Um palácio art déco tapado por 54 anos volta à vida, mas agora cobra para entrar
Por mais de meio século, o balneário Jacob Riis permaneceu fechado na orla de Nova York — um palácio art déco de 1932 que um dia acolheu multidões e depois apodreceu em silêncio. Agora, restaurado com US$ 88 milhões, ele renasce como Rockaway Ocean Club, mas com uma divisão que toca numa ferida antiga: parte do espaço exigirá anuidade de até US$ 3.500, enquanto a areia continua gratuita. O debate que emerge não é apenas sobre preços, mas sobre a alma dos lugares que uma cidade escolhe preservar — e para quem.
- Um ícone coletivo adormecido por 54 anos ressurge transformado, e a cidade ainda não sabe se deve celebrar ou lamentar.
- A piscina, os lounges e o restaurante com vista para o mar — as partes mais desejadas do complexo — ficarão trancadas atrás de uma anuidade de até US$ 3.500.
- Frequentadores históricos e ativistas urbanos denunciam que privatizar qualquer pedaço da 'praia do povo' contradiz a identidade democrática que tornou o lugar querido.
- Os defensores da reforma argumentam que, sem o investimento privado, o prédio continuaria apodrecendo — e que ao menos parte dele permanece aberta a todos.
- A reabertura em fases a partir de julho transforma o Rockaway Ocean Club num espelho das tensões contemporâneas sobre quem tem direito ao espaço público urbano.
Um edifício de concreto ficou encoberto por tábuas por mais de meio século, sua fachada art déco se deteriorando lentamente enquanto a praia ao redor continuava cheia de banhistas. O balneário Jacob Riis, erguido em 1932 sob o comando do poderoso comissário Robert Moses, foi fechado em 1972 e permaneceu esquecido por 54 anos. Agora, após uma restauração de US$ 88 milhões, ele está prestes a reabrir — mas não da forma que muitos esperavam.
No seu auge, o complexo era um palácio à beira-mar: mais de 8 mil banhistas simultâneos, cerca de 10 mil cabines, salões de dança e restaurante na cobertura. Era o símbolo máximo da praia do povo — um espaço que pertencia a todos. Quando fechou, deixou para trás uma relíquia enquanto a orla seguia sua vida.
A reabertura como Rockaway Ocean Club introduz uma divisão que está no centro do debate. As joias da coroa — piscina para 162 pessoas, lounges e restaurante com vista para o mar — ficarão restritas a sócios, com anuidades que começam em US$ 1 mil para moradores locais e chegam a US$ 3.500 para famílias de fora. A faixa de areia permanece pública e gratuita, como sempre foi; o que se torna pago são as instalações dentro do antigo balneário.
Mas a ideia de que parte de um símbolo coletivo agora tenha acesso restrito incomoda muita gente. A orla é conhecida como praia do povo justamente por sua história aberta e diversa. Frequentadores antigos, como Mary Farias, afirmam ao New York Times que o lugar sempre foi acessível a todos e deveria continuar assim. Do outro lado, há quem defenda que a restauração ao menos salvou o prédio da ruína.
O renascimento é real, e o preço dele — literal e simbólico — também é. As duas leituras convivem, e será o público quem julgará quando as portas do Rockaway Ocean Club se abrirem.
Um edifício de concreto permaneceu adormecido por mais de meio século, suas janelas cobertas por tábuas, sua fachada art déco apodrecendo lentamente à vista de quem passava pela areia. O balneário Jacob Riis, construído em 1932 sob a liderança do poderoso comissário de parques Robert Moses, foi fechado em 1972 e desapareceu do uso público por 54 anos. Agora, depois de uma restauração de US$ 88 milhões, o prédio está prestes a reabrir — mas não da forma que muitos esperavam. Quando as portas se abrirem em fases a partir do final de julho, o Jacob Riis Park ressurgirá como Rockaway Ocean Club, um empreendimento híbrido que mistura acesso público com áreas exclusivas para membros pagantes, uma transformação que já divide opiniões na cidade.
No seu auge, o balneário era um palácio à beira-mar. O complexo art déco podia receber mais de 8 mil banhistas simultaneamente, com cerca de 10 mil cabines de troca de roupa, salões de dança e um restaurante na cobertura. Era um equipamento pensado para multidões, um símbolo da praia do povo — aquele espaço que pertencia a todos, não a um clube fechado. A escala impressionava, e o estilo arquitetônico dava ao prédio uma dignidade de palácio. Mas esse auge não durou. Quando o balneário fechou em 1972, entrou num longo período de abandono que se estenderia por décadas, deixando para trás uma relíquia esquecida enquanto a praia continuava cheia de banhistas.
A reabertura como Rockaway Ocean Club introduz uma divisão que está no coração do debate atual. O clube oferecerá parte de sua estrutura para qualquer visitante, mas as joias da coroa — uma piscina com capacidade para 162 pessoas, lounges e um restaurante com vista para o mar — ficarão restritas aos sócios. A anuidade começa em torno de US$ 1 mil por ano para moradores da região das Rockaways e sobe para aproximadamente US$ 3.500 para famílias de fora da área. É importante esclarecer que a faixa de areia em si permanecerá pública e gratuita, como sempre foi; o que se torna pago são as instalações do clube dentro do antigo balneário. Ainda assim, a ideia de que parte de um símbolo coletivo de Nova York agora tenha acesso restrito incomoda muita gente.
O apelido do lugar explica boa parte da tensão. A orla é carinhosamente conhecida como praia do povo justamente por sua história de ser aberta, diversa e acolhedora — um refúgio democrático de Nova York por décadas. Para os críticos, introduzir um clube pago ali soa como uma contradição fundamental com a alma do lugar. Mary Farias, uma frequentadora antiga, expressou esse desconforto ao New York Times, afirmando que o Jacob Riis Park sempre foi conhecido como a praia do povo e deveria continuar acessível a todos, não servir de base para um clube privado. Do outro lado, há quem argumente que o balneário estava caindo aos pedaços e que a restauração art déco ao menos salva o prédio da ruína, mantendo parte dele aberta ao público.
A reabertura do balneário Jacob Riis é simultaneamente bonita e espinhosa. Um palácio art déco de 1932, tapado por 54 anos na praia do povo de Nova York, voltará à vida graças a US$ 88 milhões em investimento. Mas parte dele agora pedirá US$ 1 mil por ano de quem quiser aproveitar o melhor. O renascimento é real, e o preço dele — literal e simbólico — também é. As duas leituras convivem, e será o público quem julgará quando o Rockaway Ocean Club abrir as portas.
Notable Quotes
O Jacob Riis Park sempre foi conhecido como a praia do povo e deveria continuar acessível a todos, não servir de base para um clube privado— Mary Farias, frequentadora antiga, ao New York Times
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um prédio que ficou fechado por 54 anos de repente recebe US$ 88 milhões em investimento?
Porque o edifício é um ícone arquitetônico e estava literalmente desabando. Mas o dinheiro vem com uma condição: o novo operador precisa lucrar, e isso significa criar um clube de membros.
A areia continua pública, certo?
Sim, a areia segue pública e gratuita. O que muda é que agora a piscina, o restaurante, os lounges — tudo que era parte do equipamento público original — virou propriedade privada de quem paga anuidade.
Então por que as pessoas se importam tanto?
Porque o Jacob Riis Park não é só um prédio. É um símbolo. Durante décadas foi a praia do povo, o lugar onde qualquer um podia ir. Agora, mesmo que a areia seja livre, a experiência completa — a piscina, a comida, o conforto — está reservada para quem tem US$ 1 mil por ano.
Alguém defende essa mudança?
Sim. Há quem diga que sem esse investimento privado, o prédio continuaria apodrecendo. Que é melhor ter um clube parcialmente aberto do que um palácio em ruínas. É uma escolha entre dois males.
E qual é o resultado final?
Um edifício restaurado, mas um símbolo dividido. A reabertura em julho vai mostrar se as pessoas aceitam essa nova realidade ou se a tensão permanece.