Na sétima rodada de negociação coletiva, os bancos brasileiros apresentaram uma proposta que congela o piso salarial dos bancários e fragmenta a categoria em faixas com reajustes distintos — uma estratégia que os sindicatos interpretaram não como oferta, mas como provocação. A CONTEC e aliados rejeitaram a proposta de forma unânime, denunciando que o setor financeiro, mesmo registrando lucros expressivos, escolhe dividir trabalhadores enquanto fecha agências e elimina empregos. O impasse revela uma tensão mais profunda: a distância entre a prosperidade das instituições e as condições de quem a
Fenaban congela piso e proposta de reajuste escalonado é rejeitada pela CONTEC
Congelar o piso enquanto oferece reajustes diferentes é dividir a categoria
Por que a CONTEC rejeitou tão rapidamente uma proposta que, pelo menos em tese, oferecia reajustes para alguns?
Porque reajustes para alguns significa congelamento para outros. O piso salarial é o chão — se você congela o chão enquanto oferece migalhas para o topo, você está criando desigualdade dentro da própria categoria.
A Fenaban estava tentando ser criativa, não?
Criativa em dividir. Lourenço Prado chamou de "Robin Hood", mas ao contrário — não é tirar dos ricos para dar aos pobres, é oferecer migalhas diferentes para cada um e esperar que ninguém reclame.
E quanto aos números? 67 agências fechadas em um mês parece muito.
É. Significa que os bancos estão lucrando enquanto fecham portas e demitem gente. Aí vem à mesa com uma proposta que congela o piso. A contradição é gritante.
O que a CONTEC quer agora?
Mobilização. Protestos. Eles sabem que na próxima rodada precisam chegar com força, não com esperança. A categoria precisa estar na rua, não apenas na sala de reunião.
Isso vai demorar?
Provavelmente. Quando um sindicato rejeita na hora e chama de ridícula, não é negociação rápida. É confronto.
The Pulse
- Na sétima rodada de negociação, a Fenaban apresentou reajustes escalonados por faixa salarial e zerou qualquer aumento para quem recebe o piso — acendendo a revolta imediata dos sindicatos.
- Líderes da CONTEC chamaram a proposta de 'ridícula' e acusaram os bancos de usar a divisão salarial como tática para enfraquecer a unidade da categoria.
- O fechamento de 67 agências só em julho de 2026 e o desemprego de milhares de bancários tornam ainda mais explosiva a recusa dos bancos em oferecer reajuste real.
- O secretário-geral David Zaia convocou mobilizações e protestos para pressionar as instituições financeiras nas próximas rodadas de negociação.
- A rejeição foi unânime entre todos os representantes sindicais presentes, sinalizando que a categoria está disposta a intensificar a pressão coletiva.
Na sétima rodada de negociação coletiva, os bancos brasileiros apresentaram uma proposta que congela o piso salarial dos bancários e fragmenta a categoria em faixas com reajustes distintos — uma estratégia que os sindicatos interpretaram não como oferta, mas como provocação. A CONTEC e aliados rejeitaram a proposta de forma unânime, denunciando que o setor financeiro, mesmo registrando lucros expressivos, escolhe dividir trabalhadores enquanto fecha agências e elimina empregos. O impasse revela uma tensão mais profunda: a distância entre a prosperidade das instituições e as condições de quem as sustenta por dentro.
Na quinta-feira, a Fenaban chegou à sétima rodada de negociação coletiva com uma proposta que os sindicatos recusaram de imediato: reajustes diferenciados por faixa salarial, congelamento do piso e correção considerada insuficiente para vale-refeição e vale-alimentação. A CONTEC disse não sem hesitar.
Lourenço Prado, presidente da CONTEC, apontou dois problemas centrais: o congelamento do piso e a criação de tratamentos desiguais dentro da mesma categoria. David Zaia, secretário-geral, foi mais direto — chamou a proposta de 'ridícula' e convocou a categoria para mobilizações e protestos, exigindo reajuste que reponha a inflação, aumento real e valorização do piso e dos benefícios.
Outros líderes sindicais reforçaram a rejeição. Gladir Antônio Basso, da FEEB-PR, expôs a contradição entre os resultados do setor financeiro e sua postura na mesa: só em julho de 2026, 67 agências foram fechadas, deixando milhares de bancários desempregados. Luiz Gustavo de Pádua Walfrido, da FEEB AL/PE/RN, acusou a Fenaban de usar o escalonamento salarial para dividir a categoria e prolongar negociações que já deveriam ter avançado.
A rejeição foi unânime. Mais do que não avançar nas reivindicações dos trabalhadores, a proposta introduziu um novo ponto de conflito — a tentativa de criar subcategorias com direitos distintos. A CONTEC agora parte para a mobilização, sinalizando que a pressão sobre os bancos vai crescer nas próximas rodadas.
A Fenaban chegou à mesa de negociação na quinta-feira com uma proposta que os sindicatos rejeitaram na hora. Os bancos queriam reajustes diferentes dependendo de quanto cada pessoa ganhava, nenhum aumento para quem recebe o piso, e uma correção que consideraram insuficiente para vale-refeição e vale-alimentação. A CONTEC, que representa os bancários, disse não.
Para Lourenço Prado, presidente da CONTEC, a proposta era inaceitável em dois pontos fundamentais: congelava o piso salarial e criava tratamentos desiguais dentro da mesma categoria de trabalhadores. "Não haver reajustamento salarial para o piso é inaceitável", disse. "O reajustamento da cesta alimentação e do vale-ticket na forma proposta pela Fenaban também é inaceitável." Ele criticou especialmente a ideia de percentuais diferentes para salários maiores, médios e menores, chamando-a de um projeto que não funciona.
David Zaia, secretário-geral da CONTEC, foi mais contundente. Chamou a proposta de "ridícula" e reafirmou que o sindicato não aceita divisão dos trabalhadores por faixa salarial nem o congelamento do piso. Zaia pediu mobilização: "A gente precisa de uma participação mais ativa ainda nesta campanha salarial, com manifestações, com protestos, para que a gente possa, nas próximas negociações, ter uma proposta dos bancos que atenda às nossas reivindicações, que são aumento que reponha a inflação e tenha aumento real, valorização do tíquete e valorização do piso."
Outros líderes sindicais também rejeitaram a proposta. Gladir Antônio Basso, presidente da FEEB-PR, apontou a contradição entre a postura dos bancos e os resultados do setor financeiro. Ele citou o fechamento de 67 agências apenas em julho de 2026, que resultou no desemprego de milhares de bancários em todo o país. "Se nós vermos que, em julho de 2026, foram 67 agências fechadas, consequentemente milhares de bancários sendo desempregados, e essa condição que hoje deveria apresentar uma proposta não aconteceu", disse.
Luiz Gustavo de Pádua Walfrido, presidente da FEEB AL/PE/RN, acusou a Fenaban de tentar dividir a categoria e prolongar negociações que já deveriam ter avançado. "Infelizmente, a Fenaban vem com mais enrolação. Apresenta uma proposta para dividir a categoria e sugere reajuste escalonado por faixa salarial. Estamos aqui para melhorar a vida dos bancários, não para colocarmos todos eles em cheque."
A rejeição foi unânime entre os representantes sindicais presentes. Esta foi a sétima rodada de negociação com a Fenaban, e a proposta dos bancos não apenas não avançou nas reivindicações dos trabalhadores como introduziu um novo ponto de conflito: a tentativa de criar categorias salariais com tratamentos diferentes. A CONTEC agora convoca mobilizações e protestos para as próximas negociações, sinalizando que a categoria está disposta a intensificar a pressão.
Notable Quotes
Não haver reajustamento salarial para o piso é inaceitável. O reajustamento da cesta alimentação e do vale-ticket na forma proposta pela Fenaban também é inaceitável.— Lourenço Prado, presidente da CONTEC
A proposta que a Fenaban apresentou foi rejeitada porque é uma proposta ridícula que tenta dividir a categoria.— David Zaia, secretário-geral da CONTEC