulos sequenciais. O primeiro apresenta as mudanças climáticas e seus efeitos na saúde, os conceitos de emergência em saúde pública e evento climático extremo, a gestão de riscos de desastres e emergências em saúde (GRDE em saúde) e o papel da APS nesse campo. O segundo trata dos desastres intensivos. O terceiro, dos desastres extensivos: inundações graduais, secas e estiagens. O quarto aborda ondas de calor e de frio. O quinto, incêndios florestais e queimadas. Os módulos 2 a 5 terminam com uma aula sobre a atuação da APS nas etapas da GRDE em saúde.

O material combina ilustrações, infográficos, mapas interativos, vídeos, entrevistas, textos, matérias e documentos oficiais. Há também depoimentos de profissionais que viveram eventos climáticos extremos em diferentes localidades. Eles contam o que aconteceu nos serviços e nos territórios, quais desafios enfrentaram e que estratégias adotaram.

A coordenadora acadêmica, Vânia Rocha, pesquisadora colaboradora do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes/Ensp/Fiocruz), diz que o curso responde a uma necessidade concreta dos serviços. Segundo ela, os eventos climáticos atingem todas as regiões do país, afetam a saúde das populações, danificam estabelecimentos de saúde e, muitas vezes, interrompem o atendimento. O curso busca apoiar gestores e trabalhadores a organizar os serviços antes, durante e depois de eventos extremos. Para Vânia, profissionais mais preparados para os efeitos de curto, médio e longo prazo, a partir da realidade de cada território, se sentem mais seguros no exercício de suas funções. Ela divide a coordenação com Carlos Machado de Freiras, pesquisador titular da Ensp e coordenador do Cepedes.

A iniciativa faz parte da cooperação técnica entre a Ensp/Fiocruz e a Saps/MS, coordenada na Escola pela Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde. O vice-diretor, Eduardo Melo, afirma que incluir o clima na agenda da APS é reconhecer que seus efeitos já fazem parte do cotidiano dos serviços. Ele cita o El Niño, que pode alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões, como exemplo da necessidade de preparo. Para ele, a APS ocupa posição estratégica por sua proximidade com a população e por poder articular cuidado, vigilância e outras políticas.

Do lado do ministério, Ana Cláudia Cardozo Chaves, coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade da Saps, diz que a gestão federal se compromete a cooperar com estados e municípios. Isso passa por apoiar as equipes na reorganização dos processos de trabalho, ligando cuidado e vigilância no acompanhamento da população. Lilian Silva Gonçalves, coordenadora-geral de Acesso e Equidade na Atenção Primária da Saps, defende que a abordagem territorial permite reconhecer as vulnerabilidades de cada comunidade e garantir a continuidade do cuidado, especialmente para quem está em maior vulnerabilidade.

A inscrição pode ser feita no Campus Virtual Fiocruz. Como o curso é autoinstrucional, cada participante avança no próprio ritmo pelos cinco módulos.

Quando os profissionais se sentem mais preparados para lidar com os efeitos de curto, médio e longo prazo desses eventos, também se sentem mais seguros e capazes de exercer suas funções.
— Vânia Rocha, coordenadora acadêmica do curso
O curso oferece subsídios para que gestores e trabalhadores organizem ações e serviços a partir das necessidades e dinâmicas de cada território.
— Ana Cláudia Cardozo Chaves, Saps/MS
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